E eu que pensava que dominava o nosso tão lindo – e complexo – idioma.

Ontem eu fui convidado a co-liderar um fórum na Câmara de Comércio França-Brasil, junto com o amigo Gilberto Guimarães, Presidente da empresa de consultoria francesa BPI. Nos próximos dias eu escreverei sobre o tema do fórum e o trabalho do Gilberto – aliás, os trabalhos…pois o homem é multi-tarefa e multi-mídia.

<< Abrindo um parênteses, onte soube melhor do altíssimo nível de atividade do nosso comentarista-mór Álvaro Stefani: além de bem-sucedido industrial, é (atuante) diretor da CIESP, membro da Academia Paulista de História, Conselheiro da Rede Vida de TV, entre outras entidades em que participa. Sinto-me um inútil ao comparar-me com estes diletos e ativos amigos (que são um ‘tantinho’ mais velhos do que eu, por acaso). >>

Mas voltando ao tema, lá na CCFB fiquei surpreso com a confusão “idiomática” que ainda me vejo envolvido quando debato esta crise: OTIMISMO, PESSIMISMO, REALISMO…falemos então em fatos e tendências (baseadas em fatos e história).

Enquanto escrevo, vejo propaganda no canal Globo News em que fazem um “clip” sobre a palavra crise: Stephen Kanitz, notório pensador das coisas da economia e da sociedade, fala que não estamos mais em crise: “temos problemas e isto é diferente”. Em seguida, entra a fala de Jorge Vidor, comentarista econômico da emissora, e diz que é óbvio que estamos em crise.

E eu leio em algum dos muitos jornais que estou zerando agora, que a Ministra Dilma Rouseff declarou que o Brasil não pode ser uma exceção mundial, pois “em todos os lugares os spreads bancários estão caindo”. Até aqui estamos enfrentando confusões linguístico-conceituais: os juros básicos vêm caindo há vários trimestres no mundo todo, mas os juros na ponta não vem caindo em lugar nenhum – ou pelo menos não na mesma proporção! Isto ocorre porque lá fora como aqui dentro os bancos reduziram a oferta de crédito, i.e. cai o juro básico, mantém-se o juro na ponta, aumenta o spread bancário, mas provavelmente o lucro líquido fica na mesma – ou aumenta pouco -, pois a alta inadimplência é fenômeno planetário.

Que dureza, gente!

Saudemos os fatos e que estes nos permitam basear nossas previsões. Abaixo o OTIMISMO, PESSIMISMO, etc.!

Abs, F.