Este textode Paul Krugman está ótimo e trata da insanidade que, ao que tudo indica, ainda paira na cabeça das pessoas.

Há quem tem tema o “risco EUA”, isto o risco do Tesouro americano não honrar (parcial ou integralmente) o pagamento dos títulos por ele emitidos. Isto nunca aconteceu, até porque os EUA pode emitir dólares à vontade e, salvo o risco de inflação interna, tudo bem.

Mas e se acontecer dele dar um calote…bom, é para isso que exitem os derivativos de crédito – os famosos Credit Default Swaps (CDS) – que tantos problemas estão trazendo para esta crise. Pois bem, mas tem gente querendo comprar CDS do risco americano!!!!

Será que alguém é imbecil (perdõem-me o termo chulo) a ponto de achar que se os EUA quebrarem, a contraparte que assumiu este risco irá honrar o CDS para com o ingênuo (i.e. imbecil) que comprou a proteção? Se por conta do default das hipotécas Wall Street praticamente desapareceu, imagine o que seria se o Tesouro quebrasse!

Se o Tesouro de qualquer país der o chamado ‘default’, ninguém teria tamanho para bancá-lo e proteger as vítimas deste.

Risco país – a remuneração dos títulos de Tesouro americano são considerados os de menor risco do mundo (os chamados “benchmark“). Todos os demais títulos de renda fixa do mundo (sejam do governo da Dinamarca ou da Gerdau brasileira) são comparados com os americanos, sempre do mesmo prazo.

Então, quando vocês escutam falar que o risco Brasil está em “400 pontos”, isto quer dizer que os papéis brasileiros (seguindo uma complexa calculeira) estão pagando para o investidor 4% a.a. a mais do que os títulos equivalentes do governo americano.

Flight to quality – esta é uma expressão de difícil tradução, mas significa que quando a situação econômica se deteriora, todo mundo corre para um porto seguro (“Vôo para a Qualidade”, pela tradução). No caso desta crise, apesar dela ter nascido e crescido nos EUA, todos os investidores do mundo venderam ativos onde tivessem e trataram de comprar títulos do Tesouro americano. Mas compraram tanto que a remuneração destes passou a ser quase zero.

Em suma, melhor ganhar quase zero sem risco, do que ganhar algum correndo risco. Mas tem gente que quer proteção contra este risco mínimo – mesmo sabendo que é impossível proteger-se. Vai entender…

Abraços, F.

PS: se não ficou claro, por favor, reclamem!