Amigos – desde domingo está rolando o meu maior ‘barraco’ institucional nos EUA, por conta dos USD 165 mm que a quebrada AIG está pagando para seus executivos. Algumas verdades:

  1. Até onde me consta, empresas que têm prejuízos – e seja lá por qual motivo – não pagam bônus para ninguém.
  2. Por outro lado, é comum que novos empregados – em especial aqueles com pinta de ‘celebridade’ – venham com um contrato que pré-estabelece bônus e condições. Para esta turma, dependendo do contrato firmado, tem que pagar e pronto…
  3. A turma do departamento que quebrou a empresa não deveria ganhar um centavao.
  4. O CEO e os altos executivos (e.g. VPs) que tinham poder sobre o cassino lá instalado, também não merecem nenhum centavo.

Drama: e os leais e competentes seguradores da AIG que venderam sólidos e rentáveis seguros de vida, de automóveis, ou previdência privada? Esta turma também é vítima da usura de uns colegas que eles sequer conheciam. Pior: estes colegas os consideravam autênticos macacos seguradores, enquanto os tais (que quebraram a empresa) eram engenheiros financistas. Talvez o amigo do blog não saiba, mas existe um bocado de preconceito dentro dos próprios bancos (tem ‘cidadão de primeira classe’, de ‘segunda classe’, etc. – parece a novela da Globo sobre a Índia…).

O que a AIG alega – e a América repudia – é que se os puros-de-oliva que trabalharam direitinho e geraram lucros não ganharem nada, certamente a empresa perderá talentos, sem falar na frustração que se abaterá sobre a tropa (que em sua imensa maioria é inocente).

Merril Lynch – foi noticiado que esta casa de investimentos pagou algo como USD 3,6 bilhões (sim, bilhões) para seus executivos, dias antes do banco (quebrado) ser resgatado pelo Bank of America, com a benção do FED e do Tesouro americano – os EUA e o mundo não poderiam encarar mais uma quebra em Wall Street, após o Lehman Brothers.

Diferentemente do episódio da AIG, dentre os beneficiários da Merril estavam a maioria dos executivos, traders e analistas que ajudaram a quebrar o banco. Foi um crime contra o acionista. Detalhe: a Merril jogou o Bank of America na lona…

Minha visão – o instrumento do bônus (aqui chamado de PLR) é útil, mas tem de ser muito bem manejado. Não é bom para qualquer área, deve ter regras neuróticamente transparentes, não pode valorizar a venda em detrimento da margem de lucro ou do crédito, etc. Notem que empresas que pagam bônus andam mais rápido, mas as que pagam bônus em excesso tendem a ter problemas (motivados pela ganância). Em caso de dúvida, procure uma consultoria especializada em RH.

A questão do pagamento de bônus no mercado financeiro, assim como quase tudo nesta crise, mostra que o pêndulo foi esticado para o extremo e, agora, despenca com igual voracidade. No surprise…

Saudações, F.