<< editado em 18 ABR 20009>>

Chover no molhado pode ser útil – às vezes, poucas vezes.

Este post da Miriam Leitão traz informações que ela recebeu da equipe econômica do Banco Santander/Real. O gráfico abaixo, porém, vale o post.

Ele mostra como os setores do varejo que são mais dependentes de crédito cresceram fortemente, durante os anos de expansão do crédito no Brasil, assim como despencaram brutalmente depois de setembro do ano passado.

Parcece “chover no molhado”, pois deve ser óbvio para todo mundo que o crédito foi o anabolizante mais utilizado pelas economias nacionais na Olímpiada do Consumo global. O Brasil usou menos, mas ainda assim usou muito e repentinamente. Salvo falha da memória, em 2008, em apenas 12 meses, a relação crédito/PIB subiu de 32% para 42%. Anormal e perigoso, como eu já dizia há séculos.

Mas o que interessa aqui é destacar o seguinte:

  1. Os bancos sabem que ‘puxaram demais a corda’ do crédito e, na medida que forem enxergando que o mundo não acabou, voltarão a emprestar.
  2. Apesar mais comedidamente do que em 2006, ’07 e ’08, o crédito voltará em volumes suficientes para fazer a economia doméstica voltar a produzir em volumes que minimizem o risco de recessão e estabilizem o desemprego onde está (por volta dos 9%).

Notem bem, eu, que tinha uma visão horrorosa deste ano, já começo a imaginar até um crescimento POSITIVO do PIB (até 1%). Porém, mais do que nunca, devemos olhar menos para a macroeconomia e muito mais para a MICROeconomia, pois será um crescimento bem irregular.

Devem ser perdedores setores e cadeias ligados à exportação de manufaturados para países ricos (que estarão mais pobres) e o de máquinas & equipamentos (porque os investimentos continuarão anêmicos). Vencedores? Hum…alimentos, eletroeletrônicos, celular, automóveis (será?), petróleo (se Deus quiser)…enfim, tudo aquilo que é iminentemente doméstico.

Abraços, F.