maio 2009


Caros – destaco reportagem do jornalista Leandro Modé, do Estadão de hoje, que trata dos calotes que os exportadores brasileiros vêm levando. Este humilde escriba é citado, pois a minha Coface vem segurando parcela considerável destes calotes.

A situação é feia, pois os calotes não vêm de países da “periferia”, mas do Reino Unido, Alemanha, Itália, etc.

Não bastasse isso, nossos empresários enfrentam mercados enfraquecidos pela crise – e competição desigual com a China, que desova seus produtos a preço de banana – e ainda tem o câmbio jogando contra.

Eu realmente não me conformo com a liberdade que o governo dá para que investidores internacionais invadam nosso mercado, baguncem a taxa de câmbio e a economia real, para depois zarparem ao primeiro sinal de crise – bagunçando tudo e novo.

Crédito – os bancos que dão crédito para exportadores estão de olho, e não é de hoje, para a geração de caixa destas empresas. Estas devem ficar atentas e explicar direitinho a sua situação, antes que percam o crédito.

Com a minha simpatia para os nossos valorosos empresários, que buscam mercado lá fora, abraços! F.

Caros – segue o link da entrevista que eu dei para o Roberto Nonato, da CBN, na última 5af. Abs, F.

Em poucas palavras (depois escreverei mais), o relatório oficial de abril nos diz que:

  1. A situação é boa para PF: mais crédito ofertado e juros mais baixos.
  2. A situação é ruim para PJ (PME): menor volume ofertado e juros mais altos.

Isto são médias e médias são ‘burras’. Tem empresa de pequeno porte com boa oferta de crédito, pois são ligadas a cadeias de valor como Sadia e Nestlé. Tem outras, médias e grandes familiares, que têm bom crédito porque são profissionais no relacionamento bancário.

E eu acho que o crédito está bem fechado para empreendedores…

Quanto as PF’s, os bancos aprenderam que ganham um bom dinheiro com esse povo, só que não acredito que qualquer um irá conseguir financiar o carro novo em 6 anos, só com o CIC e o RG na mão.

Abraços, F.

Aviso rápido: eu serei entrevistado entre 17:30 e 18:10 no programa do Roberto Nonato. Assunto? Crédito…

Abraços, F.

Caros, o crédito veio com força na mídia impressa hoje. Os diários Estadão, Folha de SP e Valor Econômico trouxeram vários artigos sobre o tema, todos na mesma direção: mais crédito e juros mais baixos no Brasil.

Destaque para o Banco do Brasil, que anunciou a liberação de mais de R$ 13 bilhões em crédito, para 10 milhões de clientes. A reportagem da Folha diz que este crédito foi adicionado automaticamente às linhas já existentes destes clientes.

Isto significa que são linhas para pessoas físicas e pequenas empresas, pois as grandes têm seus limites definidos caso-a-caso em comitês de crédito. Também me é claro que este aumento de limites não se deu de forma homogênea para todos os 10 milhões de atingidos. Tem gente que ganhou mais linha e outros menos, sempre dependendo do perfil de risco de cada cliente, com base no chamado credit/behavior score.

De qualquer forma, esta pode ser uma ótima oportunidade para cidadãos e empresas que já têm conta no BB, assim como dívidas em outras bancos e financeiras. Explico: como tais clientes devem estar pagando juros mais altos em outros bancos, deveriam negociar crédito novo no BB e repagar tais dívidas.

Outros bancos também vêm anunciando melhores condições para empréstimos imobiliários e para financiamento de automóveis – com prazos bem dilatados. No entanto, o processo de concessão está mais rígido! Tais créditos não serão dados para qualquer um – ver post anterior.

E mais, eu não acredito que este movimento seja apenas um “soluço”, ou seja, temporário, como alguém declarou no Estadão. Acho que a oferta de crédito começa a se ajustar num novo patamar, que é mais baixo do que nos dias da farra pré-crise e acima do quase contingenciamento pós-15 de setembro.

Mas e os bancos, ficaram bonzinhos de repente? Não…apenas detectaram que o risco de crédito não ficou tão ruim como esperavam, limparam as carteiras de maus neoendividados e, finalmente, detectaram que estavam lucrando menos que o desejado.

Mercado de bonds internacionais – outra boa notícia vem do mercado de capitais internacional, com o aumento do apetite de risco dos investidores para títulos (bonds) emitidos por empresas brasileiras de grande porte e solidez comprovada. Apesar dos juros ainda altos (para o padrão internacional, destaque-se), os volumes são grandes (até USD 100 mi) e os prazos longos (3 a 5 anos neste momento), o que é quase impossível de se obter no Brasil de hoje.

Com a reabertura deste mercado, as grandes empresas brasileiras – que estão no meio de projetos de expansão – poderão captar recursos no exterior, deixando de competir com as empresas de menor porte, por recursos escassos.

