As últimas 24 horas provaram que quando os governantes querem não falta dinheiro! Os “neo ativistas” prometem imprimir dinheiro quando e quanto precisar!

Listemos alguns pacotes de maior destaque, que foram lançados entre ontem e hoje:

I) Plano Paulson II – A missão: USD 800 bilhões, para facilitar o crédito, i.e. USD 600 bi para compra de títulos garantidos pela Fannie Mae e Freddie Mac; USD 200 bi para dar liquidez via operações de “repo” com quem tiver Collateralized Debt Obligations (CDO) com lastro em ativos não hipotecários.

http://www.nytimes.com/2008/11/26/us/politics/26paulson.html?_r=1&hp

II) União Européia: EUR 200 bilhões para ações fiscais, visando estimular as economia da UE.

http://www.nytimes.com/2008/11/27/business/worldbusiness/27global.html?pagewanted=1&_r=1&hp

É dinheiro que não acaba mais.
Mas pegando carona num ótimo artigo do Financial Times (FT), os governantes ativistas tornaram-se “machos” (expressão do jornal !!) na prática de anunciar mega-medidas.
O FT nos diz que tornou-se banal falar-se em “trillions, schmillions” de estímulo fiscal, resgate de bancos, seguro para bancos e devedores quebrados. E isso tudo porque os governos já identificaram que as economias não estão simplesmente entrando numa recessão. O fato assustador é que eles sabem que esta não é uma recessão comum: estamos em “economia de depressão”, como dizem Paul Krugman (Prêmio Nobel, Princeton, etc.) e Brad Setzer (do Foreign Council).

A China já fala em 7,5% de crescimento para 2008. Era 11%, caiu para 10%, 9%…e até onde irá? Na Europa já se fala “2009, o ano perdido”. Nos EUA, a cada resultado estatístico que é divulgado, bate-se um novo recorde (negativo). Nem nos Jogos Olímpicos os recordes caíam com tamanha facilidade.

Alguns temas para reflexão:

  1. Os governos fazem barulhentos discursos quando anunciam seus pacotões, mas não deixam claro que boa parte de tais ajudas já estava prevista! Exemplo: dos USD 590 bi de ajuda chinesa, aparentemente só 25% é de dinheiro novo.
  2. E como aqui comentou o Rodrigo, e a inflação?!?! Imprime-se moeda sem constrangimento, mas isso gera inflação, certo?! OK, cada prioridade em seu momento, mas… o engraçado que não se imprime dinheiro para acabar com a miséria, né?!
  3. E o resultado dessas ações também não está gerando resultados, certo?! Normal. Existe um enorme intervalo de tempo entre o anúncio das medidas e o momento em que elas viram demanda agregada. Mas seria bom que a imprensa tomasse nota das datas dos anúncios e monitorasse as realizações.
  4. Os sistemas econômico e financeiro estão desorganizados como nunca estiveram e os governos vêm apanhando (e aprendendo) muito neste processo. Acho que um grande problema é que não querem agir muito fora da cartilha. Mas a porta já arrombou, moçada…
  5. O mundo lá fora já aprendeu que dar dinheiro para os bancos tem apenas evitado uma quebradeira sistêmica. Até agora não ajudou em nada a atividade econômica. Os governos se mobilizam para investir diretamente na economia real. E neste quesito nosso governo tem sido pra lá de tímido. Temos o PAC, mas ele não demonstra gerar os resultados que todos esperamos.
  6. Seria tão mais fácil se Mantega & Meirelles se entendessem e reduzissem impostos e juros…

Dream on…

É isso aí. Abs, F.