Olá – no outro post fizemos uma introdução ao tema, já deixando claro como se dará esse processo complexo que vive o mercado financeiro e cada um de nós, por tabela.

A parte final desse “mini-curso” de decisão de crédito bancário segue abaixo:

Parte III – Um pouco do processo de decisão dos bancos

  1. Os bancos e financiadores em geral observam (*) se os clientes terão condição de repagar o empréstimo, do contrário não aprovam a linha. E para tomar essa decisão com a menor probabilidade de erro, bancos e similares fazem diversos tipos de análises, mantêm comitês de crédito, etc.
  2. As análises se sustentam em três pilares. O primeiro refere-se às condições macroecônomicas (crescimento do PIB, taxas de juros, desemprego, câmbio, etc.) e como estas impactarão o setor e a vida do tomador do empréstimo.
  3. O segundo refere-se às variáveis microeconômicas, i.e. sobre o mercado em que o cliente atua. Muitas vezes a economia vai muito bem no todo, mas o setor do cliente vai mal e há ‘n’ razões para isso.
  4. A terceira perna da análise é a condição de crédito do próprio cliente, i.e. seu histórico de crédito (com o próprio banco e com o mercado), reputação, sucessão (se for PJ), sua renda (se for PF) ou receita/EBTDA/Lucro (se for PJ), perspectivas de crescimento e geração de caixa X nível de endividamento, riscos para a continuidade do negócio do cliente, etc.
  5. Naturalmente, (4) é altamente dependente de (3) + (2) acima.
  6. MORAL DA HISTÓRIA: BANCOS SÓ FARÃO NOVOS EMPRÉSTIMOS SE, ALÉM DE TEREM A TAL DA LIQUIDEZ, TAMBÉM IDENTIFICAREM QUE AS CONDIÇÕES MACRO E MICROECONÔMICOS SÃO POSITIVAS (OU NEUTRAS) PARA AS EMPRESAS E FAMILIAS, E SE ESTAS DEMONSTRAREM QUE SÃO MERECEDORAS DO CRÉDITO (*).

(*) não vale comparar com as criminosas operações que deram origem à crise do subprime americano!

Tudo isso que expliquei nestes posts pode não ser óbvio para o amigo do blog, que não vive neste meio. Mas é inaceitável que membros de governos, líderes industriais, economistas de alto prestígio e jornalistas experientes não saibam disso e saiam falando/escrevendo bobagens do tipo: “Não entendemos por que os bancos não retomam os empréstimos!”. O amigo empresário, que está no sufoco, implorando por uma linha que agora custa o dobro de antes, tem o direito de reclamar e dizer o que quiser, mas certas personalidades públicas deveriam ser mais comedidas.

Cada um de nós, que porventura venha a precisar de linhas bancárias, enfrentará um verdadeiro combate. Eu, você e sua empresa brigaremos por um recurso escasso. Mais do que nunca, as empresas têm que dominar a arte de se COMUNICAR COM E VENDER A SUA IMPORTÂNCIA PARA OS BANCOS. Do contrário, perderá a linha para outro mais bem apresentado.

Espero que pelo menos os amigos do Blog do Crédito tenham entendido esta mecânica, que é tão simples, mas é tão mal compreendida.

Meu abraço, Fernando