Este Milênio começou com crise (da Bolha da Internet) e, depois de uma pausa de crescimento sem igual, passou a conviver com uma crise igualmente sem igual. Mas outras esquisitices chamam a minha atenção. Vejamos:

1. Consumo dos americanos: eles têm de consumir mais do que nunca – o que só seria possível se tomassem ainda mais empréstimos -, pois o mundo não sairá da recessão enquanto a ‘locomotiva’ do mundo não voltar a operar. Só que os bancos não têm como financiá-los ainda mais, até porque os americanos já estão endividados até o pescoço…

2. Lula e o FMI: o nosso Presidente afirmou – aos berros – que aqui no Brasil “muita gente torce para as coisas darem errado, para o Lula dar errado”, mas que não contém com isto não, porque hoje mesmo “eu emprestei USD 10 bi para o FMI. Eu disse ´tó, leva aí'”. Pode? É como se a maioria dos brasileiros tivesse saído da pobreza, nossas empresas estivessem cheias de crédito…

3. Falta de memória: a Bovespa já está negociando na pontuação pré-crise. Seria ótimo não fosse o fato das empresas cujas ações compõe o índice não estivessem sofrendo um bocado, por conta da contração econômica, aqui e lá fora. Pior, o inchaço, quer dizer, a alta das cotações se dá por conta de aplicações externas, que sumirão ao primeiro sinal de crise (seja lá de onde venha o sinal).

4. A Letônia: você conhece a Letônia? Não se culpe se a resposta for “não”, mas para não perder a viagem conheça-a melhor via Wikipedia. Pois bem, esta potência econômica está a beira do colapso, pelos mesmos motivos que nós Brasileiros sofremos na década de 90. E só se fala nisso nas rodas financeiras estes dias! Faz favor…

5. Chuva de dólar: pois é, nunca choveu tanto na história deste país, com efeitos trágicos no Norte e no Nordeste – sem falar em Santa Catarina ano passado. Mas aqui o assunto é chuva de dólar; justo o dólar “cigano” que mais atrapalha do que ajuda…vai entender!

6. Exportador se arrebenta com alta do dólar: é notícia velha, mas Sadia, Aracruz, VCP, Vicunha e metade das usinas de açucar e alcool…e mais meio-mundo que ficou na moita (junto com os bancos, que trataram de rolar as dívidas e seguir como se nada tivesse acontecido). Bancos e exportadores deram uma de espertos e se arrebentaram – os primeiros por venderem bombas atômicas de efeito retardado para quem não sabia o que estava comprando, e os segundos por terem comprado os ‘artefados’.

7. Financiamento de automóveis em 5, 6, 7 anos: o absurdo continua. O Banco Central deveria investigar direitinho se estes bancos estão com ativos e passivos bem casadinhos. Já os pobres compradores…seus carros não valerão o combustivel no tanque e eles ainda estarão pagando juros. Se por um lado a economia real agradece, o meio-ambiente chora.

8. Espanha: depois dos EUA e do Reino Unido (Islândia e Letônia não contam, ok?), a Espanha é o país que enfrenta a pior crise na contrução civil. Por conta disso, sua economia ruiu, o desemprego caminha para os 20% e por aí segue. Só que os bancos espanhóis não demonstram qualquer problema com a crise e o Real Madrid contrata Kaká e Cristiano Ronaldo numa penada só!!

9. Brasil Investment Grade: puxa, levamos um século para chegar lá e..e daí? O mundo rico se espatifou e não há linhas de crédito disponíveis. E o mais emblemático é que continuamos com nosso rating (BBB) ainda pior que países que estão na lona, como USA, UK, Alemanha e Japão.

10. SELIC em um dígito: mais outro século de espera e finalmente chegamos a um juro básico de 9,75%. E ao invés dos rojões espoucarem no céu, como em Copacabana na virada do ano, agora só se fala do spread bancário. Até que enfim resolveram focar no problema maior! A imensa maioria das empresas e cidadãos paga várias SELIC’s por ano (3, 4, 5…10 ou mais).

11. Solidez dos bancos brasileiros: boa parte da sociedade ‘entrou em curto’, pois não sabia se aplaudia nosso sistema financeiro pela solidez – que nos permitirá a sair mais rápido da crise – ou se baixava o sarrafo neles, por conta dos juros altos cobrados. São os dois lados de uma mesma moeda…que na verdade tem três lados (?!): nossos bancos não entraram na farra do subprime por que não precisavam correr riscos, uma vez que já ganham muito com o ‘arroz-feijão’. Do contrário teriam entrado também.

Are baba!

Fernando

PS: poste também o seu “Delírio” favorito…ou questione os meus!!