Nem a lendária personagem do Verissimo, a Velhinha de Taubaté, acreditaria que o governo tomou todas aquelas medidas de ontem “só por precaução”.

Hoje eu tive a confirmação de que o “bicho vai pegar” no final do mês no tradicional “Comprados vs. Vendidos” na BMF… É, aquela história da Sadia que depois teve Aracruz e Votorantim, ainda não acabou…

É aquela coisa: se alguém levar um nocaute, o hospital já estará montado, com alvará de funcionamento, pronto para atender feridos da maior gravidade. Agora, acho que não fariam isso por conta de alguém pequenoserá que tem gente grande com risco de ser nocauteado?

Lembram do post de hoje cedo? Complementando, é assim:

  1. Os bancos não montaram posições especulativas. Não ficaram posicionados em dólar (“comprado” ou “vendido”).
  2. Mas os bancos venderam estruturas com derivativos de dólar para os seus clientes em quantias multi-bilionárias.
  3. Não era para acontecer, mas aconteceu: os clientes perderam rios de dinheiro…
  4. E muitas dessas empresas não querem pagar e estão renegociando (parcial ou integralmente, etc.).
  5. Voltando ao item 1 acima, os bancos haviam montado posições opostas no mercado (e.g. BMF), zerando sua exposição.
  6. Se o cliente não honra o pagamento devido no derivativo (como parece ser o caso agora), o banco fica em APUROS, pois ele deve um pagamento equivalente para a outra ponta.
  7. Isto é o que se chama de counterpart risk. Em outras palavras, o banco estava zerado no risco de mercado, pois comprou e vendeu riscos idênticos (no valor, no prazo, etc.).
  8. Mas para tudo dar certinho, os parceiros do negócio têm que honrar as condições do negócio. Como o credor do banco vai exigir sua parte, o devedor do banco também DEVERIA pagá-lo…
  9. Em condições normais, ninguém deveria quebrar por isso mas, pelo jeito, as quantias são tão bestiais que…vai saber…

Acompanhar o fechamento dos futuros de câmbio no final do mês será emocionante.

Scary, spooky!

Fernando