junho 2009


Este post é um agradecimento a você, amigo do blog, que nos prestigia com suas visitas e comentários.

Há poucos minutos, o quadragésimo visitante deste sábado foi o de número 60 mil nestes 13 meses de existência deste veículo de troca e disseminação de informação e conhecimento sobre crédito, economia e finanças.

A correria não permitiu a comemoração do aniversário de 1 ano, em maio último, quando acumulamos 52 mil visitantes naqueles dias.

60 mil muito obrigado a todos vocês!

Fernando

PS: escreverei em breve um post intitulado O Estado do Crédito no Brasil. Fique ligado!

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Caros – o Estadão de hoje veio forte no assunto crédito. Vale a pena comprar ou procurar no www.estadao.com.br.

Em matéria de Márcia De Chiara, destaca-se o crescimento da oferta de crédito para operações cujas garantias são mais fortes. Exemplos: Consignados, Veículos e Imobiliário. A reportagem fala em aumento dos prazos e isso é bom. E  complemento: o spread destas operações – que é mais baixo – vem derrubando o spread médio para as PFs.

Por outro lado, apesar de estampar dois belos gráficos bastante ilustrativos, não se comenta os expressivos crescimentos dos estoques de Cheque Especial (+ 12,5%) e Crédito Pessoal (+ 11,4%), no período Abr, 09/Dez, 08. Estas linhas são caríssimas e não vêm crescendo por conta de aumento saudável do consumo das famílias, mas sim por descontrole de gastos (e rolagem de dívidas não quitadas) destas.

Na página seguinte do jornal, Fernando Nakagawa escreve: “Dívida no cheque especial bate recorde”. Taí…

Boas e más notícias ao mesmo tempo. Pobres neo-endividados…pagando juros que variam entre 80% e 150% ao ano. Eu cansei de escrever e declarar o perigo do endividamento da nossa população. O governo encentivava, lembram? Agora, a Josilene – minha funcionária do lar – que comprou um TV de plasma a prazo, está pagando outra TV só de juros.

Abs + boa semana! F.

Caros – o Estadao de hoje trás está ótima entrevista , de D.Friedlander e L.Modé, com o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Muito interessante.

Eu comento apenas a visão do Ministro sobre os juros, que é bastante alinhada com a imensa maioria de analistas da cena econômica nacional.

  1. Centra exclusivamente nos bancos a responsabiliade pela redução do spread. Esquece que bancos epitomizam a essência do espírito do capitalismo, i.e. não cobram caro porque são maus, nem cobrarão menos por serem criticados – apenas cobram o que seus clientes estão dispostos a pagar. Sem falar que o governo é sócio do spread elevado, pois taxa a intermediação financeira.
  2. Acerta ao citar e estimular a competição entre os bancos, via bancos públicos, para a redução do custo do dinheiro. Mas não aborda duas questões que considero essênciais: educação financeira e creditícia e o custo de crédito que os bancos públicos enfrentarão com a inadimplência futura (por conta da liberalidade presente).
  3. O Ministro – e todo mundo menos eu – parece acreditar naqueles “gráficos de pizza”, que procuram interpretar o spread bancáro a partir das suas partes. Como estas análises interpretam o lucro dos bancos a partir de uma ‘fotografia’ apenas do último balanço publicado, são sujeitos a uma infinidade de erros.

Boa leitura + abraços, F.

Os amigos devem ter notado que ando escrevendo menos. Também devem ter notado que venho escrevendo mais sobre temas “frios”, ou atemporais, enquanto que antes escrevia alucinadamente sobre notícias “quentes”, da hora.

O bom sinal do comportamente do blog e do blogueiro, é que a crise perdeu momentum. Ela deixou de ser aguda e, portanto, parou de gerar notícias dramáticas que traziam volatilidade para os mercados. Podemos dizer que este é um blog anticíclico. 🙂

Creio que a crise deu lugar a uma “nova normalidade”, em que todos (países, governos, empresas, bancos, cidadãos) passam a conviver com os destroços que ficaram após a grande avalanche financeira que acometeu o planeta, para aos poucos reconstruirem uma nova economia e novos mercados. É uma fase de transição, ainda cheia e de dúvidas sobre como será este novo mundo.

Se por um lado é difícil achar alguma empresa, algum setor ou nação que esteja bem, ainda há considerável disparidade no grau de malefícios causados pela crise. Se por um lado o varejo no Brasil vai se aguentando, o setor de bens de capital vai mal demais. Se por um lado vende-se automovel à vontade, ninguém compra caminhão.

