E o G-20 acabou.

Lá embaixo, leiam o resumão da Miriam Leitão – aliás, o blog dela mais parecia uma agência de notícias, pois foi o dia todo postando sobre o evento. Cool. Mas antes disso, vamos para a minha visão crítica da coisa:

1. De relevante mesmo para o seu negócio, há um bloco (o item 10 do link que segue) que marca para mim o  Comuniqué dos Líderes. Alí é dito que o FMI já prevê que em 2010 o mundo voltará a crescer 2% e que os líderes do G-20 estão comprometidos com isso. Para bom entendedor isso quer dizer: “Esqueçam 2009, porque este ano não tem conserto! É recessão global, com umas poucas e honrosas exceções. Tudo o que decidimos aqui e o que já estamos fazendo é para 2010 e além”.

2. Apesar do G-20 pressupor um grupo que propõe ações conjuntas e as implementa como tal, não tem nada disso. De coletivo mesmo só tem a imensa injeção de capital no FMI, Banco Mundial e outros (USD 1,1 trilhão), mais a promessa de agilizarem o desembolsos desta dinheirama (o que não será simples de se fazer, pois tem muito tomador…). O resto é com os países individualmente, sendo o principal exemplo os pacotes fiscais (os EUA tem seu mega pacote de estímulo fiscal e a Europa seguirá com sua doutrina frugal).

3. Falou-se muito de uma nova dinâmica de regulação bancária internacional, mas não poderiam ter sido mais vagos os nossos líderes globais. Se os maiores banqueiros do mundos – os americanos – estão sofrendo há 6 meses para organizar seu pacote de resgate dos bancos, como organizar uma nova fórmula global?

4. Um assunto que vem sendo tratado sem maiores detalhes ou destaque – e que, para minha surpresa, foi alvo do G-20 (item 15) – é o que trata dos Paraísos Fiscais (aquelas ilhas e pequenos países onde a grana da sonegação e do tráfico de drogas, armas, seres humanos, etc., é depositada). O Comuniqué diz: “The era o bank secrecy is over”. Gostei, pois meus impostos saem direto do holerite e nunca tive um centavo nestes paraísos.

5. Não há dúvida que o papel dos países emergentes mudou radicalmente – e para melhor. E o Brasil tem destaque nisso. Como o Marcio comentou há pouco, a popularidade do Lula correu o mundo, ou nem tanto, mas Obama demonstra intimidade com ele, faz graça, etc. De mais prático mesmo, agora fazemos (todos do G-20, até a Argentina…) parte do Financial Stability Board e participaremos da escolha dos gestores das IFI (instituições financeiras internacionais, da sigla em inglês), como FMI e Banco Mundial. Isso não nos dá direito de decidir nada, mas de influenciar em tudo – e isso não é pouco!

6. Ah, e as agências de ratings terão suas rédeas mais curtas, pois serão supervisionadas, controladas, etc. Sabe Deus como, mas deixaram claro que os dias de liberdade excessiva para agirem com conflitos de interesse estão perto do fim.

O resto, amigos, é bla-bla-bla diplomático, recheado de boas intenções, mas de efeito prático e celeridade baixos. Tudo vai depender da boa-vontade dos líderes e da capacidade deles gerenciarem estes desafios politicamente em seus países.

É isso. Gostaria de ouvi-los.

Abraços, Fernando

Os pontos mais importantes do anúncio do G-20 (segundo Miriam Leitão)

Os pontos mais importantes do anúncio do G-20, feito agora a pouco pelo primeiro-ministro inglês, Gordon Brown:

1 – O total de aporte na economia mundial chegará a US$ 5 trilhões até o fim do ano que vem. Isso contando o que já foi feito e o que ainda será.

2 – Os recursos disponíveis para que o FMI ajude países com problemas serão triplicados, passarão de US$ 250 bilhões para US$ 750 bi.

3 – Serão reservados US$ 250 bilhões para financiar o comércio internacional.

4 – Os países que fazem parte dos “paraísos fiscais” serão regulados e muitos e terão que transmitir informações fiscais e tributárias. Haverá incentivos para que isso aconteça e sanções aos que não concordarem.

5- Haverá maior regulação no sistema financeiro. Os bancos terão limite menor para alavancagem, e terão que correr menos riscos. Isso inclui as agências de risco e os fundos de investimento hedge.

6 – Haverá estímulos para diminuição do consumo de carbono e ações para a criação de “empregos verdes”.

7- A Rodada Doha será reaberta com novas negociações sobre o comércio internacional.