Caros,

Muito se discute sobre os bancos americanos, talvez pelo fato do lendário Citibank ter experimentado o colapso e ser hoje, de fato, um banco nacionalizado. Outro bastião da banca americana, o Bank of America, da Califórnia, também tombou, graças a irresponsável aquisição do quase falido Merril Lynch.

Sucede que do outro lado do Atlântico Norte os bancos do Reino Unido também capricharam, emprestando para todo e qualquer cidadão que desejasse comprar uma casa nova – e olha que o mercado britânico é inflacionado estruturalmente, pois lá falta espaço! -, incluindo aqui até cidadãos da agora falida Islândia. E valia investir em ativos tóxicos americanos também.

Neste artigo, a fera do jornalismo econômico das terras da Rainha Elizabeth II, Martin Wolf, do Financial Times, aborda o risco do governo assumir bancos “em dificuldades”, como os gigantes Lloyds e RBS – e falam que o meu ex-banco Barclays estaria na fila. Do grandões, aparentemente, só o HSBC teria escapado com poucos arranhões.

E nós com isso – estes bancos liberavam gigantescas linhas de crédito para nossas empresas e governo. Não mais. E vai demorar uma eternidade para voltarem a fazê-lo…sem falar que, enquanto  continuarem emprestando pouco por lá, mais tempo irá demorar para que UK saia da recessão que se encontra, o que retardará ainda mais a retomada da economia mundial…

Já no Brasil, onde os bancos experimentam invejavel solidez, o efeito prático para empresas e famílias é quase tão ruim quanto se os mesmo estivessem quebrados: os bancos estão sem apetite para correr risco de crédito. Falta confiança na solidez dos credores, graças aos seguintes fatos:

  1. Os próprios bancos emprestaram demais, para gente que não deveria ter se endividado tanto.
  2. A economia está ruim mesmo e irá gerar dificuldades para empresas e famílias pagarem suas dívidas.

Próximos passos depois da semana de péssima notícias (preferi até não comentar a situação da indústria…), acho que esta que entra será sem graça: nem boa, nem ruim. Talvez seja melhor assim. Desta forma, talvez nos concentremos em trabalhar e, quem sabe, esquecer da crise…

Abraços e boa semana!

Fernando

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