Este tipo de cenário gera confusão, pois dependendo da folha do jornal que você lê a sua percepção da situação econômica muda.

Mas existe um fato que não deve ser esquecido: a nova normalidade – pós-crise – será bem diferente daquela pré 15 de setembro de 2008! Será de menos riqueza, de mais frugalidade, de menores ganhos para a maioria, de menor volatilidade (e mais bi-direcional) e tudo acontecerá mais lentamente.

E a razão é simples: o capitalismo financeiro foi nocauteado. Não há mais tanto dinheiro fácil, barato e tolo para ser emprestado para qualquer um, para ser investido em qualquer projeto, para viabilizar mega fusões ou para turbinar qualquer IPO.

“Não tenhamos mais tanta pressa”, parece-me ser a nova ordem mundial. E isso me cheira bem.

Abraços, F.

Amigos,

Eu não sou economista, mas fui um bom aluno de economia quando estudei Administração de Empresas, na FGV, em…terá sido no século 19 ou faz menos tempo? Como faz muito tempo e o meu “reservatório intelectual” não é dos mais maiores, eu resolvi guardar apenas um conhecimento de macroeconomia, que é a fórmula do Equilibrio Macroeconômico.

Ela me é absurdamente útil para analisar a conjuntura econômica, o estado do crédito no país, etc. E é por isso que eu divido com vocês os meus parcos conhecimentos sobre o tema.

Conjuntura – no Brasil, a situação do crédito já esteve pior, não há dúvida, mas ainda assim estamos longe do ideal. E por três motivos:

  1. Os bancos e as seguradoras de crédito corporativo continuam colecionando problemas de crédito, o que reduz o apetite de risco desta turma. Menos crédito ofertado = preço mais alto pelo crédito (juros pra cima!).
  2. Bancos e investidores internacionais também continuam sem apetite para crédito nos seus próprios países, muito menos para o nosso. (idem)
  3. As empresas também perderam interesse no crédito. Menos crédito demandado…juros mais baixos para quem nega a oferta dos bancos.

É isso mesmo: a oferta e a demanda por crédito andam retraídas nestes dias de ressaca econômica – e não é só por causa dos bancos, pois muitas empresas brecaram também.

Isto posto, olhando para a equação do equilíbrio macroeconômico, temos que:

Y = C + I + G + (X – M), onde:

Y = Demanda agregada, ou PIB

C = Consumo das famílias (i.e.  aluguel, alimento, escola)

I = Investimento das empresas (i.e. máquinas, equipamentos)

G =Gastos do governo (custeio + investimentos)

(X – M) = Saldo da balança comercial, ou exportações menos importações

Algumas contrapartidas desta fórmula são:

  • C demanda W (do inglês “wages”, ou salários) e crédito disponível.
  • I demanda S (do inglês “savings”, ou poupança) e crédito disponível.
  • G demanda T (do inglês “tax”, ou impostos) e crédito disponível. 

Observações sobre os pontos acima: no Brasil W é baixo demais, mas a massa salarial vem crescendo, graças à política do governo Lula, que vem aumentando o salário mínimo além da inflação e aumentando seu poder de compra graças ao Bolsa Família. Já S é mais baixo ainda, pois temos carências de sobra e hábitos consumistas excessivos para a renda que temos, i.e. poupa-se pouco no Brasil. E T? Bem, T não para de subir no Brasil, graças a eficiência arrecadatória da Receita Federal.

Fácil, não é? Pois bem, considerando-se que no Brasil W e S são baixos, a única forma para o agregado C + I + G + (X – M), i.e. o PIB, crescer é que haja crédito, muito crédito disponível, para que os agentes econômicos possam financiar seus gastos. E neste, como andará o quadro deste agregado Y (ou PIB)?

C = o consumo vai mais ou menos bem porque o crédito para o consumidor continua firme, segurando o PIB. Mas como este consumo não é explosivo, varejistas e industriais não vislumbram investimentos para suprir a demanda. As empresas estão tomando crédito, em sua imensa maioria, apenas para capital de giro.

I = nossa indústria já vinha investindo consideravelmente nos anos anteriores (nível de 18% do PIB) e não irá ampliar a capacidade, pois: (a) os juros estão altos, (b) há falta de fontes de crédito de longo-prazo e (c) há incertezas quanto ao crescimento econômico. É por isso que o setor fabricante de máquinas e equipamentos está vendendo tão pouco e o BNDES vive anunciando que os pedidos para suas linhas vêm caindo tanto.

