Crédito é uma coisa esquisita, vendida por um tipo de capitalista igualmente esquisito. Quando alguém quer/precisa muito de crédito, o banco perde interesse de emprestar – não por que seja malvado ou burro, mas porque aumenta o temor por calote.

Agora, quando os clientes reduzem o seu interesse por crédito os bancos correm atrás deles com urgência.

A crise e o crédito no Brasil – não que seja novidade, mas estudos da FIESP mostram que o empresariado reduziu drasticamente sua intenção de investir, assim como preve uma queda sensível nas exportações.  Até aqui, novidade zero.

Mas os dois fatos conjugados significam redução drástica na demanda por crédito por parte das empresas. Esta já havia caído por conta da menor atividade produtiva, i.e. redução de demanda por crédito para giro, mas vinha sendo parcialmente compensada pelo aumento dos spreads.

A hora da caça – os bancos acusaram o golpe, comunicando lucros bem mais baixos no primeiro trimestre deste ano. Acontece que banco não tem tolerância para ganhar menos do que ganhou antes.

Esta forma de pensar reflete-se na forma de agir: a oferta de crédito deverá se intensificar, ainda que com o devido conservadorismo. Já retomou para as grandes empresas e agora deverá fluir para grandes e médias mais estruturadas e de setores não tão afetados pela crise. 

Atenção: que não se espere nada similar a 2007 e parte de 2008, quando davam crédito para um macaco, se o simpático símio portasse um CPF. Mas vão voltar a emprestar.

E quando a oferta de crédito aumenta, é a hora do devedor abrir outras frentes de financiamento e negociar melhor, mais prazos, taxas menores, menos garantias, etc.

Mas tudo só surtirá resultado se o candidato a devedor se posicionar de forma profissional, i.e. apresentar seus números com transparência, explicar sua estratégia e suas táticas de negócio com clareza e consistência, demonstrar com precisão o que fará com o dinheiro e como irá repagá-lo, etc.

É bom começar a semana de forma auspiciosa, como diria Opash, de O Caminho das Índias. Are baba!

Abraços, F.