julho 2009


Semana passada eu conversei com dois empresários de médio porte, que são atendidos por plataformas de Middle Market. Os dois têm ótimos produtos, mas sempre foram gerenciados de forma amadora. Agora se profissionalizaram, mas a contabilidade ainda não reflete a nova gestão – isso demora pelo menos 1 ano.

Estão precisando de crédito. Um teve uma oferta a 1,7% a.m. e o outro a 1,65% a.m. Isto significa 22% a.a., ou um spread de 12,5% a.a. Notem que eles pagam 2,5 vezes a SELIC – daí a minha eterna luta para que se discutisse o spread e não mais a SELIC.

De acordo com o Relatório do Banco Central, os juros médios para as empresas estão em 28,5% a.a., i.e. meus interlocutores, ao pagarem 22% a.a., pagaram um tantinho abaixo da média (que inclui pequenos varejistas, nano-empresas, etc.).

Podem pagar menos, mas precisarão se apresentar melhor para os bancos, estruturando-se melhor para isso.

Abraços, F.

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Prezados amigos,

A SELIC caiu mais 0,5% e foi fixada em 8,75% a.a. – recorde histórico. Não esperem novas quedas.

Já os juros, que embutem o spread bancário, ainda podem cair mais um pouco, mas isto não depende do governo. Depende de você.

O Estadão de ontem trouxe reportagem de Leandro Modé, que me entrevistou. Eu repeti a eterna ladainha: juros não caem por decreto, discurso ou oração…cabe a cada um de nós se apresentar corretamente para os bancos, profissionalizar o relacionamento com eles, sempre visando reduzir a percepção de risco que eles têm de você e sua empresa.

Só assim a oferta de crédito aumenta e você pode barganhar mais, entre um banco e outro. Aí os juros caem. Palavra de escoteiro.

Na reportagem, um professor não identificado diz que “os bancos aproveitam que o produto que vendem (dinheiro) está escasso para cobrar mais“. Eu não sei se ele quis dizer isso para criticar os bancos ou para explicar o fato em sí. De qualquer forma, a frase é absolutamente correta, pois a precificação dos juros segue a lei da oferta e da procura. Igualzinho ao que acontece com tomate e banana na feira, ou aluguel de imóveis, entrada do cinema, etc.

Na minha visão, a oferta de crédito tende a aumentar:

  1. SELIC baixa desencoraja o investimento em títulos públicos e os bancos e investidores passam a procurar créditos que tragam uma adequada relação entre risco e retorno.
  2. Os bancos aprenderam a emprestar. O fizeram de forma exagerada, assim como se retrairam excessivamente. Mas voltarão a emprestar mais, aos poucos.

Faça a sua parte: profissionalize a sua relação com os bancos. Negocie, busque taxas mais baixas e as encontrará (*).

Abraços,

Fernando

PS: dá trabalho, mas vale a pena!

Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza…”

Assim cantava, na distante e charmosa década de 70, o controverso Wilson Simonal. Mais ufanista do que esta, só aquela “Este é um país que vai pra frente…”, cuja letra parece ter sido ditada pelo então Ministro-chefe da Casa Civil, General Golbery do Couto e Silva – eu disse Casa Civil? Velhos tempos… 🙂

Mas é isso: somos ufanistas, bem humorados, otimistas, pensamos positivamente, não tem crise que abale a nossa confiança…e não estamos nem ai para os juros altos.

É só por isso que os dados recém divulgados sobre intenções de consumo estão em níveis pré-setembro de 2008. E eu digo: que bom! Se tivéssemos a cabeça dos europeus, o país estaria numa recessão daquelas, ainda que os juros estivessem lá embaixo (lógico, porque os meus amigos europeus me dizem que os juros verde-amarelo são ultrajantes e que não comprariam nada a prazo se aqui morassem).

Se por um lado este novo boom de consumo é ‘patrocinado’ pela oferta de crédito, por outro lado a inadimplência não para de subir e essa conta não fecha…

Mas a melhor notícia que tenho mesmo é que as siderúrgicas começam a dar sinais de retomada de produção, i.e. ajustaram seus estoques e a demanda da construção civil, de infraestrutura e bens de consumo duráveis mostra-se firme.

Boas notícias! “Moro, num país tropical…”

Abraços, F.

Eu gosto muito do Barack Obama. Eu teria votado nele; eu teria feito campanha pra ele – ele é “O Cara”. Pois agora ele veio e disse na cara de todo mundo, o que ninguém tem peito de admitir:

“Não contem com o consumo dos americanos, para que a economia internacional se reaqueça. Isto levará muito tempo”.

Simples, óbvio e genial. Foi um recado à la Henrique Meirelles, que não entende o porquê de tanto otimismo – eu também não entendo!

Lá fora, não há crédito disponível (porque os bancos estão descapitalizados) e o consumidor já está endividado demais; sem falar no risco de perder o emprego a qualquer momento (são meio milhão jogados na rua todo mês). Então, vão consumir o quê, Cara Pálida?!

É o que me disse em janeiro, pessoalmente, Mr. Keneth Rogoff, de Harvard: os EUA crescerão entre 1% e 2% ao ano, nos próximos 10 anos, i.e. a locomotiva do mundo andará em marcha lenta, sugerindo que o mundo não crescerá muito mais rápido do que isso também. E já sabemos que China, Índia, Brasil et caterva não tem como substituir o mundo (ex) risco à altura.

E o Brasil? Bem, o competente Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem, num tom pra lá de otimista, que nosso país crescerá entre 4% e 5% a partir de 2010. Voltarei ao tema.

Hare baba! Abs, F.

Amigos,

O blogueiro está vivo – ou quase.. -, mas a agenda de problemas está insana.

Lendo e ouvindo:

  1. Declarações do novo presidente da Nossa Caixa (subsidiária do BB)
  2. Anúncios de novas linhas de crédito do BB
  3. Discurso da Maria Fernanda, da CEF, em evento da ADVB na 2af
  4. As ‘ginásticas’ feitas pelo BNB para aprovar tudo que lhe pedem
  5. A luta do BNDES para conseguir funding para emprestar mais

… eu concluo e afirmo: PRECISAS DE DINHEIRO? CORRA PARA UM BANCO PÚBLICO!!

E os bancos privados? O foco é na pessoa física. Ainda há muita incerteza na pequena e média empresa e a inadimplência ainda não cedeu. Eu que o diga…

Abraços, F.