Aviso rápido para leitores notívagos e madrugadores: acabo de ler no blog da Miriam Leitão, que ela gravou um programa com dois economistas, em que estes comparam as crises bancárias de 1929 e esta atual.

No blog, ela dá as seguintes pistas sobre suas falas – abaixo, o copy-paste do post dela:

  • Marcelo de Paiva Abreu: avalia que a crise bancária pode ser maior agora do que na grande depressão de 1929, mas que o desemprego não chegará aos níveis alarmantes daquele tempo porque os mecanismos de intervenção são maiores.
  • Gustavo Loyola: o ex-BC, que enfrentou a crise bancária brasileira dos anos 90, disse que o que mais o preocupa é a demora de agir do governo americano que pode aprofundar a crise.

O programa é da Globonews e foi ao ar agora pouco (21:30), mas será repetido nesta 6af, âs 8:30.

Atenção: eu não assisti o programa desta noite, mas tentarei assistí-lo pela manhã. Porém, meu ego-competitivo antecipa algumas visões:

  1. Concordo – em termos – com Marcelo Paiva, pois tudo depende da definição para crise bancária. A de 1929 foi maior em termos de quebras de bancos, pois naquela época quebraram milhares. Eu já comentei aqui, que o Ben Bernanke daqueles dias perdeu o juízo e dizia “Que quebrem“. Porém, Paiva tem razão porque   os mecânismos de metástase do sistema são, hoje, muito piores do que jamais foram. Hoje temos derivativos e securitização; temos fundos de alto risco (“hedge funds’); está tudo globalizado, etc.
  2. Concordo com o que diz Loyola, mas principalmente pelo fato dos americanos estarem em “denial”. Tem que estatizar e pronto. Quanto mais atrasarem a operar um resgate direto e profundo, mais fragilizado o sistema permanecerá e mais tempo demorará a retomada da economia real.
  3. Mas, observação minha: o câncer já está em metástase e está sendo tratado com quimio/radioterapias (i.e. pacotes de estímulos). No entanto, o paciente está recebendo doses maciças de morfina (i.e. linhas do FED e outros bancos centrais), para minimizar as dores do paciente. Isto não ocorreu no passado. Desta vez, quando o tumor for extirpado, o paciente estará fragilizado por tanta química e sofrerá de uma profunda anêmia monetária (déficit público e dívida pública), i.e.1 moeda enfraquecida, i.e.2 inflação americana e européia.
  4. Outro problema que me parece ser diferente agora, é que os bancos saudáveis não querem emprestar para ninguém, pois temem ficar tão ruins quanto os seus concorrentes enfraquecidos, assim como também tem capital regulatório restrito. Ou seja, o processo recessivo/depressivo se auto-alimenta.

É isso. Vamos assistir e comentar o programa da Miriam Leitão, na Globonews!

Abs, F.