Boa noite/bom dia,

O amigo do blog Augusto, enviou um comentário nesta 2af em que pedia a minha opinião sobre um texto do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. Antes de entrar direto no tema, divago:

  1. Fico feliz com o fato do Augusto fazer uma pergunta assim, direto, na lata. Isto me dá oportunidade de endereçar um assunto de interesse do amigo do blog. Blog não é FAQ, mas eu os encorajo a perguntar.
  2. O L.C.Mendonça de Barros é irmão do também (competente) economista José Roberto Mendonça de Barros. No entanto, o Zé Roberto é bem diferente do irmão: é simpático, humilde e dedicou-se para a consultoria econômica – foi consultor do banco ING, em que trabalhei nos anos 90. Já o Luiz Carlos sempre foi operador, tem sido sócio de banco, corretora, etc.
  3. Em 1989/90 – sim, no tempo em que os bichos falavam – eu era analista de riscos de um pequeno banco de atacado chamado Planibanc. Nunca ouviu falar dele? Mas alguns dos sócios do banco você deve conhecer, pois mega grupos como Votorantim, Pão de Açucar, Bardella e Brasmotor eram sócios, junto com 4 financistas do mais alto calibre naquela época, mais o Bankers Trust, um banco americano muito chic do Período Cretáceo do Capitalismo Financeiro. Um dos 4 sócios financistas era o Luiz Carlos Mendonça de Barros, que já havia sido Diretor do Banco Central. Ele era o nosso “papa” da economia, um semi-Deus. Sabia muito….e tinha certeza que sabia tudo (e mais um pouco). Eu calculava diariamente as posições de risco que o banco corria e levava, numa folha de papel, o relatório que ele e os demais VP’s assinavam. Era engraçado trocar umas poucas palavras com ele todo dia, pois havia um abismo entre nós, ele no Olímpo e eu entre as amebas. No dia em que a famosa operação D+0, do famoso investidor Naji Nahas, foi desmontada, gerando perdas de dezenas de milhões de…qual era mesmo a moeda da época?…o nosso banco só não quebrou por um milagre operado pelo nosso sócio americano, o Bankers Trust. E eu nunca vou me esquecer da cara de pânico do Luiz Carlos e de todos os outros membros do Comitê Executivo, naquele dia que marcou uma geração (pelos motivos errados)…

Perdõe-me a divagação…mas quando a gente vai ficando velho começa a querer contar história para os mais novos…

O texto que o Augusto pede comentário é este aqui. Pois é, a resposta é simples: eu concordo bastante com o LCMB. Só que eu acho que ele sugere a criação de um “Good Bank”, e eu acho que deveriam ser criados vários, digamos, um por macro-região econômica dos EUA (e.g. NY, Meio-oeste, Califórnia, etc.). Já o “Bad Bank” (ou “Bad Fund”, etc.), não tem saída: terá de ser criado e se tiver investidor-abutre (ou hiena) com interesse por dejetos, que seja bem-vindo.

Este link, do próprio Blog do Crédito, detalha a minha visão, que é similar àquela do Luiz Carlos.

Obrigado pela contribuição + abraços, F.

PS: o LCMB, num outro artigo, pareceu-me otimista demais quanto à saída do nosso país da crise…