O post abaixo veio direto do Blog da Miriam Leitão, pois o achei 100% alinhado com os objetivos do Blog do Crédito. A fonte da entrevista é o diretor executivo da ANEFAC, entidade representativa dos Executivos Financeiros. Boa leitura + abraços,

Fernando

Enviado por Leonardo Zanelli –
20.10.2008
| 16h14m

Crédito

Onda de juros maiores e prazos menores segue em outubro

 

Outubro começou como setembro terminou: juros crescendo na ponta, maior seletividade na hora da concessão do crédito, prazos menores para pagamento. A novidade deste mês está por conta da liberação do crédito para as empresas. Com a crise, elas estão com capital de giro reduzido. Com isso, as financeiras passam a exigir mais garantias.

– Antes, bastava a empresa dar uma garantia como os recebíveis para ela conseguir o crédito. Agora, as garantias aumentaram e estão exigindo até imóvel. Há dificuldade no capital de giro. Isto afeta as empresas porque o crédito está mais caro – diz o diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer.

Segundo Storfer, o que ocorre neste mês de outubro é o que ele chamou de “efeito espelho”: as empresas que ainda não tinham elevado os juros de seus financiamentos passaram a fazer isso porque o mercado inteiro está assim. Os dados fechados deste mês só estarão disponíveis em novembro, mas este foi o movimento verificado pela Anefac nos primeiros dias deste mês.

Para o diretor-executivo da Anefac, o consumo do Natal ainda não deve ser afetado. Isto porque com o crédito escasso e mais caro, seria melhor para as empresas vender seus produtos e fazer caixa do que manter o estoque parado. Além disso, mesmo com a redução no crescimento, o consumo ainda não apresentou retração.

– Continua uma inércia de compra e algumas empresas estão fazendo promoções para fazer caixa. Esse movimento deve persistir até o fim do ano.

Storfer acredita que o problema pode piorar no ano que vem, se a crise e o empoçamento de liquidez persistirem. Neste caso, o mercado ficará avesso ao risco, não haverá lançamento de novos produtos e se o consumo cair mais pode até haver demissão em alguns setores.

– Uma parcela da população que estava inserida no consumo de outros produtos já foi penalizada com a inflação em itens básicos e de alimentação. Com a alta dos juros e dificuldade para financiamento, esse pessoal vai sair do consumo de bens mais duráveis e que precisam de financiamento e vai comprar produtos mais básicos e baratos – explica.

Andrew Frank Storfer defende uma reeducação da população nesse momento de crise financeira.

– As pessoas, principalmente das classes C e D, devem poupar um pouquinho a cada mês, o que pode ser na boa e velha caderneta de poupança, para depois terem condições de dar uma entrada maior e reduzir o financiamento ou até comprar à vista. Muitas vezes, a compra tem efeito psicológico e não lógico. As pessoas olham a compra do vizinho, por exemplo, e querem o mesmo produto ou um similar. Mas neste momento, deve haver uma educação das pessoas – afirma o diretor-executivo da Anefac.

A dica é importante. Não é hora de endividamentos. Nem para o setor das financeiras: pessoas com mais dívidas têm mais dificuldades de pagamento e isso pode gerar inadimplência. E a inadimplência é tudo o que o setor não quer.

 


Enviado por Alvaro Gribel