G = este é um setor que gasta com gosto, até para compensar a anemia dos demais parceiros de demanda agregada – o que entra no caixa do governo via T, sai em G – 🙂 – só que a grande crítca é que o governo gasta mal (muito custeio da máquina pública  e pouco em investimentos em infra-estrutura).

(X – M) = o quadro é depressivo, pois o mundo desenvolvido está deprimido e compra muito menos do que temos para oferecer. Vide os preços das commodities e os alto-fornos desligados das siderurgícas. O crédito para o comércio exterior está mais normalizado (graças ao Banco Central e ao Banco do Brasil), mas custando bem mais do que antes.

Isto tudo posto, é natural que nossas empresas estejam tímidas na captação de crédito. Algumas consequências:

  • O spread bancário vem caindo para as grandes empresas, assim como para aquelas não tão grandes mas que se apresentam para os bancos de maneira profissional.
  • Os bancos, que precisam ganhar dinheiro e não querem risco com as menores, acabam por canalizar suas linhas para as grandes e a competição reduz o spread que elas pagam. Só isso.
  • Assim que a inadimplência da PJ e do Middle Market se acalmar, veremos os bancos brigando novamente para emprestar para estas, o que puxará ainda mais o spread para baixo. Daqui a 1 ano, os spreads que a Nestlé, Perdigão, Basf, etc., pagam estará tão baixo que os bancos passarão a brigar pelas empresas do Middle Market. Nada de novo, sempre foi assim.

Mas atenção: os bancos e seguradoras de crédito aprenderam a lição e não irão mais distribuir crédito longo, barato e sem garantias para qualquer um, como fizeram até setembro de 2008.

É isso. Espero que a fórmula do equilibrio macroeconômico torne-se útil para vocês, assim como vem sendo para mim…nos últimos séculos! 🙂

Abraços, F.

Este Milênio começou com crise (da Bolha da Internet) e, depois de uma pausa de crescimento sem igual, passou a conviver com uma crise igualmente sem igual. Mas outras esquisitices chamam a minha atenção. Vejamos:

1. Consumo dos americanos: eles têm de consumir mais do que nunca – o que só seria possível se tomassem ainda mais empréstimos -, pois o mundo não sairá da recessão enquanto a ‘locomotiva’ do mundo não voltar a operar. Só que os bancos não têm como financiá-los ainda mais, até porque os americanos já estão endividados até o pescoço…

2. Lula e o FMI: o nosso Presidente afirmou – aos berros – que aqui no Brasil “muita gente torce para as coisas darem errado, para o Lula dar errado”, mas que não contém com isto não, porque hoje mesmo “eu emprestei USD 10 bi para o FMI. Eu disse ´tó, leva aí'”. Pode? É como se a maioria dos brasileiros tivesse saído da pobreza, nossas empresas estivessem cheias de crédito…

3. Falta de memória: a Bovespa já está negociando na pontuação pré-crise. Seria ótimo não fosse o fato das empresas cujas ações compõe o índice não estivessem sofrendo um bocado, por conta da contração econômica, aqui e lá fora. Pior, o inchaço, quer dizer, a alta das cotações se dá por conta de aplicações externas, que sumirão ao primeiro sinal de crise (seja lá de onde venha o sinal).

4. A Letônia: você conhece a Letônia? Não se culpe se a resposta for “não”, mas para não perder a viagem conheça-a melhor via Wikipedia. Pois bem, esta potência econômica está a beira do colapso, pelos mesmos motivos que nós Brasileiros sofremos na década de 90. E só se fala nisso nas rodas financeiras estes dias! Faz favor…

5. Chuva de dólar: pois é, nunca choveu tanto na história deste país, com efeitos trágicos no Norte e no Nordeste – sem falar em Santa Catarina ano passado. Mas aqui o assunto é chuva de dólar; justo o dólar “cigano” que mais atrapalha do que ajuda…vai entender!

6. Exportador se arrebenta com alta do dólar: é notícia velha, mas Sadia, Aracruz, VCP, Vicunha e metade das usinas de açucar e alcool…e mais meio-mundo que ficou na moita (junto com os bancos, que trataram de rolar as dívidas e seguir como se nada tivesse acontecido). Bancos e exportadores deram uma de espertos e se arrebentaram – os primeiros por venderem bombas atômicas de efeito retardado para quem não sabia o que estava comprando, e os segundos por terem comprado os ‘artefados’.

