Caríssimos,

Ontem, 5af, eu participei de um jantar de presidentes de empresas, a convite da super consultoria AT Kearney (obrigado, Silvana!). O evento, de 1a linha, teve como convidado de honra – e palestrante – Martin Walker (leia aqui uma mini bio dele), diretor global da consultoria. E eu ainda tive a sorte de sentar-me na mesa dele. 

Este escocês, que deve ter uns 60 anos, é de uma simpatia sem igual, em nada parecendo com os estereótipos que fazemos dos gurus – sim, ele é um guru no campo da economia, geopolítica e negócios.

Durante sua palestra e conversas no jantar, Mr. Walker pintou um quadro bastante negativo sobre a economia mundial, ainda que sempre com um sorriso nos lábios – bem diferente do estilo Roubini de ser – e ainda assim se definiu com um “otimista”.  Sua visão:

  • Esta crise tende a ter um perfil de W, i.e. os governos do mundo estão despejando dinheiro para terminar a derretida dos PIB’s e logo as economias tenderão a se recuperar.
  • Porém, esta recuperação econômica não deverá durar, porque deveremos gerar inflação por conta da super oferta de moeda sem lastro, assim como os juros tenderão a subir, para dar conta dos déficits fiscais que serão gerados pelos governos.
  • Para quem espera (ou torce para) que a China segure o crescimento mundial, Martin Walker explica que os chineses fantasiam suas estatísticas e que o crescimento por lá será bem mais tímido do que fazem parecer. Sua fonte: o crescimento negativo da utilização de energia elétrica.
  • Os americanos ainda terão de conviver com a crise de crédito dos cartões de crédito, o que reduzirá ainda mais a sua capacidade de consumo. E como o “grande cliente do mundo” é o consumidor americano – e este estará combalido por vários anos –, as economias acostumadas a produzir e exportar para os EUA ficarão deprimidas por muito tempo, criando uma espiral negativa na economia global.
  • Depois disto tudo, ele ainda se diz otimista? Por que? Porque o mundo se reinventará. Iremos inovar na direção de salvar o planeta. Seremos mais eficientes e esbanjaremos menos. O homem será um animal mais frugal em termos de consumo.
  • E o Brasil? É o país do futuro, pois tem população grande, área grande, capacidade de produzir alimentos, petróleo e minérios à vontade.

Para quem quiser conhecer mais a visão de M.Walker, é só clicar aqui e ler vários papers que a AT Kearney disponibiliza.

E para concluir, segue o link de uma boa entrevista que a Miriam Leitão fez com ele.

Abraços e ótimo fim de semana para todos,

Fernando