Prezados,

Na noite desta 5af, o canal 40 da TV a cabo foi inundado por dois FB’s, Fernando Blanco (eu) e Fabio Barbosa (Presidente dos bancos Santander e Real, além da Febraban). Eu fui entrevistado no programa Conta Corrente e o Fabio o foi num Globonews Painel, com a Miriam Leitão no comando.

Foi uma overdose de crédito, juros e crise econômica. Só faltou terem recomendado que pessoas com propensão à depressão se medicassem (com Prozac, Eufor, Efexor, Cymbalta, etc.) antes do “show” ou que saissem da sala.

20:30 – Conta Corrente, com F.Blanco: Discussão geral sobre as condições de mercado, crédito, exportações, etc. Ressalto o que lá disse:

  1. Ninguém sabe, nem tem como estimar, como esta crise irá se desenvolver ou terminar. Esta é uma crise genuinamente de crédito e ninguém sabe como lidar com ela.
  2. Existe mais torcida do que propriamente técnica, quando dizem “no segundo semestre a coisa vai melhorar”.
  3. Os maiores bancos do mundo estão em crise e sem condição de retomar os financiamentos.
  4. Desta forma, as principais economias do mundo não conseguem se reerguer.
  5. Investidores – em ações ou empresas – perderam muito dinheiro e sem financiamento – antes abundante – também não conseguirão estimular as economias (em especial as emergentes).
  6. Grandes empresas também sofreram forte baque e adiaram investimentos produtivos.
  7. O cidadão americano está endividado em excesso, sem credito e com a confiança em baixa (europeus e japoneses idem, salvo o fato que seu endividamento é mais baixo).
  8. O Brasil só ter sua situação melhorada quando as seguintes situações acontecerem: (a) houver uma retomada do crédito bancário, (b) a economia mundial se aquecer (melhorando comércio exterior e fluxo de investimentos para o mundo emergente). Quando? Jogue um tarot, ou buzios, para descobrir e depois me conte.
  9. Vivemos de esquizofrênia credíticia no país, pois o mesmo conservadorismo dos bancos, que nos fez sofrer menos nesta crise e que nos fará acelerar mais rapidamente ao final da mesma, agora atrapalha o quadro econômico, pois os bancos conservadores não emprestam como se esperaria. Moral da história: é melhor não emprestar e ter o sistema financeiro sólido, ou emprestar errado e depois ver-se deteriorado na hora da ‘re-largada”?

21:30 – Espaço Aberto, com Fabio Barbosa: Se no meu programa a coisa correu solta, sem embate, neste programa a Miriam Leitão tinha uma missão: arrancar do Presidente da Febraban “uma confissão de que os spreads são altos mesmos”. Ela tentou pra valer, foi por vezes indelicada, não deixava ele concluir o raciocínio, usou e abusou de vídeos que batiam nos bancos, jogou o peso de décadas (umas duas e meia apenas) de militância no jornalismo econômico e…

  1. Não arrancou a tão desejada confissão. Mas tentou com galhardia. Poucos jornalistas teriam sido tão incisivos como ela foi – sem medo algum de ‘perder a fonte’.
  2. É impossível brigar com o Fabio, porque ele não briga. É educado demais! Eu o apelidei de Dalai Lama do mercado financeiro um dia – acho que falei isso pra ele um dia.
  3. O Fábio nos antecipou algo muito positivo: a Febraban passará a informar os juros cobrados por cada instituição financeira.
  4. Adorei quando ele comparou a dinâmica de “compra” de dinheiro (i.e. empréstimo) com a compra de uma geladeira. Em minhas exageradas palavras, eu quis dizer o seguinte: quando o Warren Buffet e o engraxate dele vão tomar um café ali na esquina, os dois pagam o mesmo preço pelo café. Mas se os dois forem até uma agência do Bank of America pedir um empréstimo de USD 1.000, por 180 dias, Mr. Buffet pagará juros bem mais baixos do que o engraxate. Dinheiro é uma das únicas “mercadorias” em que o preço muda dependendo do comprador e que o vendedor (i.e. o banco) até se recusa a vender. Outro negócio que tem esta mesma natureza é o seguro. É porque crédito e seguro têm risco embutido na essência da transação e o risco muda de cliente para cliente – simples.
  5. Ela não perguntou e ele não abordou: (a) funcionamento do comitê de crédito do banco; este sim é o fórum que dá a direção para onde o banco seguirá no crédito, (b) por que tem empresa que paga até 3 vezes mais spreads do que outra, do mesmo porte e setor? (c) o que o cliente do banco pode fazer para pagar menos juros…belas oportunidades perdidas!

Espero que os videos funcionem – estou com dificuldade para assistir o do Espaço Aberto – porque foram bem legais.

Por favor, critiquem, comentem, etc. Abraços, F.