A saga continua…

4. Os bancos e o crédito tradicional:

  • Assim como ocorre no caso da determinação dos limites de crédito interbancário (…PARTE 3), os comitês de crédito dos bancos se reúnem diariamente para avaliar e deliberar sobre créditos para você, para mim e nossas empresas.
  • Não entrarei em detalhes sobre esse processo, pois estou concluindo um livro exclusivo sobre o tema, mas abordarei como funciona o comitê em momentos de crise como este que vivemos.
  • Primeiramente, são criados grupos de trabalho e comitês emergenciais que irão “escanear” a carteira do banco, selecionando empréstimos e linhas de crédito que deverão ser revisados.
  • Abordagem do comitê: MUITO CONSERVADORA. Na dúvida, negue ou reduza o crédito (e aumente as garantias). E como o crédito escasseia para todos (sim, para mim, para você e para a Petrobras e para a Vale também), os juros sobem para todos!
  • Há também restrições setoriais, pois o comitê irá se preocupar com aqueles que serão primariamente atingidos pelas condições vigentes, e.g. ausência de linhas baratas para exportação. “Como ficarão os calçadistas de Novo Hamburgo, no RS, que exportam mais da metade do que fabricam para os EUA?”.
  • E se alguém sugere que se corte 50% de todos os créditos de um tipo de negócio e alguém (ou “alguéns”) de peso do comitê diz algo do tipo: “Boa idéia, essa turma vai ter muita dificuldade! Na crise passada metade quebrou”, a tendência é que se CORTE TUDO. A lógica é simples: cortemos antes que outros bancos cortem e a empresa quebre na nossa mão”.
  • Conforme explorado no post anterior (Parte 3), o momento é particularmente difícil para quem perde linhas importantes, pois será ainda mais difícil conseguir linha em outro banco. Alguns otivos: “Temos que alocar os recursos escassos para os nossos clientes e não para novos”;”Se teve a linha cortada no outro banco é porque talvez tenham detectado algum problema”.
  • É o que chamamos de Movimento de Manada – ou de Cardume, para quem não gosta de carne vermelha.

É isso. Amanhã finalizamos a série, com as Partes 5 e 6.

Abraços, F.