7. Financiamento de automóveis em 5, 6, 7 anos: o absurdo continua. O Banco Central deveria investigar direitinho se estes bancos estão com ativos e passivos bem casadinhos. Já os pobres compradores…seus carros não valerão o combustivel no tanque e eles ainda estarão pagando juros. Se por um lado a economia real agradece, o meio-ambiente chora.

8. Espanha: depois dos EUA e do Reino Unido (Islândia e Letônia não contam, ok?), a Espanha é o país que enfrenta a pior crise na contrução civil. Por conta disso, sua economia ruiu, o desemprego caminha para os 20% e por aí segue. Só que os bancos espanhóis não demonstram qualquer problema com a crise e o Real Madrid contrata Kaká e Cristiano Ronaldo numa penada só!!

9. Brasil Investment Grade: puxa, levamos um século para chegar lá e..e daí? O mundo rico se espatifou e não há linhas de crédito disponíveis. E o mais emblemático é que continuamos com nosso rating (BBB) ainda pior que países que estão na lona, como USA, UK, Alemanha e Japão.

10. SELIC em um dígito: mais outro século de espera e finalmente chegamos a um juro básico de 9,75%. E ao invés dos rojões espoucarem no céu, como em Copacabana na virada do ano, agora só se fala do spread bancário. Até que enfim resolveram focar no problema maior! A imensa maioria das empresas e cidadãos paga várias SELIC’s por ano (3, 4, 5…10 ou mais).

11. Solidez dos bancos brasileiros: boa parte da sociedade ‘entrou em curto’, pois não sabia se aplaudia nosso sistema financeiro pela solidez – que nos permitirá a sair mais rápido da crise – ou se baixava o sarrafo neles, por conta dos juros altos cobrados. São os dois lados de uma mesma moeda…que na verdade tem três lados (?!): nossos bancos não entraram na farra do subprime por que não precisavam correr riscos, uma vez que já ganham muito com o ‘arroz-feijão’. Do contrário teriam entrado também.

Are baba!

Fernando

PS: poste também o seu “Delírio” favorito…ou questione os meus!!

Quem viveu, viu! Apesar da queda lenta, finamente chegamos lá: o Brasil tem pela primeira vez na sua história moderna uma taxa de juros básica de 1 dígito!

Perdemos também a ‘medalha de ouro’ dos juros reais mais altos do mundo, i.e. SELIC menos a inflação projetada. Porém, se considerarmos os juros cobrados pelo sistema financeiro ainda somos ‘ouro’ com folga.

Mas a queda da SELIC ajudará os endividados em geral, pois:

  1. Os bancos e financeiras reduzirão os juros dos empréstimos, mesmo que pouco.
  2. Os títulos públicos renderão pouco – para os nossos padrões! -, o que motivará bancos e investidores a correrem mais riscos para ganhar mais, i.e. bancos emprestarão mais e investidores procurarão por ativos de crédito (e.g. debentures).
  3. A competição pelo crédito, i.e. bancos querendo emprestar para você e para sua empresa, lhe permitirá algum poder de barganha e o spread cairá.
  4. As bolsas se beneficiarão também, pois isto fará bem para os lucros das empresas, sem falar que, desde os tempos “em que os bichos falavam”, queda de juros leva fluxo financeiro para as bolsas.

Mas, seguindo o meu mantra, não contem com os bancos dando dinheiro para qualquer um, como em 2007 e parte de 2008! O retorno do crédito será um processo lento e seletivo. As PME’s, campeãs de calote nesta crise, continuarão com pouca oferta e custo financeiro alto.

Quem não profissionalizar suas relações com bancos continuará com pouco crédito, pagando juros altíssimos…e reclamando no vazio, como se o destino fosse malvado!

Mais quedas? – a SELIC está encontrando o seu piso. Pelo que entendi, dois votos do COPOM foram por uma queda menos agressiva (hoje caiu 1%). Se a atividade industrial (i.e. a tal Formação Bruta de Capital Fixo, ou FBCF) continuar fraca, a SELIC cairá mais 1 ponto, do contrário, será mais 0,5%. O PIB dirá.

De qualquer forma, é hora de comemorar!!

Abs, F.

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