(*) Fernando Blanco, auto-intitulado Roubini brasileiro…

SE VOCÊ CANSOU DAS EXPLICAÇÕES QUE OS “ANALISTAS” VÊM DANDO PARA A CRISE, LEIA ABAIXO:

1. Os mercados não param de cair porque…

  • Tem muito mais vendedor do que comprador – não é piada
  • As pessoas estão vendendo ativos para pagar suas contas
  • O sistema de crédito não se normalizou – nem irá tão cedo
  • Pouquíssimos bancos foram capitalizados – e os outros?
  • Bancos já machucados temem a recessão que já está aí – EUA & UE
  • Executivos/banqueiros perderam a autoconfiança – ninguém se arrisca!
  • Não há mais financiamento para compras alavancadas
  • Com o petróleo em queda a OPEPlandia ‘desenriqueceu’
  • A desaceleração chegou na China e na Índia
  • Percepção clara de que os mercados vencem os Estados nacionais
  • Vários países já estão em crise cambial, em “life support” do FMI
  • Descoordenação internacional: França vs UE vs EUA

2. Mas antes disto, a situação ainda irá piorar porque…

  • Estima-se que até 30% dos Hedge Funds entrarão em colapso
  • Há um total de USD14 tri de CDS no mercado (= PIB dos EUA)
  • Os clientes destes CDS terão imensos prejuízos com o default
  • …e irão dar default em outras contrapartes por falta de caixa
  • …com caos em todos os  mercados de derivativos: USD 500 tri
  • Mais bancos entrarão em colapso
  • Os USD 700 bi de Bush-Paulson evaporarão na largada
  • Clima de depressão tomará conta das populações
  • O comércio mundial – que gera riqueza – desacelerará

3. Uma depressão talvez seja evitada se…

  • O Keynesianismo for revivido – muito gasto público
  • Os Estados promoverem um “encontro de contas” na economia
  • Os Estados promoverem a fusão de bancos com dificuldades
  • O “livre mercado” for abraçado pelo “estatismo francês”

4. 2008 versus 1929

  • Em 1929 o liberalismo imperou e o FED incentivava as quebradeiras
  • Em 2008 os governos querem evitá-la, o que é bom
  • Em 1929 a crise se globalizou, mesmo sem os atributos desta
  • Em 2008 a crise já nasceu globalizada – e para combatê-la?

5. E o Brasil?

  • Uma desaceleração brutal acontecerá mesmo sem o quadro acima
  • Crescemos muito no ano passado e neste ano. Mas, e se não tivermos..

                    1) Investimento de multinacionais, que estão machucadas pela crise

                    2) Investimento de investidores em ações/bonds por conta da crise

                    3) Investimentos em empresas dos fundos de Private Equity

                     4) Financiamentos bancários para comércio exterior

                     5) Financiamentos bancários para projetos

  • E quando o desemprego subir, as perspectivas seriam de…

          1) Inadimplência dos “neo endividados” altamente endividados

          2) Inadimplência no varejo combinada com vendas em baixa

          3) Empresas com projetos em andamento, vendendo menos e…

          4) …sem crédito de longo prazo e muito mais caro

  • As operações ‘empréstimo+opções’ à la Sadia são volumosas
  • Tem banco com CDS aqui também – surprise!

Alguém se perguntará como psicografei tudo isso em 1 hora (precisamente). Desde o início dessa crise, eu fiquei intrigado com a coisa toda, pois vivi as demais crises por dentro e esta se mostrou diferente e pior desde o início.

Ao ver o descortinar dos CDS’s e CDO’s e os governos tentando domar a crise sem sucesso… acho que o modo de produção capitalismo como conhecemos chegou ao fim.

E que venha a bonança depois da tempestade – por que esta já é um fato.

Abraços, Fernando