Amigos,

Eu não sou economista, mas fui um bom aluno de economia quando estudei Administração de Empresas, na FGV, em…terá sido no século 19 ou faz menos tempo? Como faz muito tempo e o meu “reservatório intelectual” não é dos mais maiores, eu resolvi guardar apenas um conhecimento de macroeconomia, que é a fórmula do Equilibrio Macroeconômico.

Ela me é absurdamente útil para analisar a conjuntura econômica, o estado do crédito no país, etc. E é por isso que eu divido com vocês os meus parcos conhecimentos sobre o tema.

Conjuntura – no Brasil, a situação do crédito já esteve pior, não há dúvida, mas ainda assim estamos longe do ideal. E por três motivos:

  1. Os bancos e as seguradoras de crédito corporativo continuam colecionando problemas de crédito, o que reduz o apetite de risco desta turma. Menos crédito ofertado = preço mais alto pelo crédito (juros pra cima!).
  2. Bancos e investidores internacionais também continuam sem apetite para crédito nos seus próprios países, muito menos para o nosso. (idem)
  3. As empresas também perderam interesse no crédito. Menos crédito demandado…juros mais baixos para quem nega a oferta dos bancos.

É isso mesmo: a oferta e a demanda por crédito andam retraídas nestes dias de ressaca econômica – e não é só por causa dos bancos, pois muitas empresas brecaram também.

Isto posto, olhando para a equação do equilíbrio macroeconômico, temos que:

Y = C + I + G + (X – M), onde:

Y = Demanda agregada, ou PIB

C = Consumo das famílias (i.e.  aluguel, alimento, escola)

I = Investimento das empresas (i.e. máquinas, equipamentos)

G =Gastos do governo (custeio + investimentos)

(X – M) = Saldo da balança comercial, ou exportações menos importações

Algumas contrapartidas desta fórmula são:

  • C demanda W (do inglês “wages”, ou salários) e crédito disponível.
  • I demanda S (do inglês “savings”, ou poupança) e crédito disponível.
  • G demanda T (do inglês “tax”, ou impostos) e crédito disponível. 

Observações sobre os pontos acima: no Brasil W é baixo demais, mas a massa salarial vem crescendo, graças à política do governo Lula, que vem aumentando o salário mínimo além da inflação e aumentando seu poder de compra graças ao Bolsa Família. Já S é mais baixo ainda, pois temos carências de sobra e hábitos consumistas excessivos para a renda que temos, i.e. poupa-se pouco no Brasil. E T? Bem, T não para de subir no Brasil, graças a eficiência arrecadatória da Receita Federal.

Fácil, não é? Pois bem, considerando-se que no Brasil W e S são baixos, a única forma para o agregado C + I + G + (X – M), i.e. o PIB, crescer é que haja crédito, muito crédito disponível, para que os agentes econômicos possam financiar seus gastos. E neste, como andará o quadro deste agregado Y (ou PIB)?

C = o consumo vai mais ou menos bem porque o crédito para o consumidor continua firme, segurando o PIB. Mas como este consumo não é explosivo, varejistas e industriais não vislumbram investimentos para suprir a demanda. As empresas estão tomando crédito, em sua imensa maioria, apenas para capital de giro.

I = nossa indústria já vinha investindo consideravelmente nos anos anteriores (nível de 18% do PIB) e não irá ampliar a capacidade, pois: (a) os juros estão altos, (b) há falta de fontes de crédito de longo-prazo e (c) há incertezas quanto ao crescimento econômico. É por isso que o setor fabricante de máquinas e equipamentos está vendendo tão pouco e o BNDES vive anunciando que os pedidos para suas linhas vêm caindo tanto.

G = este é um setor que gasta com gosto, até para compensar a anemia dos demais parceiros de demanda agregada – o que entra no caixa do governo via T, sai em G – 🙂 – só que a grande crítca é que o governo gasta mal (muito custeio da máquina pública  e pouco em investimentos em infra-estrutura).

(X – M) = o quadro é depressivo, pois o mundo desenvolvido está deprimido e compra muito menos do que temos para oferecer. Vide os preços das commodities e os alto-fornos desligados das siderurgícas. O crédito para o comércio exterior está mais normalizado (graças ao Banco Central e ao Banco do Brasil), mas custando bem mais do que antes.

Isto tudo posto, é natural que nossas empresas estejam tímidas na captação de crédito. Algumas consequências:

  • O spread bancário vem caindo para as grandes empresas, assim como para aquelas não tão grandes mas que se apresentam para os bancos de maneira profissional.
  • Os bancos, que precisam ganhar dinheiro e não querem risco com as menores, acabam por canalizar suas linhas para as grandes e a competição reduz o spread que elas pagam. Só isso.
  • Assim que a inadimplência da PJ e do Middle Market se acalmar, veremos os bancos brigando novamente para emprestar para estas, o que puxará ainda mais o spread para baixo. Daqui a 1 ano, os spreads que a Nestlé, Perdigão, Basf, etc., pagam estará tão baixo que os bancos passarão a brigar pelas empresas do Middle Market. Nada de novo, sempre foi assim.

Mas atenção: os bancos e seguradoras de crédito aprenderam a lição e não irão mais distribuir crédito longo, barato e sem garantias para qualquer um, como fizeram até setembro de 2008.

É isso. Espero que a fórmula do equilibrio macroeconômico torne-se útil para vocês, assim como vem sendo para mim…nos últimos séculos! 🙂

Abraços, F.

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