Crédito Pessoa Física


Não, eu não irei comentar a famosa canção do Legião Urbana sob a sua ótica original, que tratava das lambanças políticas e injustíças sociais tupiniquins.

Aliás, muito pelo contrário. O foco aqui é o festival de boas notícias econômicas. Só para ficar com o Estadão de hoje temos:

1. “Ritmo das montadoras gera protestos”

Sim, os trabalhadores daqui estão reclamando da carga de trabalho, do cancelamento das férias, etc. Lá fora o protesto é por falta de emprego, fechamento de fábricas e por aí segue.

2. “Microempresas retomam contratações”

Segundo pesquisa do SIMPI, 11% das empresas pesquisadas contrataram e apenas 2,8% demitiram. Há um ano, 30% delas falavam em demissão. Lá fora, ninguém contrata ninguém.

3. “Caixa bate recorde em crédito para casa própria”

Ainda que esta seja mais uma ação de política governamental do que propriamente empresarial, o que vale é que o crédito imobiliário no Brasil cresce de forma vigorosa (inclusive no setor bancário privado) e saudável. O crédito imobliário no Brasil é fundamental para o desenvolvimento econômico, gera emprego, não é tão caro como as demais linhas de crédito…e continua isento de “bolhas”.

Que país é esse?

Abraços, F.

Quem viveu, viu! Apesar da queda lenta, finamente chegamos lá: o Brasil tem pela primeira vez na sua história moderna uma taxa de juros básica de 1 dígito!

Perdemos também a ‘medalha de ouro’ dos juros reais mais altos do mundo, i.e. SELIC menos a inflação projetada. Porém, se considerarmos os juros cobrados pelo sistema financeiro ainda somos ‘ouro’ com folga.

Mas a queda da SELIC ajudará os endividados em geral, pois:

  1. Os bancos e financeiras reduzirão os juros dos empréstimos, mesmo que pouco.
  2. Os títulos públicos renderão pouco – para os nossos padrões! -, o que motivará bancos e investidores a correrem mais riscos para ganhar mais, i.e. bancos emprestarão mais e investidores procurarão por ativos de crédito (e.g. debentures).
  3. A competição pelo crédito, i.e. bancos querendo emprestar para você e para sua empresa, lhe permitirá algum poder de barganha e o spread cairá.
  4. As bolsas se beneficiarão também, pois isto fará bem para os lucros das empresas, sem falar que, desde os tempos “em que os bichos falavam”, queda de juros leva fluxo financeiro para as bolsas.

Mas, seguindo o meu mantra, não contem com os bancos dando dinheiro para qualquer um, como em 2007 e parte de 2008! O retorno do crédito será um processo lento e seletivo. As PME’s, campeãs de calote nesta crise, continuarão com pouca oferta e custo financeiro alto.

Quem não profissionalizar suas relações com bancos continuará com pouco crédito, pagando juros altíssimos…e reclamando no vazio, como se o destino fosse malvado!

Mais quedas? – a SELIC está encontrando o seu piso. Pelo que entendi, dois votos do COPOM foram por uma queda menos agressiva (hoje caiu 1%). Se a atividade industrial (i.e. a tal Formação Bruta de Capital Fixo, ou FBCF) continuar fraca, a SELIC cairá mais 1 ponto, do contrário, será mais 0,5%. O PIB dirá.

De qualquer forma, é hora de comemorar!!

Abs, F.

Caros, o crédito veio com força na mídia impressa hoje. Os diários Estadão, Folha de SP e Valor Econômico trouxeram vários artigos sobre o tema, todos na mesma direção: mais crédito e juros mais baixos no Brasil.

Destaque para o Banco do Brasil, que anunciou a liberação de mais de R$ 13 bilhões em crédito, para 10 milhões de clientes. A reportagem da Folha diz que este crédito foi adicionado automaticamente às linhas já existentes destes clientes.

Isto significa que são linhas para pessoas físicas e pequenas empresas, pois as grandes têm seus limites definidos caso-a-caso em comitês de crédito. Também me é claro que este aumento de limites não se deu de forma homogênea para todos os 10 milhões de atingidos. Tem gente que ganhou mais linha e outros menos, sempre dependendo do perfil de risco de cada cliente, com base no chamado credit/behavior score.

De qualquer forma, esta pode ser uma ótima oportunidade para cidadãos e empresas que já têm conta no BB, assim como dívidas em outras bancos e financeiras. Explico: como tais clientes devem estar pagando juros mais altos em outros bancos, deveriam negociar crédito novo no BB e repagar tais dívidas.

