Olá amigos!

Eu tenho a impressão que somos mal informados quase o tempo todo. Explico:

  • As notícias diárias são frias e sem contexto histórico (exemplo: por não confrontar a visão de um mesmo entrevistado pouco tempo atrás, quando este defendia visão oposta).
  • As análises de especialistas ficam em cima do muro, pois ninguém quer confrontar ninguém – sem falar na ‘síndrome do pensamento único’ vigente no país.
  • Os editoriais são politizados.

Sinto falta do jornalista que deixa o entrevistado sem graça, que o confronta (com educação) sobre suas posições antigas, etc.

Enfim, é por essas e por outras que, vez por outra, eu “Interpreto a Notícia”.

Espero que gostem. Abraços,

Fernando

1. Até banqueiro quer que juros caiam

A matéria abaixo, do Estadão desta 5af traz “aspas” do Sr. Marcio Cypriano, em que ele teria dito que acha que os juros deveriam cair. Bom, não sei se ele disse isso ou o que quis dizer, mas eu explico como isto funcionará.

  • Enquanto os juros não caem, o governo e os bancos ficam na mira da sociedade, que os criticam com gosto.
  • Para os bancos, quando a SELIC está alta eles ganham, principalmente, em cima de quem deixa dinheiro na conta-corrente sem aplicá-lo.
  • Mas quando a SELIC cai os bancos não reduzem – imediatamente e para todo mundo – os juros lá na ponta (aquele que empresas e pessoas pagam). Isto está provado e comprovado.
  • Em suma, o SELIC cai mas o spread sobe para o cliente, i.e. o banco ganha mais.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090108/not_imp304070,0.php

2. Vendas e produção de automóveis em 2008

O Estadão on-line desta 4af traz várias notícias sobre o balanço do ano automotivo, conforme divulgado pela associação das montadoras (ANFAVEA).

O que é melhor?

  • As vendas de 2009 cresceram em relação ao 2008, o país bateu recorde de produção e subirá no ranking mundial do setor? ou
  • As vendas deste último trimestre despencaram em relação ao trimestre anterior e também se comparado ao mesmo período do ano anterior?

A segunda, sem dúvida. Mas, conforme antecipamos aqui, a tragédia absoluta constatada em novembro não deverá ser o padrão. A economia travou de repente e pegou o mercado estocado e sem crédito para giro. Agora, aos poucos, a vida retorna ao normal…de 2005 ou 2006.

http://www.estadao.com.br/geral/not_ger304260,0.htm

3.  FIESP e Força Sindical vão discutir o emprego

Estas duas entidades políticas vão discutir o óbvio e dificilmente se entenderão:

  • Ambas gostam e terão holofotes, mas defendem posições tão antagônicas que não se entenderão (ao menos no momento).
  • O empresariado, com razão, pede flexibilização da legislação trabalhista. Sindicato algum irá concordar, pois até Lula já deixou claro que não quer se envolver nisso.
  • Já pensou, o primeiro presidente operário ser justamente aquele que liberará as conquistas de Getúlio e da Constituição de 88? Impossível!

O capitalismo vive os seus piores momentos, por diversos motivos. E um deles é a questão do emprego, motivado, entre outras boas razões, pelo fato do “mercado”, “analistas”, “acionistas”, “mídia”, etc., exigirem que as empresas reajam às crises e a redução da demanda, cortando custos ‘na carne’ para ganharem sempre, lucrarem sempre mais.

Antigamente, um ano ruim não era motivo para desespero, para demissões em massa, etc. Se houvesse a crença de que as coisas retomariam seu curso, os lucros acumulados nos períodos anteriores seriam mais do que suficientes para manter empregos e projetos.

Ok, esta crise não é normal e não acabará tão cedo, então não estou advogando que se deixe tudo como está e pronto. Todos terão de reduzir custos (e cortar funcionários ou horas de produção estão aí incluídos).

Concluo dizendo: se por um lado flexibilizar para preservar empregos será inevitável, as empresas – que tanto ganharam nos últimos anos de bonança – também deveriam usar parte desta ‘gordura’ acumulada e cortar o menor número de pessoas possível.

http://www.estadao.com.br/economia/not_eco304336,0.htm

E o Sr. Fernando Blanco, CEO da Coface? Será que ele pratica o que prega? Sim, para desapontamento dos cínicos. Meu orçamento para 2009, definido pela matriz, me pede que cresça apenas 4%. Este número poderia ser atingido com menos 10% da equipe. Cresceremos o número de colegas, porque entendemos que é necessário prestar melhores serviços para nossos clientes, para compensar a redução dos valores segurados. Poderíamos lucrar mais, mas acho que esta tática seria boa para 2009, mas seria uma má estratégia para 2010, 2011 e além.

Notem que eu não quero ensinar ninguém a gerir o seu negócio, até porque cada mercado tem a sua dinâmica e isto requer táticas e estratégias diferentes. A regra universal aqui é seguinte: preserve os seus clientes, porque eles não se esquecerão dos bons ou maus tratos recebidos nestes tempos difíceis.

Forte abraço da tórrida Bahia!

Fernando