Bom dia. Uma das principais molas propulsoras do crescimento mundial nos últimos anos foi o comercio internacional – seguindo a ideologia do “livre comercio”. A lógica econômica da coisa é mais ou menos assim:

  1. Se cada país se especializar na produção de bens e serviços em que tem capacidade e capacitação exepcionais, será mais competitivo e poderá produzir em excesso às suas necessidades domésticas e exportar os excedentes a preços competitivos.
  2. Os países que não tem similar competitividade passariam então a comprar daquele outro país, deixando de produzir tal bem ou serviço que não é competitivo.
  3. Desta forma, teoricamente falando, haveria uma maximização da alocação dos recursos econômicos na economia mundial, dado que tudo seria produzido por quem faz bem feito e barato.

Reparem então como ficou a ‘fotografia’ do comercio internacional:

  • China: tornou-se a indústria manufatureira do mundo. Tem como vantagens competitivas o baixíssimo custo da mão-de-obra (graças às condições de trabalho sub-tayloristas), o desprezo por práticas sustentáveis que encarecem os produtos industriais (a natureza é que paga a conta…), uma taxa de câmbial desvalorizada artificialmente, e por aí segue. É só por isso que você vai a Miami e compra um container de produtos Made in China (e não Made in USA).
  • Brasil: seríamos com justiça eleitos a Cozinha do Mundo, pois o volume de commodities agrícolas que são exportadas pelo Brasil ajudam a alimentar muita gente, a baixo custo, neste planeta faminto. 
  • EUA: são os maiores provedores de soluções financeiras (para o bem e para o mal) e de tecnologia (apesar do Vale do Silício não ser apenas o Steve Jobs e sua Apple, eles representam bem o que eu quero dizer).

No entanto, como diz o ditado, a teoria na prática é outra e o Livre Comercio pode gerar vários tipos de problemas. Exemplo de  um país que é especializado apenas em produzir e exportar matéria-prima:

  • Mais cedo ou mais tarde sua balança de pagamentos enfrentará problemas, pois o país (a) exporta commodities por USD 100/tonelada e importa produtos manufaturados a USD 1.000/tonelada. Isto não é sustentável.
  • Atividades industriais, tecnológicas e de serviços, geram maior valor agregado do que atividades primárias, i.e. o abismo de renda entre os países só aumentará.

OMC – a Organização Mundial do Comércio é dominada pelos países ricos (historicamente importadores de commodities e exportadores de manufaturados). E como ninguém fica rico sendo bonzinho e fraterno, após raparem riqueza nos idos tempos coloniais, os países ricos também são protecionistas. Querem liberalidade na feira-livre dos pobres! Dureza…

Apesar da famosa Rodada Doha não ter sido concluída a contento, muitos acreditaram que esta crise econômica faria com que os países do G-20 se unissem para viabilizá-la agora. Eu nunca acreditei nisso.

Desde que o mundo é mundo e políticos são políticos, salvar empregos é uma prioridade em qualquer país. E esta semi-depressão que vivemos já mostra claramente que esta lei universal continua válida!

Repito frase já escrita neste blog: entre o emprego de um certo John Smith, que vive em Ohio e o de um Mai Jer Lin, lá de Beijing, Barack Obama ficará com John Smith. E dá para pensar diferente?…

Hoje na Bandnews, o correspondente internacional da rádio, Milton Blay, reportou as diversas falas de líderes europeus nos últimos dias. Sem qualquer pudor, todos os grandes falam em proteger o emprego dos seus compatriotas. A mais emblemática foi a que deu origem ao título deste post: a britânica Consumo Patriótico. Ou: “Compre produtos fabricados no seu país…e que a indústria do nosso país só contrate mão-de-obra nacional”.

E eu com isso? – exportador brasileiro, abra o olho!! O seu tão desejado  mercado externo pode fechar, de vez ou um pouco, mas o norte está dado: PROTECIONISMO!

O nosso país, que sempre esteve na ponta perdedora do comercio internacional, encantou-se com um liberalismo que nunca nos fez muito bem. O maior exemplo de tiro n’água foi o Brasil ter chancelado a China como “economia de mercado”. Fizemos um mega favor para o ‘gigante do Oriente’ lá na WTO (Organização Mundial do Comercio), e os espertalhões de Beijing nos deram uma banana, não nos dando qualquer vantagem tarifária, etc.

Concluo com a seguinte visão de futuro: a crise está e continuará decepando empregos no MUNDO TODO a tal rítmo, que já entramos – pra valer – numa nova era do capitalismo industrial e de serviços: a “Era do Cada Um Com Seus Problemas”. 

Abraços, FB

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