Outros bancos também vêm anunciando melhores condições para empréstimos imobiliários e para financiamento de automóveis – com prazos bem dilatados. No entanto, o processo de concessão está mais rígido! Tais créditos não serão dados para qualquer um – ver post anterior.

E mais, eu não acredito que este movimento seja apenas um “soluço”, ou seja, temporário, como alguém declarou no Estadão. Acho que a oferta de crédito começa a se ajustar num novo patamar, que é mais baixo do que nos dias da farra pré-crise e acima do quase contingenciamento pós-15 de setembro.

Mas e os bancos, ficaram bonzinhos de repente? Não…apenas detectaram que o risco de crédito não ficou tão ruim como esperavam, limparam as carteiras de maus neoendividados e, finalmente, detectaram que estavam lucrando menos que o desejado.

Mercado de bonds internacionais – outra boa notícia vem do mercado de capitais internacional, com o aumento do apetite de risco dos investidores para títulos (bonds) emitidos por empresas brasileiras de grande porte e solidez comprovada. Apesar dos juros ainda altos (para o padrão internacional, destaque-se), os volumes são grandes (até USD 100 mi) e os prazos longos (3 a 5 anos neste momento), o que é quase impossível de se obter no Brasil de hoje.

Com a reabertura deste mercado, as grandes empresas brasileiras – que estão no meio de projetos de expansão – poderão captar recursos no exterior, deixando de competir com as empresas de menor porte, por recursos escassos.

Concluindo, caminhamos consistentemente para um aumento da oferta de crédito bancário no Brasil, forçando com isso a queda dos juros/spreads. Ainda está caro. Mas,  quanto menos crédito você demonstrar precisar, mais barato pagará por ele. Não se esqueça desta regra de ouro!

Abraços, F.

Muita gente pergunta, diretamente ou via Google, “quando os juros (e os spreads) vão cair”. Obviamente o foco desta pergunta é: quando os juros cairão para as PF’s e PJ’s (pequenas e médias).

A resposta é simples: quando os bancos aumentarem a oferta de crédito para estes segmentos. E isto acontecerá quando eles tiverem mais segurança. Em outras palavras, só quando eles tiverem a percepção de que o risco destes clientes darem um calote diminuir. Enquanto isto não acontece a oferta é pequena e os juros altos.

Por enquanto, os bancos e investidores só olham com “carinho” para as grandes empresas, e.g. Nestlé, Perdigão, Pão de Açucar, Votorantim, etc. As óbvias de sempre.

No entanto, em breve estas empresas terão oferta excessiva de crédito e, como consequência, elas poderão barganhar muito mais e os juros que pagarão será muito mais baixo. É neste momento que dizemos que há um “empoçamento de liquidez”, pois a maior parte do crédito é directionado para elas.

Resultado: os bancos começam a ganhar pouco dinheiro com as mega empresas e se animam em emprestar para as médias…e depois voltam a emprestar para as pequenas. É sempre assim desde que o mundo é mundo.

Agora, cabe a você (seja PF ou PJ) posicionar-se corretamente para que os bancos te enxerguem como um risco baixo e, portanto, passem a canalizar mais crédito para você. Só isso fará com que os juros que VOCÊ paga caiam mais rapidamente.

Não se engane pensando que pelo fato da SELIC ter caído os seus juros cairão também. Não existe uma tabela de preços “imexivel” na frente do gerente. Ele te cobrará os juros que imaginar que você pagará – cabe a você fazê-lo perceber que a sua oferta de crédito no mercado é alta e que ainda merece mais.

É isso + abraços, F.

Este post é dedicado àqueles que acreditam em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, entre outros menos cotados.

“COMPRE SEU CARRO AGORA! COM ZERO DE JUROS!” Volto de levar as crianças na escola e escuto esta bizarrice no rádio do carro. Desta vez é a Ford anunciando – todas fazem a mesma coisa.

NÃO EXISTE JUROS ZERO! Como proceder:

  1. Peça (lute, chore, ameace, seduza por) desconto para o preço à vista.
  2. Ao receber o preço à vista você terá a certeza que havia juros embutidos no tal financiamento, i.e. neste momento você saberá que o vendedor e a empresa são mentirosos.
  3. Agora vá nas demais revendas de carros similares ou do seu interesse, e faça o mesmo teste.
  4. Desta forma você saberá quem vende à vista pelo menor preço e a prazo pela menor mensalidade.

E o mesmo raciocínio vale para empresários na hora de comprar matéria-prima, ou vender seus produtos. O dinheiro tem valor no tempo. Banco vive disso.

