abril 2009


Muita gente pergunta, diretamente ou via Google, “quando os juros (e os spreads) vão cair”. Obviamente o foco desta pergunta é: quando os juros cairão para as PF’s e PJ’s (pequenas e médias).

A resposta é simples: quando os bancos aumentarem a oferta de crédito para estes segmentos. E isto acontecerá quando eles tiverem mais segurança. Em outras palavras, só quando eles tiverem a percepção de que o risco destes clientes darem um calote diminuir. Enquanto isto não acontece a oferta é pequena e os juros altos.

Por enquanto, os bancos e investidores só olham com “carinho” para as grandes empresas, e.g. Nestlé, Perdigão, Pão de Açucar, Votorantim, etc. As óbvias de sempre.

No entanto, em breve estas empresas terão oferta excessiva de crédito e, como consequência, elas poderão barganhar muito mais e os juros que pagarão será muito mais baixo. É neste momento que dizemos que há um “empoçamento de liquidez”, pois a maior parte do crédito é directionado para elas.

Resultado: os bancos começam a ganhar pouco dinheiro com as mega empresas e se animam em emprestar para as médias…e depois voltam a emprestar para as pequenas. É sempre assim desde que o mundo é mundo.

Agora, cabe a você (seja PF ou PJ) posicionar-se corretamente para que os bancos te enxerguem como um risco baixo e, portanto, passem a canalizar mais crédito para você. Só isso fará com que os juros que VOCÊ paga caiam mais rapidamente.

Não se engane pensando que pelo fato da SELIC ter caído os seus juros cairão também. Não existe uma tabela de preços “imexivel” na frente do gerente. Ele te cobrará os juros que imaginar que você pagará – cabe a você fazê-lo perceber que a sua oferta de crédito no mercado é alta e que ainda merece mais.

É isso + abraços, F.

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…nunca esteve tão baixa, mas podia ter sido melhor. Eu dei umas declarações para a Folha de S.Paulo e divido com vocês a minha opinião sobre o efeito dela no crédito:

  1. Este 1% de queda não representará nada nas dívidas da imensa maioria dos brasileiros, em especial das famílias.
  2. Para elas, os spreads só cairão quando a inadimplência cair e esta é função do nível de emprego – que continuará ruim por um tempo.
  3. Já para as grandes empresas os juros (i.e. os spreads) já começaram a cair, na medida que os bancos detectaram que não houve nenhuma hecatombe.
  4. Agora, com a Selic mais baixa, o fluxo de empréstimos tende a aumentar para elas, que repassarão sua liquidez para suas cadeias, i.e. fornecedores (via adiantamento) e clientes (via prazo de pagamento).
  5. E assim as pequenas e médias empresas, que estão com acesso restrito ao crédito bancário, voltarão a respirar melhor.
  6. Este raciocinio não vale tanto para o pequeno e médio varejo, que vem sofrendo muito com a crise de crédito. Muitas empresas deste perfil vêm quebrando – e dando calote. Só que mudam o CNPJ e colocam o cunhado como acionista e a vida continua (não mudam nem a placa…).

É isso por enquanto. Saudações, F.

Há um certo consenso que o BC reduzirá a Selic em 1%, trazend0-a para 10,25%. Seria uma pena! O ideal seria que viesse para 9,75%, com uma redução de 1,5%. Se por um lado isto não faz diferença para quem paga 40% a.a., o fator psicológico de termos uma taxa base de um dígito ajudaria muito! Oremos, F.

Caros – abaixo uma matéria de Cristiane P. Lucchesi sobre seguro de crédito e inadimplência, segundo a ótica da Coface, publicada no Valor Econômico de hoje. Abs, F.

