agosto 2009


É o que escreveu o jornal Valor de ontem e é o que ouvi do maior banqueiro de comércio exterior do país.

É fato que os bancos brasileiros deixaram de utilizar – e estão até pré-pagando – as linhas de emergência que o Banco Central colocou à disposição no pico da crise. Fazem isso porque tem linhas suficientes (e mais atrativas) de bancos e investidores internacionais.

Isto ocorre porque parte da pouca liquidez internacional está sendo alocada no Brasil, pois:

  1. O Brasil está entupido de reservas em moeda forte, o que nos torna um país de risco baixíssimo quanto a calotes na dívida externa.
  2. Os bancos brasileiros, que são os grandes captadores destas linhas, são sólidos, acima de qualquer suspeita.
  3.  Ainda pagamos bons spreads.

Porém, o que ninguém escreveu é que banco algum está com apetite aberto para financiar o comércio exterior de todos que demandam. Além disso, o preço das commodities despencou – e parte do volume também caiu -, o que significa menor valor da exportação e, portanto, do financiamento necessário para esta.

As notícias sempre precisam ser relidas, ‘traduzidas’…não há dúvida que o momento é bom, mas não o é para todo mundo! O momento está bom para os grandes e sólidos.

E os pequenos e médios? Estes devem fazer a lição de casa e praticar Relacionamento Bancário de forma profissional. Só assim conseguirão mais linhas.

Abraços, F.

Olá, vamos discutir duas notícias recém divulgadas:

  1. Fato 1: “O crédito cresceu 19% no Brasil, na comparação com os últimos 12 meses”.
  2. Fato 2: “O crédito cresceu 1,5% no Reino Unido, na comparação com os últimos 12 meses”.

Qual é a melhor notícia? Lendo assim, de sopetão, qualquer um diria que deveríamos comemorar a situação do Brasil. E foi exatamente este o tom da manchete do Estadão desta semana. Já no Reino Unido, ela foi recebida com a ressalva de que foi a menor taxa de crescimento dos últimos anos, i.e. uma recepção negativa!

Acontece que as duas taxas são muito similares (19% e 1,5%) em termos de crescimento efetivo do crédito para a sociedade. Explico:

  • Primeiramente, tivemos em 15 de setembro uma machadada na oferta de crédito no Brasil, pois aqui os empréstimos são de curto-prazo. Lá fora o crédito enxugou também, mas muito menos do que aqui.
  • No Reino Unido e no resto dos países industrializados, o volume de crédito é gigantesco faz tempo e é pouco sujeito a oscilações de oferta. No Brasil é o contrário. Crédito para empresas pequenas e para o povão é novidade por aqui.
  • Como o nosso estoque de crédio vinha crescendo a uma taxa de 25% a.a., estes 19% acumulados junho ’09 x ’08 significa uma drástica redução do crescimento da oferta.
  • No fundo, esta informação é inútil se não for comparada com nada: se comparada com o mês anterior mostra que o crescimento efetivo foi pífio ou negativo; se compararmos com os 12 meses findos em maio ou qualquer outro mês, veremos que a redução é grande.
  • Já no Reino Unido, que teve o seu sistema financeiro quase dizimado – ao contrario daqui -, a oferta cresceu “vegetativamente”, i.e. perto da inflação do período.

A comparação do estoque de crédito da economia ano a ano, só voltará a ser útil e relevante a partir do próximo mês de outubro, quando os efeitos do corte brutal da oferta de crédito novo, a partir de 15 de setembro de 2008, já tiverem sido absorvidos pelas estatísticas.

Portanto, e reforçando o óbvio, cuidado com as estatísticas! Dependendo da base de comparação utilizada elas são mentirosas ou gozadoras.

Abraços, F.