Faça como o Ricardo Boechat, âncora da Bandnews FM, e economize muito dinheiro.

Abraços, FB

A repórter Patrícia Cançado, do Estadão, nos brinda com interessante matéria entitulada “Empresas têm perdas bilionárias em 2008”.

Não deveria ser surpresa que as maiores empresas do país, justamente aquelas que têm acesso ao mercado internacional de crédito (muito mais barato), tivessem grandes prejuízos em 2008. A razão é simples: o Real se desvalorizou brutalmente no último trimestre do ano. As dívidas passivas, portanto, aumentaram de valor e a diferença foi jogada contra resultado.

A boa notícia, sob a ótica de caixa e de crédito, é que boa parte da dívida destas grandes empresas é de longo-prazo e, naturalmente, geram baixo impacto no caixa destas, pois serão pagas só no futuro. Ontem eu analisava o balanço do gigantesco frigorífico Bertin e vi que seus maiores vencimentos são pra lá de 2011.

Os bancos sabem ler balanço como ninguém e, apesar de todo conservadorismo do momento, sabem que o Bertin, assim como a maioria das empresas, não terá problema sério de caixa no curto-prazo. É aquela coisa: a aparência está feia, mas a saúde está boa.

Sadia e Aracruz – estas duas formam um capítulo à parte. Além do impacto que tiveram nos seus resultados em função do fator cambial acima, as duas (entre outras) sofreram também por conta daqueles derivativos famosos. Os prejuízos divuldados por Sadia e Aracruz, para 0 exercício findo em 2008, foram de R$ 2,4 bi e R$ 4,2 bi, respectivamente. A primeira está negociando sua venda para a concorrente Perdigão e a segunda já foi vendida para a VCP (Votorantim).

Caixa alto – outra coisa interessante – e positiva – que venho notando é que boa parte dos grandes grupos brasileiros está com o caixa cheio. O motivo seria que, como o crédito e o mercado acionario estavam festivos em 2008, estas empresas captaram muito dinheiro (via emissão de ações e/ou empréstimos de longo-prazo) e não haviam gastado tudo com aquisições ou investimentos em novas plantas (ou ampliação das atuais) antes do vulcão da crise entrar em erupção.

Cadeia de valor – talvez seja o fato acima que evitou um colapso maior da nossa economia, depois que o crédito de curto-prazo desapareceu e encareceu, para as médias e pequenas empresas. Explico: com as grandes cheias de caixa, elas puderam financiar suas cadeias produtivas, i.e. antecipando recursos para fornecedores e dando prazos para seus clientes.

Agora que os estoques começam a ser ajustados, por contas das massivas liquidações que testemunhamos diariamente pela TV e nos shopping centers, mais os balanços das empresas mostrando que a situação patrimonial destas vai bem, obrigado, tudo leva a crer que o crédito poderá voltar a fluir.

É só isso que precisamos para que o Brasil inicie um “círculo virtuoso” neste turbulento 2009.

Abraços a todos, FB.

Hoje cedo, quando eu vinha de levar as crianças na escola, ouvi o Ricardo Boechat, âncora do programa jornalístico matinal da Bandnews FM, dizer o seguinte:

Esse negócio de juros é assim: outro dia eu fiz um leasing de um carro e a taxa de juros que queriam me cobrar era de 1,9% a.m., mas eu falei com vários bancos, dei um tremendo calor num deles e acabei fechando por 1,3% a.m. Tá certo, deu um trabalhão, fiquei uns dois meses negociando, mas a taxa caiu.”

O Boechat fez o que:

  1. O BC deveria fazer, i.e. ensinar a população a se defender das altas taxas, ao invés de dizer “que está tudo normal” quando não está.
  2. O Ministério da Fazenda poderia fazer, ao invés do Ministro reclamar diariamente dos bancos e dos juros altos, quando isto não resolve a vida de ninguém.

O Boechat deveria ser canonizado por esta frase, que deveria ser repetida em horário nobre de rádio e TV.

Eu venho dizendo isto ‘ad nauseum’ por anos! O feirante abaixa o preço do tomate ou da laranja enquanto a demanda está aquecida, às 9 horas da manhã? Mas ele abaixa quando a demanda enfraquece às 13 horas.

Com o dinheiro (a mercadoria) e o gerente de banco (o feirante de grana) é a mesma coisa: quer moleza vai pagar caro. O Boechat ralou e comprou o carro dele (e com o que economizou de juros pôde pagar pelo DVD e GPS no carango novo dele).

Este é o post da semana. Abraços, F.

Próxima Página »