Pois é, amigos, e não é que a Crise fez aniversário e completou 1 ano! Bem, eu (e o mundo) estou assumindo como data do parto – o marco zero – a quebra do banco Lehman Brothers, que desencadeou a famosa hecatombe financeira.

De fato mesmo, a crise havia começado há pouco mais de um ano, quando o crédito subprime foi, enfim,  considerado… subprime, i.e. que daria calote nos seus credores. Mas deixa pra lá, fechemos com 15 de setembro de 2008.

Não foi por coincidência que Barack Obama foi hoje a Wall Street apresentar – de novo – como será a reengenharia que ele deseja implementar nos mercados financeiro e de capitais dos EUA – e a partir daí tentar disseminá-lo globalmente, via G-20. Destaque para a picardia de Obama: ele se deu o trabalho de ir até NY para falar mal dos bancos e dos mercados na própria casa deles!

Mas olhando o estrago e tentando adivinhar o futuro, onde estamos:

  1. Filosoficamente falando, pouco mudou. O “cassino” só está menor porque existe menos dinheiro disponível.
  2. Securitizar tudo que for possível, fazer IPO’s de qualquer empresa e especular com ativos financeiros faz parte da essência de bancos e investidores – e continuará sendo.
  3. O que deverá mudar é a regulamentação dos mercados, para que se evite o chamado risco sistêmico. Mas fazer tais mudanças institucionais nos EUA não é fácil Lá, existe muito banco (mais de 6 mil), muitos tipos de fundos, muita liberalidade financeira, muitos reguladores que se confundem e, riam, excesso de democracia.
  4. Vale destacar que bancos, banqueiros e investidores aprenderam que governos não deixam bancos quebrar. E isso é gera um precedente perigo, pois incentiva o risco irresponsável. Como reverter este quadro é um desafio dos deuses!
  5. O mundo rico ainda está em crise? Depende como você define crise. Eu acho que a crise acabou. O que temos agora é uma economia global fraca, anêmica, pois falta capital e apetite de risco para que o crédito volte a fluir.

Agora é ter paciência, muita paciência…

E no Brasil? Foi marolinha mesmo?

  1. Foi nada, foi é tsunami mesmo! Repentino, violento e rápido. Veio, matou e foi embora, deixando um rastro de destruição.
  2. Economicamente falando, estamos na mesma situação das economias ricas: sem crise, mas com a economia crescendo pouco – ainda que crescendo muito mais do que a deles.
  3. Nosso país teve muita sorte, porque os anos com as commodities valorizadas mais os investimentos estrangeiros encheram o caixa das Reservas Internacionais. E tivemos também muita competência, porque nossos bancos eram (e são) sólidos, um mercado interno predominante e pouca exposição internacional. Nossos defeitos viraram virtudes!
  4. Ah sim, e palmas para o nosso povo, que ignorou a crise e continuou comprando e se endividando – e agora quebrando, como muitos estão…

A economia mundial já está e continuará mais difícil de se administrar. Até 2008 era só alegria, todo mundo comprava, tinha crédito para quase qualquer um, etc. Ou seja, risco baixo! Depois, foi o show de horrores que inverteu a tendência, sendo mais fácil vender tudo para limitar perdas.

Ou seja, estamos mal acostumados, porque há muitos anos que temos uma clara uma linha direcional para indicar nossas decisões de negócios. Agora não mais. As cotações e tendências de ativos reais e financeiros serão mais incertas. Subirão e cairão, como tem de ser.

Durante o período de euforia, que acabou em 15 de setembro, agentes econômicos medíocres sobreviviam, se valorizavam, etc. Bons tempos. O mundo ficará mais difícil, o que trará de volta o Darwinismo Capitalista, i.e. não haverá espaço para qualquer um, mas só para aqueles mais adaptados para períodos difíceis. Quem não se estruturar gerencialmente vai quebrar, porque, no mínimo, o crédito será difícil para este tipo de empresa.

É isso. Vamos assoprar as velinhas!

Fernando