Mais um dia louco seguido de jantar longo. Mas foi bom para cruzar minha visão sobre temas ligados à crise com alguém lá de fora, sênior e muito experiente. A reunião e o jantar foram com um diretor global de um grupo financeiro – citar nomes não ajudarão a minha carreira, nem a continuidade deste blog. Então, perdoem-me. Tópicos:

1. Ele me reportou uma conversa que teve com um CEO de banco estrangeiro devidamente impactado pela crise:

Director: “Mas afinal, o quanto de exposição aos títulos tóxicos o banco tem? “

CEO: “Eu não faço idéia. Pior, ninguém faz idéia alguma, seja nos EUA ou na Europa.”

Lembram do último post sobre o Roubini, onde ele comentava que os auditores do Lehman Brothers ainda não tinham claro o tamanho da encrenca (após dois meses lá dentro)? Pois é, taí mais uma confirmação.

2. Lancei uma provocação que vem me incomodando há dias: se somarmos toda a ajuda que a Europa já deu e prometeu para os seus bancos, passa de longe dos USD 700 bi que o Tesouro Americano aprovou no Congresso. Considerando que:

  • O sistema financeiro americano é muito maior (mais alavancado que o europeu).
  • A qualidade dos ativos americanos é muito pior.
  • A crise foi fecundada, gestada e parida nos EUA – a Europa, supostamente, sofre contágio e só.

Como é, então, que só USD 700 bi dariam conta da crise americana? Resposta do, repito, diretor global de grupo financeiro, sênior e experiente:

“Mas alguém ainda acredita que USD 700 bi resolverão o problema? O Bush e seus meninos Paulson e Bernanke tiveram é medo de pedir mais dinheiro do contribuinte para o Congresso! A conta não sairá por menos de USD 2 a 3 trilhões.”

3. Após azedar a sobremesa, tamanho clima tétrico, o café foi à base do: “Mas você não acha que ainda tem coisa que não veio à tona?”, perguntei já querendo responder. Sem surpresa:

“Ninguém sabe no que vai dar esses Hedge Funds. Se e quando um dos grandes estourar, o mercado vai pegar fogo…”

Que jantar… Não é à toa que já são 2:15 da manhã e eu estou aqui filosofando…

Saudações, Fernando