Pois é, amigos, está entrando muito dólar no Brasil, mas é o de pior qualidade: o voltado para aplicações em juros e bolsa.

É dinheiro que entra aos poucos, derruba a cotação do dólar, valoriza o nosso real e prejudica a rentabilidade das nossas exportações (inviabilizando muitas). Esta situação é particularmente dramática nestes dias de deflação internacional, pois os produtos são exportados pelo Brasil a preços mais baixos e quando as receitas são convertidas em reais valem menos, porque o dólar aqui vale menos.

Só que ao primeiro sinal de crise – qualquer crise! –  esse dinheiro sai do país – qualquer país emergente! – e desvaloriza o real brutamente, gerando todo tipo de complicação nas empresas que tem dívidas e contas a pagar em dólar.

Dólar bom é aquele que vem de exportação, de empréstimo de longo-prazo e de investimento direto vindo de multinacionais que montam fábricas no Brasil. Dólar para ganhar dinheiro fácil com juros altos e especular na bolsa só é bom para quem o intermedia ou negocia moedas. Para o país, como um todo, históricamente só vem criando confusão para a economia real. Palavra de quem viveu neste meio (no financeiro, bem entendido) e viu de perto as ‘chicotadas’ nas cotações, assim como os dramas dos clientes com dívida nesta moeda.

O seu crédito – há poucos meses o dólar bateu 2,40 e eu recomendava cuidado, pois achava que esta vinha para ficar, em função dos fundamentos da economia internacional. Acontece que – aprendi – não é preciso montanhas de dólar para mexer no nosso câmbio. Apenas o dinheiro para os mercados – que nem é tanto assim – vai derrubar o dólar a 2,0 talvez ainda esta semana. Não interessa isto é alto ou baixo: o problema é a sua volatilidade! Como planejar? E o amigo industrial, o que faz ao importar uma máquina a prazo, faz um hedge da dívida?

Os fatos são:

  1. O Brasil é um país que está na moda – e assim irá continuar, se Deus quiser.
  2. Com estes juros absurdamente altos, a ‘gringolândia’ continuará trazendo dinheiro para ganhar dinheiro fácil.
  3. A tendência é, portanto, que o dólar continue barato por um bom tempo.
  4. Mas se a crise der um repique (e poderá dar, por vários motivos) teremos uma nova desvalorização forte.

Bem, saibam que os bancos estarão de olho na sua exposição ao dólar! Ouvi de banco sério e especializado que o dólar chegará a 1,9. Suas exportações continuarão sendo rentáveis? Tenha respostas para explicar esta situação para os seus credores.

Abraços, F.