Crédito: Número de avisos de sinistro à Coface no mercado interno brasileiro passa de 60 a 204 por mês

Inadimplência entre empresas triplica

Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo
28/04/2009
 

 

O atraso no pagamento de empresas a fornecedores ou clientes pessoas jurídicas no Brasil continuou crescendo neste primeiro trimestre. Em março, mais do que triplicou em relação aos níveis médios até setembro. Os números são da Coface, a maior seguradora de risco de crédito corporativo do mundo, do grupo francês Natixis. “Acho que estamos chegando no fundo do poço”, diz Fernando Blanco, presidente da Coface do Brasil. Para ele, os números devem continuar a crescer até junho e depois poderão começar a ter redução.

Em março, a Coface recebeu um total de 204 avisos de sinistro no mercado interno brasileiro, na comparação com a média mensal de 60 até setembro do ano passado, antes de a crise de crédito bater com tudo no Brasil. É um aumento de 240%, uma média de 10 por dia. Em dezembro, o número de sinistros já havia chegado a 122.

Quando uma empresa segurada pela Coface detecta atraso no recebimento de outra empresa cliente ou fornecedora, geralmente leva uns 30 dias para declarar o sinistro. Depois a Coface tenta a negociação por cerca de 90 dias e, se não consegue recuperar o dinheiro, paga o cliente em 30 dias, na média. “Tudo isso varia de um cliente para outro de acordo com o contrato”, diz.

Em valores, a média móvel de sinistros dos últimos seis meses é o dobro dos seis meses anteriores. O pico foi em fevereiro, quando o total de sinistros bateu nos R$ 19,5 milhões. Para comparação, no total acumulado em 2008, a declaração de sinistros à Coface atingiu R$ 24,5 milhões, já um aumento de 24% em relação a 2007. Com isso, a área de cobrança da Coface, serviço que é inclusive vendido para fora, cresceu, assim como o de sinistro: desde o início da crise, cinco pessoas já foram contratadas. A Coface do Brasil está hoje com um total de 87 funcionários.

A Coface Export, que faz seguro de crédito à exportação de curto prazo, de até um ano, para as empresas brasileiras, percebeu inadimplência pela primeira vez dos importadores de países como a Suécia, Inglaterra, Dinamarca e Chile. “Os Estados Unidos e o México continuam com as maiores quantidades de sinistros declarados”, comenta Blanco. O setor químico, que também nunca havia registrado inadimplência, teve vários sinistros declarados, diz Blanco. O número de sinistros no crédito à exportação de curto prazo cresceu 50% no primeiro trimestre na comparação com os últimos três meses do ano passado, afirma.

Em meio a uma das maiores crises de crédito da história, a Coface reduziu seus limites globais em 5% para atingir a meta de redução de 80% nos sinistros. “Fizemos um primeiro rapa nos grandes limites”, diz Blanco. Agora, veio a fase da sintonia fina nos cortes. “São empresas com as quais não nos preocuparíamos em situações normais, mas que em meio à atual turbulência acabam precisando de atenção.”

Apesar desse aumento de inadimplência entre empresas no país, no entanto, a Coface não alterou nem a nota de risco de crédito nem a perspectiva da nota do Brasil em sua última revisão. É importante lembrar que o rating da Coface mede o ambiente e o risco de crédito das empresas em um país e não do governo. O Brasil está com a nota “A4”, a primeira do grau de investimento, desde dezembro de 2006.

No total, 47 países tiveram sua nota ou perspectiva rebaixada, o que significa um corte de limites maiores por parte da seguradora. A Espanha, o Reino Unido e a Irlanda foram considerados mais afetados e tiveram suas notas reduzidas em dois degraus. A Índia, China, países do Oriente Médio e do norte da África foram alguns poucos que escaparam do rebaixamento como o Brasil.

Segundo Blanco, o comitê da Coface ficou divido com relação ao Brasil, mas a manutenção do rating brasileiro prevaleceu. A razão: o aumento na inadimplência no país parece temporário, pois os fundamentos continuam sólidos. Com os juros altos e o superávit fiscal primário ainda elevado, há muito espaço para a prática de uma política monetária e fiscal expansionistas, diz. A próxima revisão é em junho.

Este post é dedicado àqueles que acreditam em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, entre outros menos cotados.

