Caros, pensem comigo:

1. E esse tal de Mr. Madoff…que sujeito odioso! Não bastava ser rico, mas bem rico mesmo, por que o infeliz tinha que aprontar esse golpe na praça? Vamos por partes: (a) ele não começou essa ‘pirâmide’ mês passado, mas também não a começou 10 anos atrás! (b) estou certo que algum dia – ano passado, 6 meses atrás? – o(s) seu(s) fundo(s) levou(aram) algum mega-tombo e, tecnicamente, quebrou(aram). Aí, numa mistura de pretensão e vaidade, Madoff e seu bando acharam que conseguiriam reverter as perdas com operações de alto risco. Como o plano não funcionou, partiram para a ‘pirâmide’, talvez esperando alguma salvação do FED – que não veio e não virá…

Os bancos perderam dinheiro com ele? Não e sim. O ‘não’ é porque a maioria desse dinheiro vinha dos fundos administrados pelos bancos e não do seu capital do próprio. No entanto, os clientes dos Private Banks irão pra cima dos bancos por conta da má gestão, etc. O ‘sim’ é porque muitos bancos irão ressarcir seus clientes dessas perdas, ainda que parcialmente.

O mercado definitivamente não precisava de mais essa…

2. O governo/BC lança mais um pacote de ajuda para os bancos pequenos e médios. Ajudará no curto-prazo, mas e no médio/longo? Esta é a segunda crise seguida (a primeira foi a quebra do Banco Santos)  em que esses bancos sofrem irremediável crise de liquidez. Dará para reverter? Não creio que haverá mercado interbancário para eles (até porque os bancões ‘decidiram’ que não querem mais a competição deles) e acho que não haverá grandes volumes de depósitos vindo de fundos (tipo fundações de estatais). E, como os mercados de capitais internacionais não têm prazo para abrir – e quando abrirem serão avessos ao risco -, esses bancos viverão de ajuda governamental para continuarem operando, e mesmo assim em escala restrita.

O governo não tem interesse em vê-los desaparecer, pois são bons distribuidores de produtos para P.F. e pequena P.J. Eu até simpatizo com alguns desses bancos e tenho bons (e competentes) amigos nesse nicho de mercado, mas não invisto em CDB deles.

3. E as montadoras americanas, hein?! Lá, como aqui, é a mesma coisa: a empresa está desenganada, respirando por aparelhos…mas acionistas e/ou sindicalistas impõem mil regras para a salvação do governo. Eu já vivi isto aqui no Brasil quando enfrentei crises de crédito. Os funcionários de GM, Ford e Chrysler não querem perder benefícios. Eu até entendo o ódio deles, mas se não chegarem a um acordo, perderão o emprego e os benefícios.

Pior, todo mundo sabe que elas, individualmente, não são viáveis. A solução dessa crise seria: (a) fundir as três empresas, criando uma mega empresa americana – a American Automobile Inc., (b) redução brutal de custos, incluindo a demissão de executivos e muitos operários, (c) calote parcial (o nome de mercado é chic: hair-cut) em todos os credores. Em suma, é quase sair do zero.

No Brasil? Seria uma reedição da famosa e antiga Autolatina, quando VW e Ford se uniram no país. O motivo foi mercadológico e não grana. Quando se separaram, a VW saiu com produtos e a Ford com dinheiro. A Ford levou uns 15 anos para se reerguer, provando que dinheiro não era tudo – hoje é…

4. ATENÇÃO: GOVERNO NÃO LIBERA R$ 88 BI PARA OS BANCOS!!! Os bancos poderão emprestar mais R$ 88 bi por conta de um artifício contábil, aprovado ontem, que aumenta o capital do sistema e, portanto, seu poder de alavancagem.

As maiúsculas são para lembrar a todos que, neste caso, o governo não está fazendo bondade com o dinheiro do contribuinte.

5. A TJLP continuará em 6,25% a.a., conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (o CMN). Ora, os Ministros Mantega e Paulo Bernardo, membros do CMN que tanto criticam as taxas de juros e as decisões do BC, bem que poderiam ter baixado essa taxa que é o principal componente dos juros pagos nas operações com o BNDES. Falar é tão mais fácil que fazer…

Abraços, F.