Nesta 2af, tive a honra de participar, como convidado, do Conselho Superior de Assuntos Estratégicos (CONSEA) da FIESP. Este belíssimo orgão, que promove debates do mais alto nível, é presidido pelo Dr. Ruy Martins Altenfelder Silva. O meu relacionamento com a FIESP/CIESP começou há três anos, através do Núcleo de Jovens Empresários (NJE), da CIESP, um grupo dinâmico que sempre busca melhorias para a gestão empresarial.

No evento de hoje o palestrante foi o Presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras – CNF -, Dr. Gabriel Jorge Ferreira, que discorreu sobre o tema Reforma Tributária na Visão dos Bancos e Agentes Financeiros. Também estavam presentes os senadores Roberto Konder Bornhausen e Rodolpho Tourinho.

Reporto abaixo os aspectos que mais chamaram a minha atenção, tanto ao longo do evento como durante o almoço com empresários, que aconteceu em seguida:

1. O Congresso irá aprovar a Reforma “possível”, ao invés da “ideal”. A encruzilhada de impostos, taxas e regras parece ser complexa demais para que possa ser “desmontada” e refeita de uma vez só. Há muitos interesses envolvidos, públicos e privados, e isto, num país complicado como o nosso, é assunto para uma década ou mais.

2. Os bancos brasileiros estão absolutamente sólidos, segundo o Presidente da CNF. Eu concordo com ele.

3. Fiquei muito satisfeito com duas observações do Gabriel Ferreira:

  • O importante tema das regras de alavancagem dos bancos, segundo o acordo conhecido como Basiléia II, ainda não entrou na órbita de preocupação dos empresários. Ele afirmou taxativamente que, quando de sua implementação integral, os pequenos e médios tomadores de crédito sofrerão com essas regras – e ninguém parece se preocupar com isso, disse. EU CONCORDO 100% COM ELE.
  • No Brasil, a informalidade contábil das empresas de médio porte para menor atrapalha decididamente a concessão de crédito. Ele sugere que entidades ligadas à contabilidade no Brasil se unam no sentido de criar um padrão mínimo de demonstrações financeiras das empresas. ESTE TEMA TAMBÉM É RECORRENTE EM MINHAS PALESTRAS E TEXTOS.

4. Sem rodeios, deixou claro que o crédito está sendo decidido de forma mais conservadora pelos bancos. Nada de novo para os nossos amigos participantes do blog, mas ainda existe muita falação na imprensa e na blogosfera, como se os bancos estivessem tomando dinheiro barato do Banco Central (via redesconto) e aplicando este mesmo recurso no mesmo Banco Central…e ainda obtendo lucros.

5. Visões sobre a crise durante o almoço: não poderia haver mais diversidade à mesa. Enquanto um deles comentava que nunca vendeu tanto como em setembro último, outro disse que seus clientes (do setor de autopeças) estão revendo suas encomendas há meses. Está cada vez mais patente que esta crise pegou no alto da cadeia (e.g. bancos e grandes corporações) e menos na pessoa física e no varejo.

Um assunto engraçado que o Jorge, que também é ex-presidente da Febraban comentou, é que os americanos impuseram ao mundo o mais rigoroso padrão de reporte financeiro jamais sonhado, conhecido como SoXa. Com 50 (!!) anos de carreira no Unibanco, ele contou o trabalho absurdo que tiveram para implantar o SoXa no banco, pois do contrário não poderiam operar suas ações (ADRs) nas bolsas americanas.

Concluiu dizendo: “Se os bancos americanos tivessem implementado o SoXa pra valer e se os auditores e autoridades de lá tivessem prestado atenção nos relatórios que eles mesmos ajudaram a criar, o mundo não estaria do que jeito que está…”. Verdade absoluta e inquestionável.

Abraços, Fernando