Quem viveu, viu! Apesar da queda lenta, finamente chegamos lá: o Brasil tem pela primeira vez na sua história moderna uma taxa de juros básica de 1 dígito!

Perdemos também a ‘medalha de ouro’ dos juros reais mais altos do mundo, i.e. SELIC menos a inflação projetada. Porém, se considerarmos os juros cobrados pelo sistema financeiro ainda somos ‘ouro’ com folga.

Mas a queda da SELIC ajudará os endividados em geral, pois:

  1. Os bancos e financeiras reduzirão os juros dos empréstimos, mesmo que pouco.
  2. Os títulos públicos renderão pouco – para os nossos padrões! -, o que motivará bancos e investidores a correrem mais riscos para ganhar mais, i.e. bancos emprestarão mais e investidores procurarão por ativos de crédito (e.g. debentures).
  3. A competição pelo crédito, i.e. bancos querendo emprestar para você e para sua empresa, lhe permitirá algum poder de barganha e o spread cairá.
  4. As bolsas se beneficiarão também, pois isto fará bem para os lucros das empresas, sem falar que, desde os tempos “em que os bichos falavam”, queda de juros leva fluxo financeiro para as bolsas.

Mas, seguindo o meu mantra, não contem com os bancos dando dinheiro para qualquer um, como em 2007 e parte de 2008! O retorno do crédito será um processo lento e seletivo. As PME’s, campeãs de calote nesta crise, continuarão com pouca oferta e custo financeiro alto.

Quem não profissionalizar suas relações com bancos continuará com pouco crédito, pagando juros altíssimos…e reclamando no vazio, como se o destino fosse malvado!

Mais quedas? – a SELIC está encontrando o seu piso. Pelo que entendi, dois votos do COPOM foram por uma queda menos agressiva (hoje caiu 1%). Se a atividade industrial (i.e. a tal Formação Bruta de Capital Fixo, ou FBCF) continuar fraca, a SELIC cairá mais 1 ponto, do contrário, será mais 0,5%. O PIB dirá.

De qualquer forma, é hora de comemorar!!

Abs, F.