Este assunto deu o que falar nesses últimos dias. Muita gente dizendo que a Petrobras tem uma gestão financeira ruim e outros tantos falando que ela foi favorecida pelos bancos estatais por se estatal também e por aí seguiu a repercussão.

O link abaixo, do blog da Miriam Leitão, dá uma boa visão do caso, ainda que com certa “parcialidade”. Mas não aborda a questão por inteiro. Ainda bem, do contrário eu não teria o que dizer…🙂

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=as_distorcoes_do_caso_caixa-petrobras&cod_Post=143349&a=495

Alguns pontos para reflexão:

  1. Sim, ao tomar R$ 2 bilhões da Caixa (e aparentemente outro tanto do BB também) a Petrobras acabou por contribuir, indiretamente e de forma não intencional, para agravar a oferta de crédito no país.
  2. Não é normal que Caixa e Petrobras façam operações de crédito, pois o banco estatal não foca em grandes empresas e porque nossa rainha do petróleo costuma trabalhar com outro perfil de banco.
  3. Porém, deveria ser óbvio para todo mundo que a Petrobras não tomou crédito na Caixa porque tinha desejos mórbidos de secar a já escassa oferta de crédito do país.
  4. A situação de crédito global está péssima e, creio eu, nem a Petrobras está conseguindo rolar certos empréstimos internacionais (e.g. bilionárias linhas de financiamento de importação de petróleo).
  5. Além disso, a estatal tem mega investimentos em andamento e muitos bilhões de contas a pagar por conta disso, i.e. é perfeitamente razoável que tenha tido um furo de caixa.
  6. Calma, o possível e provável furo de caixa poderia ser facilmente coberto com o dinheiro que a Petrobras tem aplicado. Porém, sabedora do clima negativo do mercado, deve ter preferido tomar crédito dos “bancos aparentados” e preservar sua própria liquidez.
  7. Não pagar seus pequenos e médios fornecedores (sim, não é só gigante que vende para a Petrobras!) seria um mal maior, pois estes não teriam para onde correr.
  8. E também não seria uma boa sinalização para o mercado se ela parasse de importar petróleo, ou “comprar fiado”…

Acho que essa celeuma se deu mais por falta de transparência da companhia do que pelos fatos em si. Não que seja fácil admitir que uma empresa-símbolo como a Petrobras esteja enfrentando os mesmos problemas que o Bar do Gosma, lá da periferia, i.e. falta de crédito.

O governo federal também deve ter pensado mil vezes antes de sinalizar que a “Operadora do Milagre do Pré-sal” está enfrentando problemas de caixa – ainda que temporariamente. Mas é que falou-se tanto que o Brasil estaria blindado contra a “marolinha” graças ao petroleo do pré-sal que agora fica complicado explicar que precisaríamos de recursos financeiros para a realização de tal feito. E os tais recursos financeiros estão em falta no planeta…

É isso, meus caros, Risco de Refinanciamento pega qualquer um! E pega com requintes de crueldade empresas que têm ativos mais longos do que seus passivos e, em especial, as que estão com grande volume de investimentos em andamento (e que não querem paralisá-los) e contas a pagar queimando no caixa.

Sinceramente, não me preocupei em saber se os tais empréstimos foram feitos de forma mais ou menos transparente. Pior se tentaram fazer de forma enrustida. Mas o fato é que o governo – qualquer um – tem como missão ser “emprestador de última instância” e seus bancos oficiais têm esse papel e, aparentemente, desta forma agiram.

O resto é balela, lamento dizer. Ou alguém gostaria de ver faltar gasolina no posto?

Abraços,

Fernando

PS: transparência é tudo, minha gente, com ou sem crise! Sempre.