Caríssimos,

Vivemos “n” crises e pacotes ao longo dos últimos 20 anos, sendo que todos – ou quase todos – foram “patrocinados” pelos governantes da época. Seja por conta da inflação inflexível ou devido a crises internacionais, as medidas que nos jogavam em recessão sempre tinham a mão do governo.

Esta crise é única em sua complexidade, mas encontra o Brasil muito melhor posicionado e robusto do que nas anteriores. Mas ainda contamos com um fato novo: o nosso Governo está absolutamente “ativista” e usando seu melhor armamento para evitar que a economia ceda neste final de ano. Exemplos de destaque:

  1. Leilões de dólares das reservas cambiais, viabilizando alguma liquidez para o financiamento das exportações.
  2. Injeção de crédito nos bancos de pequeno e médio portes, a partir da liberação de compulsório dos bancos grandes que poderão comprar as carteiras de crédito dos menores.
  3. Dilatação do recolhimento de impostos, adicionando capital de giro para as empresas, que hoje encontram dificuldade para captar esse tipo de linha bancária.
  4. Apoio para o setor automotivo, com R$ 8 bilhões do Banco do Brasil e da Nossa Caixa (SP) para os bancos/financeiras ligadas às montadoras (neste caso, com o solene apoio do Governador José Serra).
  5. Apoio para a construção civil, com B$ 3 bilhões da Caixa Econômica Federal (Caixa), voltados para capital de giro e aquisição de participação em empreendimentos em andamento.
  6. Apoio para a agricultura, com (potenciais) R$ 5 bilhões para o financiamento da safra.
  7. Apoio para o varejo, com R$ 2 bilhões da Caixa para o financiamento de compras de bens de consumo duráveis vendidos no pequeno e médio comércios.

Eu acho que as medidas são exemplares, ainda que pudessem ser mais bem detalhadas. Acho que a necessidade de divulgá-las para acalmar a economia, acabou gerando alguns atropelos aqui e ali.

Os benefícios sócio-econômicos são claros:

  • Apoio ao importante e machucado setor exportador.
  • Irrigação de certos segmentos do sistema varejista.
  • Dá capital de giro, linha bancária usual, mas escassa e cara no momento.
  • Evita a quebra de bancos, o que geraria um pânico generalizado e indesejado.
  • Evita a paralisação de empreendimentos imobiliários, destruindo a poupança de longo-prazo da população.

Governos, em geral, são apedrejados. Justificadamente, na maioria das vezes. Mas acho que o governo Lula está fazendo um bom trabalho ao longo desta crise sem precedentes. E quem conhece um pouco como funcionam as coisas na seara pública, sabe das dificuldades que Banco Central e Ministérios enfrentam para conseguir articular esse tipo de ajuda.

Só falta o governo emitir uma Medida Provisória proibindo a redução de vendas e proibindo a quebra de empresas e bancos. Cool.

Um abraço,

Fernando