Concluindo, caminhamos consistentemente para um aumento da oferta de crédito bancário no Brasil, forçando com isso a queda dos juros/spreads. Ainda está caro. Mas,  quanto menos crédito você demonstrar precisar, mais barato pagará por ele. Não se esqueça desta regra de ouro!

Abraços, F.

Crédito é uma coisa esquisita, vendida por um tipo de capitalista igualmente esquisito. Quando alguém quer/precisa muito de crédito, o banco perde interesse de emprestar – não por que seja malvado ou burro, mas porque aumenta o temor por calote.

Agora, quando os clientes reduzem o seu interesse por crédito os bancos correm atrás deles com urgência.

A crise e o crédito no Brasil – não que seja novidade, mas estudos da FIESP mostram que o empresariado reduziu drasticamente sua intenção de investir, assim como preve uma queda sensível nas exportações.  Até aqui, novidade zero.

Mas os dois fatos conjugados significam redução drástica na demanda por crédito por parte das empresas. Esta já havia caído por conta da menor atividade produtiva, i.e. redução de demanda por crédito para giro, mas vinha sendo parcialmente compensada pelo aumento dos spreads.

A hora da caça – os bancos acusaram o golpe, comunicando lucros bem mais baixos no primeiro trimestre deste ano. Acontece que banco não tem tolerância para ganhar menos do que ganhou antes.

Esta forma de pensar reflete-se na forma de agir: a oferta de crédito deverá se intensificar, ainda que com o devido conservadorismo. Já retomou para as grandes empresas e agora deverá fluir para grandes e médias mais estruturadas e de setores não tão afetados pela crise. 

Atenção: que não se espere nada similar a 2007 e parte de 2008, quando davam crédito para um macaco, se o simpático símio portasse um CPF. Mas vão voltar a emprestar.

E quando a oferta de crédito aumenta, é a hora do devedor abrir outras frentes de financiamento e negociar melhor, mais prazos, taxas menores, menos garantias, etc.

Mas tudo só surtirá resultado se o candidato a devedor se posicionar de forma profissional, i.e. apresentar seus números com transparência, explicar sua estratégia e suas táticas de negócio com clareza e consistência, demonstrar com precisão o que fará com o dinheiro e como irá repagá-lo, etc.

É bom começar a semana de forma auspiciosa, como diria Opash, de O Caminho das Índias. Are baba!

Abraços, F.

Pois é, amigos, está entrando muito dólar no Brasil, mas é o de pior qualidade: o voltado para aplicações em juros e bolsa.

É dinheiro que entra aos poucos, derruba a cotação do dólar, valoriza o nosso real e prejudica a rentabilidade das nossas exportações (inviabilizando muitas). Esta situação é particularmente dramática nestes dias de deflação internacional, pois os produtos são exportados pelo Brasil a preços mais baixos e quando as receitas são convertidas em reais valem menos, porque o dólar aqui vale menos.

Só que ao primeiro sinal de crise – qualquer crise! –  esse dinheiro sai do país – qualquer país emergente! – e desvaloriza o real brutamente, gerando todo tipo de complicação nas empresas que tem dívidas e contas a pagar em dólar.

Dólar bom é aquele que vem de exportação, de empréstimo de longo-prazo e de investimento direto vindo de multinacionais que montam fábricas no Brasil. Dólar para ganhar dinheiro fácil com juros altos e especular na bolsa só é bom para quem o intermedia ou negocia moedas. Para o país, como um todo, históricamente só vem criando confusão para a economia real. Palavra de quem viveu neste meio (no financeiro, bem entendido) e viu de perto as ‘chicotadas’ nas cotações, assim como os dramas dos clientes com dívida nesta moeda.

O seu crédito – há poucos meses o dólar bateu 2,40 e eu recomendava cuidado, pois achava que esta vinha para ficar, em função dos fundamentos da economia internacional. Acontece que – aprendi – não é preciso montanhas de dólar para mexer no nosso câmbio. Apenas o dinheiro para os mercados – que nem é tanto assim – vai derrubar o dólar a 2,0 talvez ainda esta semana. Não interessa isto é alto ou baixo: o problema é a sua volatilidade! Como planejar? E o amigo industrial, o que faz ao importar uma máquina a prazo, faz um hedge da dívida?

Os fatos são:

  1. O Brasil é um país que está na moda – e assim irá continuar, se Deus quiser.
  2. Com estes juros absurdamente altos, a ‘gringolândia’ continuará trazendo dinheiro para ganhar dinheiro fácil.
  3. A tendência é, portanto, que o dólar continue barato por um bom tempo.
  4. Mas se a crise der um repique (e poderá dar, por vários motivos) teremos uma nova desvalorização forte.

Bem, saibam que os bancos estarão de olho na sua exposição ao dólar! Ouvi de banco sério e especializado que o dólar chegará a 1,9. Suas exportações continuarão sendo rentáveis? Tenha respostas para explicar esta situação para os seus credores.

Abraços, F.

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