“COMPRE SEU CARRO AGORA! COM ZERO DE JUROS!” Volto de levar as crianças na escola e escuto esta bizarrice no rádio do carro. Desta vez é a Ford anunciando – todas fazem a mesma coisa.

NÃO EXISTE JUROS ZERO! Como proceder:

  1. Peça (lute, chore, ameace, seduza por) desconto para o preço à vista.
  2. Ao receber o preço à vista você terá a certeza que havia juros embutidos no tal financiamento, i.e. neste momento você saberá que o vendedor e a empresa são mentirosos.
  3. Agora vá nas demais revendas de carros similares ou do seu interesse, e faça o mesmo teste.
  4. Desta forma você saberá quem vende à vista pelo menor preço e a prazo pela menor mensalidade.

E o mesmo raciocínio vale para empresários na hora de comprar matéria-prima, ou vender seus produtos. O dinheiro tem valor no tempo. Banco vive disso.

Faça como o Ricardo Boechat, âncora da Bandnews FM, e economize muito dinheiro.

Abraços, FB

Caro – a entrevista abaixo saiu na coluna Mercado Aberto, do Guilherme Barros, na Folha de São Paulo desta 4af, dia 22. Ela foi ‘picotada’ demais e não parece muito simpática, mas a mensagem é: AS EMPRESAS PODEM PAGAR JUROS MENORES…SE QUISEREM! Abraços, Fernando

Tomador tem culpa por “spread”, diz especialista

A culpa pelo alto “spread” cobrado pelos bancos é também do tomador. A opinião é de Fernando Blanco, presidente da seguradora de crédito Coface no Brasil. Para Blanco, a maioria das empresas brasileiras não sabe pesquisar taxas e negociar.
“Muitas entregam aos bancos o detalhamento das contas no papel de pão. Na hora de negociar taxas, os dados são incompletos, os balanços, mal costurados, e a barganha, fraca.” Isso provoca aumento das taxas.
“Outras, que detalham as contas, recebem mais limite com mais bancos. Paga menor “spread” quem tem excesso de oferta de crédito, ou seja, você precisa de R$ 100 e tem R$ 200 de oferta.”
Blanco diz que as empresas deveriam estimular a competitividade. “A solução é capacitação creditícia e profissionalização das relações bancárias, por parte do empresariado. Não adianta só reclamar, há uma dinâmica de risco na transação.”
Para Blanco, a concentração dos bancos também não é o vilão. “No Brasil recente, a concentração é notória. Mas, na Holanda, o “spread” pago pelo cidadão é muitas vezes um terço do pago pelo americano. E a Holanda tem só três bancos dignos de menção, enquanto os EUA têm 7.000.” O motivo, diz ele, é que o holandês poupa muito e se endivida pouco, ou seja, os bancos tentam emprestar a qualquer preço.

com JOANA CUNHA, MARINA GAZZONI

Olá, o tema do crescimento do PIB em 2009 gerou alguma controvérsia. E com justiça, pois o tema é complexo (i.e. ninguém sabe, tudo mundo acha).

Já Paul Krugman advoga a tese de que todo processo de depressão costuma ser interrompido por alguns ‘suspiros’ de aquecimento. Estas aparentes recuperações são seguidas de mais queda do produto. Vejam este post dele.

Será que é isso que estamos sentindo por aqui? Vários índices estão sinalizando que a economia começa a se recuperar – ainda que timidamente -, mas será que em breve teremos mais deterioração? Não gostei da fala do Henrique Meirelles…soturno demais, especialmente para alguém do governo, que tende a esbanjar confiança.

Eu continuo achando que tendemos a um crescimento entre zero e + 1% do PIB, ainda que sem crescimento relevante do nível de emprego e com consideravel nível de inadimplência.

Ainda no campo do desemprego, achei no blog da Miriam Leitão este gráfico – atribuído ao Bradesco. Não entendi bem o milagre, mas o Bradesco acredita que mesmo com o Brasil crescendo ZERO % este ano, o país gerará 300 mil empregos em 2009.

Tomara II, A Missão! Abs, F.

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