Hoje cedo, quando eu vinha de levar as crianças na escola, ouvi o Ricardo Boechat, âncora do programa jornalístico matinal da Bandnews FM, dizer o seguinte:

Esse negócio de juros é assim: outro dia eu fiz um leasing de um carro e a taxa de juros que queriam me cobrar era de 1,9% a.m., mas eu falei com vários bancos, dei um tremendo calor num deles e acabei fechando por 1,3% a.m. Tá certo, deu um trabalhão, fiquei uns dois meses negociando, mas a taxa caiu.”

O Boechat fez o que:

  1. O BC deveria fazer, i.e. ensinar a população a se defender das altas taxas, ao invés de dizer “que está tudo normal” quando não está.
  2. O Ministério da Fazenda poderia fazer, ao invés do Ministro reclamar diariamente dos bancos e dos juros altos, quando isto não resolve a vida de ninguém.

O Boechat deveria ser canonizado por esta frase, que deveria ser repetida em horário nobre de rádio e TV.

Eu venho dizendo isto ‘ad nauseum’ por anos! O feirante abaixa o preço do tomate ou da laranja enquanto a demanda está aquecida, às 9 horas da manhã? Mas ele abaixa quando a demanda enfraquece às 13 horas.

Com o dinheiro (a mercadoria) e o gerente de banco (o feirante de grana) é a mesma coisa: quer moleza vai pagar caro. O Boechat ralou e comprou o carro dele (e com o que economizou de juros pôde pagar pelo DVD e GPS no carango novo dele).

Este é o post da semana. Abraços, F.