Este post é para quem tem interesse na gestão da política monetária dos EUA via FED e como ela poderá ajudar aquele país (e o resto do planeta) a sair da recessão em que embarcou (embarcamos).

O link abaixo, da conceituada Market Watch, escrito pelo editor David Callaway, vai ao ponto ao comentar a queda nos juros promovidos pelo FED (agora é 1% a.a.).

Vocês sabem que, até bem pouco tempo, o Japão passou uns 10 anos crescendo entre 0 e 0,5% a.a.? E que nesse período o Bank of Japan (o BC deles) trabalhou com taxas de juros nominais ao redor de zero, i.e. juros reais bem negativos?

Em outras palavras, não adiantou nada!! O problema do Japão era um e o dos EUA (e da Europa) é outro. Até porque a economia global está muito diferente hoje em dia (bem pior). Na minha opinião, um país com taxas de juros tão baixas só não cresce por dois motivos:

  1. A taxa de juros é baixa, mas os bancos não querem emprestar para os clientes porque temem não serem repagos.
  2. A população teme pelo emprego, etc. e prefere poupar e receber juros negativos do que gastar sua renda.

E não é que o mundo está mais ou menos assim agora? Há pouco crédito disponível e há pouca demanda por crédito novo. Já comentamos aqui que o único jeito de virar esse jogo, e aos poucos, será os governos reduzirem a carga de impostos de famílias e empresas para que estas gastem e invistam. O risco é elas quererem pagar seus empréstimos porque aí a máquina continuará parada.

http://www.marketwatch.com/news/story/Bernanke-makes-official-We-Japan/story.aspx?guid=%7BF8AC589F%2D2F94%2D478D%2D9C54%2D0E4F6BD52F95%7D

Aqui é tudo diferente, né? Os nossos singelos juros básicos anuais (SELIC) equivalem aos de uma década do Japão e do EUA, e ainda assim, se bobear, a turma que ainda não sentiu a crise na pele invade a Casas Bahia e compra tudo (a prazo!)… e eu poderia até inverter o título deste post para “Quando juros altos não inibem o crescimento” (vide 2007 e 08).

Abraços,

Fernando