Duas estrelas, ainda que de constelações e em momentos de vida diferentes, estiveram na mídia desta 3af.

1. F.Barbosa

Aqui no Brasil, o Estadão traz ótima entrevista, do D.Friedlander e do L.Modé, com o Fabio Barbosa (Presidente da Febraban e do Santander) – pena que o Estadão tenha metido um cadeado na versão eletrônica. Com sua desconcertante educação e franqueza, o Fabio está saindo-se cada vez melhor na hercúlea tarefa de humanizar o satanizado mercado financeiro brasileiro.

Reproduzo (i.e. digito) o destaque da versão imprensa:

“A sociedade não quer aceitar, mas o crédito não vai voltar a ser como antes. O que se faz? Busca-se um culpado. Não vai voltar, não adianta. Foi o excesso de crédito que criou o problema de crédito que temos hoje. Não tem dinheiro para todo mundo. O crédito está voltando, mas não como antes. Cobrem do Bush, do Obama, mas não de mim. As empresas que antes pegavam dinheiro no mercado internacional agora estão pegando aqui dentro. Não tem dinheiro para todo mundo. Agora, se a minha carteira de empréstimos está crescendo, como é que alguém pode dizer que o banco não está emprestando? É lógico que estamos emprestando.

 2. Alan Greenspan

Já o Financial Times traz o outrora eudeusado – e agora achincalhado – Alan Greenspan. Ele (eu e em breve até a Torcida Jovem do Santos) concorda com a NACIONALIZAÇÃO dos bancos americanos. O diferente da análise de Greenspan é que ele sugere que os senior bondholders (alguém que comprou um título/ação preferêncial) sejam preservados, sob pena desta modalidade de investimento ficar desacreditada no mercado, dificultando futuras captações dos bancos.

3. A Visão do Blogueiro

O Fabio tem toda razão no que diz. No entanto, a bronca é outra e como não foi perguntada (ou publicada), ele não respondeu, ao menos diretamente. Ele deixa claro – e eu concordo – que falta funding para o estoque de credito que havia antes do Big Break (“A Grande Freada”), mais a demanda adicional que ele cita, i.e. tomadores, como Petrobras, que passaram a disputar os centavos disponíveis comigo e com você, amigo do blog.

Então, os bancos, com mais jeito ou truculência, acabam reduzindo ou cortando as linhas de quem eles acham que:

  1. Representa risco demais para o seu capital – culpa da crise.
  2.  Não é um cliente tão relevante assim – culpa da limitação de funding.

Lembram do filme A Escolha de Sofia? É só isso, os bancos estão fazendo “escolhas de Sofia” diariamente.

O corte de linhas é forte, me dizem empresários e amigos dos próprios bancos. E se o volume de crédito cresce é porque estão emprestando mais para as grandes empresas (que tomavam dinheiro lá fora) do que estão cortando dos pequenos e médios, de mim e de você. Portanto, no consolidado o crédito cresce, mas na pulverização ele piora. Aliás, o Henrique Meirelles usou este mesmo argumento para dar a entender que o “crédito está se normalizando”. Não está. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Acho que o H.Meirelles podia ter ficado sem essa, pois não ajudou em nada a biografia dele…

E o que acontece quando a oferta de crédito (ou de tomate, pasta de dente ou minério de ferro) é menor do que a demanda? O preço sobe, não é?! Pois é, spread é o nome do preço do dinheiro. É só por isso que o spread bancário andou subindo, apesar da SELIC ter caído.

Esta é um fotografia fidedigna do quadro atual. Soluções possíveis ficam para um próximo post, mas não há nada muito heterodoxo para se inventar, lamentavelmente…

Saudações, FB

PS: este post acabou solapando o recém publicado L.C.Mendonça de Barros, Bad Bank, Good Bank . Vale a pena conferir, pois foi baseado numa dúvida de um amigo do blog.