A repórter Patrícia Cançado, do Estadão, nos brinda com interessante matéria entitulada “Empresas têm perdas bilionárias em 2008”.

Não deveria ser surpresa que as maiores empresas do país, justamente aquelas que têm acesso ao mercado internacional de crédito (muito mais barato), tivessem grandes prejuízos em 2008. A razão é simples: o Real se desvalorizou brutalmente no último trimestre do ano. As dívidas passivas, portanto, aumentaram de valor e a diferença foi jogada contra resultado.

A boa notícia, sob a ótica de caixa e de crédito, é que boa parte da dívida destas grandes empresas é de longo-prazo e, naturalmente, geram baixo impacto no caixa destas, pois serão pagas só no futuro. Ontem eu analisava o balanço do gigantesco frigorífico Bertin e vi que seus maiores vencimentos são pra lá de 2011.

Os bancos sabem ler balanço como ninguém e, apesar de todo conservadorismo do momento, sabem que o Bertin, assim como a maioria das empresas, não terá problema sério de caixa no curto-prazo. É aquela coisa: a aparência está feia, mas a saúde está boa.

Sadia e Aracruz – estas duas formam um capítulo à parte. Além do impacto que tiveram nos seus resultados em função do fator cambial acima, as duas (entre outras) sofreram também por conta daqueles derivativos famosos. Os prejuízos divuldados por Sadia e Aracruz, para 0 exercício findo em 2008, foram de R$ 2,4 bi e R$ 4,2 bi, respectivamente. A primeira está negociando sua venda para a concorrente Perdigão e a segunda já foi vendida para a VCP (Votorantim).

Caixa alto – outra coisa interessante – e positiva – que venho notando é que boa parte dos grandes grupos brasileiros está com o caixa cheio. O motivo seria que, como o crédito e o mercado acionario estavam festivos em 2008, estas empresas captaram muito dinheiro (via emissão de ações e/ou empréstimos de longo-prazo) e não haviam gastado tudo com aquisições ou investimentos em novas plantas (ou ampliação das atuais) antes do vulcão da crise entrar em erupção.

Cadeia de valor – talvez seja o fato acima que evitou um colapso maior da nossa economia, depois que o crédito de curto-prazo desapareceu e encareceu, para as médias e pequenas empresas. Explico: com as grandes cheias de caixa, elas puderam financiar suas cadeias produtivas, i.e. antecipando recursos para fornecedores e dando prazos para seus clientes.

Agora que os estoques começam a ser ajustados, por contas das massivas liquidações que testemunhamos diariamente pela TV e nos shopping centers, mais os balanços das empresas mostrando que a situação patrimonial destas vai bem, obrigado, tudo leva a crer que o crédito poderá voltar a fluir.

É só isso que precisamos para que o Brasil inicie um “círculo virtuoso” neste turbulento 2009.

Abraços a todos, FB.