Amigos – os jornais, o rádio, a TV e a internet vêm falando sobre o G-20 ad nauseum. Ontem, eu mesmo postei duas vezes sobre o tema. Vamos agora ao que interessa de fato:

  1. Não espere qualquer mudança no panorama econômico, brasileiro ou mundial, por conta do G-20 de ontem, ou das reuniões que farão em março (Ministros) e abril (Chefes de Estado).
  2. O G-20, do jeito que está estruturado, é um fórum político que lança grandes idéias para debate.
  3. Sua visão irá virar algo de concreto lá para 2010. E suas decisões serão voltadas para controle do Capitalismo Financeiro e não para acelerar a economia que é o drama do momento.

Escrevo isto por desencargo de consciência. Não quero que ninguém pense coisa errada – ou exagerada – sobre o tema. E eu li em algum lugar que o Presidente Lula teria dito, em tom de comemoração, que o G-20 seria um “clube de amigos”. É, será mais ou menos isso mesmo. Cada uma…

O atual estado da crise no Brasil: a retroalimentação.

  1. Os bancos sabem que não terão linhas de crédito para atender a demanda.
  2. Os bancos sabem que a economia vai desacelerar fortemente por conta disso.
  3. Os bancos cortam ainda mais as linhas daqueles segmentos mais afetados.

Como reverter o quadro sombrio

  1. O governo agir como fez com os setores da construção, varejo e automotivo
  2. O governo escolher dez cadeias produtivas industriais e injetar recursos diretamente
  3. Quando estas “pegarem no tranco”, os bancos irão se animar e os negócios retomarão

As boas reportagens abaixo do Estadão de hoje, – uma assinada pelo Leandro Modé, outra assinada por Daniele Carvalho e Alberto Komatsu – mostram bem o cenário que nos espera. Péssimo.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081116/not_imp278426,0.php

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081116/not_imp278425,0.php

O “ativismo governamental” será fundamental para que a economia não contraia uma profunda anemia. Só que não deverá esperar que o setor em tela entre em coma de iliquidez. Tem que agir antes, antecipar-se para não alimentar rumores e tensões.

O governo precisa entender que o crédito não voltará a ser o que era antes – nem de perto! Passada a crise aguda da falta de funding nos próprios bancos, estes vêm se tornando cada vez mais conservadores por conta da recessão que se apresenta. E não interessa saber e dizer que são os próprios bancos que estão, numa grande extensão, retroalimentando este cenário. Tem que agir.

Abraços,

Fernando