ATENÇÃO: FURO DO ANO DO NEW YORK TIMES, ANTECIPADO NO BRASIL COM EXCLUSIVIDADE PELO BLOG DO CRÉDITO! EXPLICANDO AS RAZÕES:

  1. Nunca na história deste planeta – como diria o nosso Ufanista # 1, Presidente Lula – tantos países ricos utilizaram tantos recursos financeiros e regulatórios para superar uma crise como o fizeram hoje (e vêm fazendo há semanas) EUA, União Européia, Reino Unido, Canadá, Suiça, Suécia e China (mais o aval público do Bank of Japan, que preferiu não baixar em 0,5% seus juros básicos…de 0,5% a.a.).
  2. Nunca também se testemunhou – ou sequer imaginou-se – que o mercado, coletivamente, ignorasse tais ações (*) e derretesse globalmente – pelo 5o. dia consecutivo!

(*) Corte coletivo de taxas de juros, semi-estatização do segundo maior e mais importante sistema financeiro do mundo (o britânico), aumentos expressivos dos seguros de depósitos bancários (nos EUA e na Europa), resgate e estatização de todos os bancos europeus que quebraram (no Reino Unido, França, Alemanha e Bélgica), mais de USD 1 trilhão injetados pelos Bancos Centrais nos mercados para restabelecer a liquidez dos bancos, promessas de todos os líderes mundiais que não haverá quebradeira de bancos, etc.

Má compreensão do problema e decisões equivocadas

  1. Primeiramente – e com todo o respeito -, os líderes mundiais que estão à frente desta crise pouco ou nada entendem de banco. Não dominam a dinâmica decisorial de bancos; não percebem seus movimentos e como podem antecipá-los; não sabem o que é e como funciona um comitê de crédito. E isso faz toda a diferença porque esta crise nasce e se reproduz diariamente a partir do coração do sistema bancário mundial.
  2. Os líderes mundiais que vêm tentando ‘domar’ a besta-mercado ainda não acertaram qual remédio deve ser aplicado para qual enfermidade. E são várias!
  3. Talvez o mal maior seja Crise de Confiança do (e no) Sistema Financeiro. Para isso, não adianta injetar zilhões de dólares, euros, yens ou reais. São quatro os motivos para tamanha ineficiência: (i) quem não precisa de liquidez, não toma, i.e. não faz diferença alguma; (ii) quem precisa, zera sua posição devedora imediatamente e não sobra um tostão para relançar a economia, (iii) essa injeção de liquidez é curta e não cura a questão crucial do sistema, que é a sua insolvência!; (iv) ninguém empresta nada para ninguém (porque não confiam uns nos outros e porque não tem mesmo muito dinheiro sobrando).
  4. Reduzir juros (que já são baixíssimos nos EUA) não ajuda em nada esta questão também. Os juros podem ser zero ou mil por cento: ninguém quer arriscar o principal do empréstimo.
  5. A solução chama-se estatização do sistema financeiro: direta, sem poesia, sem modelagem complexa e pouco transparente (com mercado secundário, marcação-a-mercado “sem mercado”, etc.), conforme proposto e aprovado por Paulson. O mercado não comprou o Plano Paulson e acho que os recalcitrantes Republicanos ainda irão rir por último.
  6. Segundo esta alternativa, o governo americano injetaria os USD 700 bilhões aprovados pelo Congresso em capital nos bancos que necessitassem, limparia os balanços dos bancos, publicaria imediatamente tais balanços (com total transparência) e recomeçaria o jogo do zero. Esta é a única forma de fazer o mercado destravar. É radical, mas não há outra forma. O mercado quebrou, aceitemos e sejamos menos infelizes.

E o que me deixa feliz é que a tese advogada por Roubini e Krugman – e por este nada humilde escriba – começa a vingar em Washington. Ver abaixo!

http://www.nytimes.com/2008/10/09/business/economy/09econ.html?_r=1&hp&oref=slogin

E agora a opinião de Paul Krugman: http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/10/08/to-do-not-to-do/

Oremos para que isso evolua, pois seria o ínicio da recuperação (parcial).

Como assim, “parcial”? Sim, porque essa nova proposta ajudaria a resolver a dramática crise de confiança dos bancos. A recessão feia que vem por aí, essa é favas contadas. O negócio agora é submergir e esperar a tormenta passar.

Forte abraço, Fernando