Hoje fui muito perguntado sobre a razão de ser dessa Medida Provisória (MP): se havia algo de esquisito nela, se algo estava ocorrendo no mercado bancário, etc.

O link abaixo, do Ministério da Fazenda, traz um comentário bastante genérico da mesma.

http://www.fazenda.gov.br/

A MP trata de três temas:

  1. Dá poderes ao Banco do Brasil (BB) e à Caixa Econômica Federal (CEF) para comprarem bancos com dificuldades de liquidez.
  2. Permite que a CEF crie empresa de participações acionárias para que possa comprar construtoras/incorporadoras em dificuldade (seria a CaixaPar, num conceito muito similar ao BNDESPar).
  3. Autoriza o Banco Central a realizar operações de SWAPs em países detentores de moedas de alta conversibilidade.

O item 3 não me parece controverso, pois apenas agrega mais um instrumento de gestão de trading de moedas para a mesa de operações do Banco Central. Normal, bacana, pronto.

Agora, as duas primeiras…achei-as desnecessárias e questionáveis. Quanto à aquisição de bancos pelo BB e pela CEF, eu digo:

  1. Lançar mão desse tipo de expediente e dizer que “não há ninguém quebrado”  (Ministro Mantega) é achar que as pessoas são alienadas. Especialmente por fazê-lo após forte injeção de liquidez e outras medidas voltadas à aquisição de carteiras de crédito de bancos de pequeno e médio portes.
  2. Na verdade, o governo passou recibo de que (a) as medidas anteriores não funcionaram, (b) sim, os tais bancos continuam precisando de dinheiro e (c) talvez a situação não tenha retorno (“paciente terminal”).
  3. O que de fato estará acontecendo? O governo quis criar um mecanismo de pressão para os bancões comerciais comprarem logo esses banquinhos “antes que o governo o faça”?  Terá o governo feito isso porque quer se livrar logo do problema (do redesconto)? Ou será que é porque o Banco do Brasil quer aumentar sua participação de mercado?
  4. Sabemos que os bancos em apuros não sobreviverão sem mudança de controle acionário e/ou venda substancial de suas carteiras. Conforme já disse antes, não me consta que tais bancos tenham problema de solvência (i.e. carteira de crédito ruim), mas sim de liquidez. Porém, talvez as negociações com possíveis/prováveis compradores não estejam ocorrendo em boa ordem.
  5. Corre no mercado que quando o finado Banco Santos entrou em colapso, aconteceu um episódio idêntico a este, i.e. o Banco Central chamou os bancões e os teria “aconselhado” para comprarem as carteiras de crédito dos pequenos. Assim foi feito e logo em seguida tudo voltou ao normal, etc.
  6. Mas, aparentemente, teriam havido alguns ‘acordos de cavalheiros’ entre certos bancos que assim que a poeira baixasse o banco X compraria o banco Y e assim por diante. Diz a ‘lenda urbana’ que alguns bancos a serem vendidos fugiram do acordo, teriam pedido mais do que valiam, etc.
  7. Como alguns bancões teriam ficado na mão, estaria agora ocorrendo uma retaliação. Fofocas, meus caros, rumores, nada de concreto, mas é impressionante como tudo se encaixa direitinho…

Vários “analistas” de mercado logo trataram de dizer que essa MP bagunçou a cabeça dos investidores, que trouxe volatilidade para a bolsa, etc. Minha opinião? Bobagem! Mas que gera um ‘frisson’ desnecessário, isso gera. Se eu sou o governo, só emitiria uma medida dessas se fosse para testá-la no ato, i.e. já comprava logo uns dois bancos!

Concluindo esta parte, essa Medida Provisória reforça a tese defendida no blog: no Brasil, banco algum quebra tão cedo.

Quanto à CEF poder comprar participações em construtoras/incorporadoras, olha, não tenho palavras. Meu post de ontem foi bem direto. É Operação Hospital”… E logo esse governo que tanto falou do PROER, acaba de lançar dois de uma vez só! E feita pra gente pequena que deveria se acertar no mercado, pois traz baixo risco sistêmico. Vai dar o que falar!

https://blogdocredito.wordpress.com/2008/10/22/construcao-civil-mais-um-subprime-verde-amarelo/

Saudações, Fernando