O amigo do blog Camilo Telles, do ótimo blog Tellesfera, nos envia um fórum do ex-super banco de investimento – e agora banco comercial, pelo que me consta – Morgan Stanley. Neste link você encontra uma análise que demonstra que a queda brutal da produção industrial brasileira em dezembro é um Black Swan (“cisne negro”), teoria que saiu do anonimato e ficou mundialmente conhecida graças ao escritor (ex-trader de opções) Nicholas Taleb

A dupla Taleb-Black Swan era virtualmente desconhecida no Brasil quando chegou neste blog, graças à grande contribuição do Camilo para o blog.

 A crise e o Black Swan – na verdade, a crise toda é um Black Swan. E é por isso que todo mundo comprou o livro do Taleb. As crises que conhecemos – também chamadas de “bolhas” – acontecem a partir da seguinte dinâmica:

1. Pressupostos:

  • TI abundante e barato viabiliza crescente complexidade de modelos financeiros.
  • Velocidade e abundância da informação nivela o conhecimento de todos os agentes econômicos.
  • Excesso de liquidez – bancos e fundos dispostos a emprestar/investir.
  • Sociedade materialista e imediatista (geração vídeo-game, video-clip).
  • Assimetria entre a velocidade de ganho de confiança: de compra vs. de venda.

2. Consequências:

  • Redução da assimetria de informação, i.e. todo mundo sabe de tudo ao mesmo tempo.
  • A tomada de decisão (comprar, comprar mais, vender, vender tudo) se acelera.
  • Interligação de mercados e instrumentos financeiros (títulos, empréstimos, derivativos, câmbio, etc.).
  • Necessidade de remunerar o excesso de capital disponível (liquidez), rapidamente.
  • Compra-se mais lentamente, vende-se mais rapidamente.

Portanto, é por isso que cada vez mais, certos ativos (“o ativo da hora”) se valorizam brutalmente – e num período de tempo relativamente curto. O problema é que, sempre, a montagem das posições se dá mais lentamente do que a desmontagem destas.

A montagem (e.g. “vou comprar Petrobras e vender Ibovespa porque estou certo que há um spread bom aí“) demanda confiança, estudos, etc. A venda não! Só depende de você observar que o mercado está derretendo contra sua posição e, aí sim, acreditar (confiar) que o processo não terá volta. No momento que você – e outros milhares – pensarem assim, a derrocada começa…e não pára tão cedo.

Black Swan “estrutural” – eu acredito que nossa sociedade viverá eternamente em black swans se nossa mentalidade não mudar (radicalmente). Se as perdas e ganhos “fora da curva” deveriam acontecer apenas eventualmente – i.e. com baixa probabilidade de ocorrência -, agora a tendência é que ocorram sempre, bastando chegar o momento da turba vendedora iniciar a desmontagem de posições.

O mundo econômico-financeiro tornou-se um ambiente perigoso. Até esta crise bater firme nos EUA, Europa e Japão, achava-se que “bolhas” eram um problema “daqueles países complicados do sul do planeta”. Desta vez, a origem e a metástase do problema foi privilégio dos países centrais do capitalismo.

E à esta altura do campeonato, a elite econômica do mundo aprendeu que o desbalanceamento do sistema financeiro irradia maleficios para a economia real e para os governos também – afinal, eles é que tem de partir para o resgate. Nós brasileiros já sabemos disso há décadas…

É isso. Bom carnaval! Abs, Fernando