Os mercados abriram em fanfarra no mundo todo – e aqui em particular. O mercado americano está fechado – em tese -, mas a despeito do feriado nos EUA os traders americanos estão negociando aqui, na Europa, na Ásia e em Marte se lá tiver mercado.

A razão para a alta é simples: os líderes internacionais DISSERAM COM TODAS AS LETRAS QUE IRÃO APOIAR OS BANCOS – COM CAPITAL – E QUE NENHUM BANCO RELEVANTE E QUE TRAGA RISCO SISTÊMICO IRÁ QUEBRAR. O mercado estava cansado de cair. Talvez haja muita especulação também. Afinal, este acontecimento não muda o fato de que o crédito será muito mais apertado nos próximos anos e que teremos, muito provavelmente, uma recessão global em 2009.

O engraçado é que os governos já vinham apoiando os bancos decisivamente, pois já passa de USD 1 trilhão o volume de linhas de redesconto injetadas nos bancos do mundo todo e muitos bancos já vinham sendo salvos (de um jeito ou de outro). Porém, por razões estritamente políticas, nenhum destes líderes assumia de fato o compromisso de que essa ajuda se perpetuaria.

Agora vai e graças a Gordon Brown, do Reino Unido. Por aqui, o Banco Central tomou mais uma decisão voltada para a liberação do crédito, mas como bem aponta Miriam Leitão (ler abaixo), talvez essa ajuda não tenha o efeito desejado.

Não nos esqueçamos: essa crise de liquidez se originou numa crise de solvência lá fora. Aqui não. Só que agora os bancos brasileiros também estão assustados com o risco de recessão. Sejamos cautelosos, todos. A bolsa subir 10% não significa que o céu ficou azul de repente. Mudou o vetor: de tragédia para apenas tempos difíceis. Ainda não é hora para você dobrar a fábrica ou comprar a quinta TV de plasma em 24 vezes “sem juros”.

Abraços, Fernando

Liberação de compulsório

BC dá mais um passo para destravar crédito

O Banco Central acaba de divulgar nota anunciando a liberação integral do recolhimento dos compulsórios. Somando todas as medidas já anunciadas, o total de crédito que poderá ficar disponível é de R$ 160 bilhões. Era previsível mais esta etapa de uso do dinheiro recolhido ao Banco Central. Esta é a forma mais tradicional de reforço da liquidez porque apenas libera para os bancos o dinheiro dos próprios clientes que o banco tem que recolher ao BC. Agora eles não precisam mais.

Os bancos terão mais dinheiro para emprestar. Teoricamente. Em épocas de crise, o risco é esse dinheiro voltar para o governo através da aplicação em titulo público. Em vez de emprestar uns aos outros e emprestar aos clientes, os bancos podem apenas comprar título público. O governo troca seis por meia dúzia e os bancos têm um gasto maior.

O BC brasileiro ainda tem muita munição porque o compulsório sobre depósitos à vista é alto e pode ser reduzido. O problema é enfrentar o desafio de evitar o travamento do mercado de crédito que já aconteceu em outros países.