Viva, viva!! O G – 20 reuniu-se hoje em Washington, sob a firme (?) liderança (?) de George W. Bush. Como diria o Casseta & Planeta, “Seus problemas acabaram!” – nem tanto…

Para quem não tiver saúde para ler o Comunicado do G – 20  (link abaixo, equivalente a exatas 10 páginas de Word), pule direto para os meus comentários (que não são lá muito curtos também):

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601068&sid=aBkxf.HO2P00&refer=home

1. A palavra reforma só aparece pra valer ao lado de “devemos evitar que crises globais como essa voltem a a ocorrer”. Não tem nada a ver com “reforma do capitalismo”, como vem advogando Nicolas Sarkozy.

2. Declaram forte compromisso com a economia de mercado, livre comércio, fluxos de capitais: é a agenda americana. Mas pela primeira vez os americanos concordam com “mercados financeiros efetivamente regulados”: um avanço.

3. Capricharam na declaração de Raízes da Crise: procura por retornos elevados pelos investidores, inadequada apreciação dos riscos, standards analíticos de riscos insuficientes, más praticas gerenciais (de risco), geração de complexos e opacos produtos financeiros, excessiva alavancagem, reguladores dos países avançados não apreciaram o risco que dominava os mercados, políticas macroeconômicas inconsistentes e insuficiente coordenação de políticas macroeconômicas (entre os países).

PS: foi uma farta distribuição de carapuças…

4. Após um paragráfo de auto-elogios por conta das ações de puro “ativismo governamental”, delinearam as seguintes ações, ainda que de forma genérica:

  • Continuas e vigorosas ações voltadas à estabilização do sistema financeiro
  • Política monetária continuará frouxa, i.e. juros baixos (minhas palavras)
  • Estímulos fiscais, i.e. governos gastaram à vontade (minha palavras)
  • Apoio a países emergentes em dificuldades. Apoio ao FMI
  • Apoio ao Banco Mundial e demais bancos multilaterais no apoio à recuperação econômica
  • Garantia que estes bancos e entidades terão fundos suficientes

5. Princípios para a Reforma dos Mercados Financeiros Internacionais

Após darem um belo pito nos bancos, definiram os seguintes compromissos:

  • Fortalecimento da contabilidade global e responsabilização.
  • Fortalecimento da transparência dos mercados e produtos financeiros
  • Regulação financeira sólida e transparência das regras nacionais
  • Integridade dos mercados, proteção dos seus participantes
  • Coordenação de fluxos de capitais entre países; antecipação de crises
  • Reforçaram a importancia de dividirem informações. Cooperação
  • Reforma das instituições de Bretton Woods: mais poder para FMI, etc.

6. Os Ministros da Fazenda/Economia/Finanças (cada país chama de um jeito) deverão se coordenar e apresentar um plano de ação até o dia 30 de março. O G – 20 de Chefes de Estado (como este de hoje) irá se reunir de novo em 30 de abril. Desta feita, já sob a batuta de Barack Obama.

7. As principais ações esperadas dos Ministros são:

  • Evitar regulações que gerem tais crises
  • Revisão e alinhamento de contabilidade financeira, em especial para securities em tempos de crise (a famosa marcação-a-mercado)
  • Reformar o mercado de derivativos de crédito, reduzindo o seu risco sistêmico, além de fortalecer a infra-estrutura dos mercados de balcão (onde não há bolsas, como a BMF, envolvidas)
  • Revisão das práticas salariais/bonus dos executivos
  • Revisão das responsabilidades, governanças e recursos dos bancos e firmas
  • Definir o escopo das instituições com importancia sistêmica

8. Compromissos com uma Economia Aberta e Global – o “American Way of Doing Business” estará preservado…

  • Compromisso com o livre mercado, livre iniciativa, fluxos de capitais, etc.
  • Rejeição ao protecionismo. Apoio para a concretização da Rodada Doha nos próximos 12 meses, com objetivos ambiciosos – muito positivo!
  • Apoio aos países em desenvolvimento que sofrem com esta crise
  • Reafirmam a importancia dos Objetivos do Milênio, da ONU
  • Compromissos com a segurança energética, mudança climática, segurança alimentar, luta contra o terrorismo, contra a pobreza e contra as endêmias
  • Restaurar a estabilidade e a prosperidade da economia internacional

A partir daí seguem outras 6 páginas de repetições e obviedades, que não merecem destaque.

Acho que os diletos Chefes de Estado foram até onde poderiam ir. Não existe ser humano mais generalista que um Lula, um Gordon Brown, um Sarkozy. O esqueletão ficou bom; colocar orgãos e tecidos é muito, mas muito mais complicado. Há muitos interesses em jogo. Sem falar no “Fator Obama”, que dirá ao que veio a partir de 20 de janeiro de 2009 (*). Oremos.

Abraços,

Fernando

PS: em 20 dia janeiro de 2009 acontecerão dois importantes eventos para a humanidade: eu comemoro o meu aniversário e o segundo em importancia é a posse de Barack Obama.🙂