Economia


Não, eu não irei comentar a famosa canção do Legião Urbana sob a sua ótica original, que tratava das lambanças políticas e injustíças sociais tupiniquins.

Aliás, muito pelo contrário. O foco aqui é o festival de boas notícias econômicas. Só para ficar com o Estadão de hoje temos:

1. “Ritmo das montadoras gera protestos”

Sim, os trabalhadores daqui estão reclamando da carga de trabalho, do cancelamento das férias, etc. Lá fora o protesto é por falta de emprego, fechamento de fábricas e por aí segue.

2. “Microempresas retomam contratações”

Segundo pesquisa do SIMPI, 11% das empresas pesquisadas contrataram e apenas 2,8% demitiram. Há um ano, 30% delas falavam em demissão. Lá fora, ninguém contrata ninguém.

3. “Caixa bate recorde em crédito para casa própria”

Ainda que esta seja mais uma ação de política governamental do que propriamente empresarial, o que vale é que o crédito imobiliário no Brasil cresce de forma vigorosa (inclusive no setor bancário privado) e saudável. O crédito imobliário no Brasil é fundamental para o desenvolvimento econômico, gera emprego, não é tão caro como as demais linhas de crédito…e continua isento de “bolhas”.

Que país é esse?

Abraços, F.

Amigos,

Quem acompanhou este blog durantes os dias agudos da crise sabe bem que eu sou fã do Paul Krugman, professor de Princeton e Prêmio Nobel.

Pois ontem eu tive a experiência única de almoçar com ele durante a Expo Management, onde ele foi um dos convidados top. É que a Coface fechou um acordo com a HSM, que promove a Expo Management, e ofereceu um almoço com Paul Krugman para 40 clientes, que puderam fazer perguntas, debater. Uma experiência única para todos, de fato.

E por conta da minha posição na empresa pude “tietar” o nosso palestrante à vontade. 🙂

Algumas conclusões:

  1. O cara é uma simpatia e bastante simples – nada de “super star”!
  2. Como ele mesmo me disse, é bem mais baixo do que a gente espera. 🙂
  3. Como todo ser inteligente demais e com muita informação na cabeça, ele demonstra uma certa dificuldade para organizar as idéias para responder perguntas de…”mortais” como eu e você.

Ele me disse que após 2 dias no Brasil estava com o espírito mais otimista.  Só que como ontem mesmo voaria de volta para os EUA, para participar de uma reunião com o Grupo de Assessores Econômicos de Obama, em Washington,  seu otimismo voltaria ao normal rapidamente, i.e. pessimista…

O ano vai chegando ao fim e posso me orgulhar de uma coisa boba: em 2009 eu tive encontros reservados com dois (dos 30) assessores econômicos oficiais de B.Obama. Primeiro foi com o Keneth Rogoff, em janeiro, e agora com o Krugman.

Quando comentei este fato, ele me respondeu: “Rogoff has been doing a great analytical work, but he is more negative than I am”. É que Rogoff acredita que a economia americana andará de lado durante 10 anos (crescendo ao redor de 1% a.a.).

A seguir, leiam a visão de Paul Krugman neste link da Expo Management.

Abraços, F.

Amigos,

Segue o link para o texto que escrevi para a Revista França Brasil, da Câmara de Comércio dos dois países.

“A Nova Normalidade”

Disclaimer: é um texto que dá visão macro, o que não significa que teremos setores em expansão (petróleo) e outros em contração (exportadores de equipamentos para EUA/Europa).

Abraços,

Fernando

Pois é, amigos, e não é que a Crise fez aniversário e completou 1 ano! Bem, eu (e o mundo) estou assumindo como data do parto – o marco zero – a quebra do banco Lehman Brothers, que desencadeou a famosa hecatombe financeira.

De fato mesmo, a crise havia começado há pouco mais de um ano, quando o crédito subprime foi, enfim,  considerado… subprime, i.e. que daria calote nos seus credores. Mas deixa pra lá, fechemos com 15 de setembro de 2008.

Não foi por coincidência que Barack Obama foi hoje a Wall Street apresentar – de novo – como será a reengenharia que ele deseja implementar nos mercados financeiro e de capitais dos EUA – e a partir daí tentar disseminá-lo globalmente, via G-20. Destaque para a picardia de Obama: ele se deu o trabalho de ir até NY para falar mal dos bancos e dos mercados na própria casa deles!

Mas olhando o estrago e tentando adivinhar o futuro, onde estamos:

  1. Filosoficamente falando, pouco mudou. O “cassino” só está menor porque existe menos dinheiro disponível.
  2. Securitizar tudo que for possível, fazer IPO’s de qualquer empresa e especular com ativos financeiros faz parte da essência de bancos e investidores – e continuará sendo.
  3. O que deverá mudar é a regulamentação dos mercados, para que se evite o chamado risco sistêmico. Mas fazer tais mudanças institucionais nos EUA não é fácil Lá, existe muito banco (mais de 6 mil), muitos tipos de fundos, muita liberalidade financeira, muitos reguladores que se confundem e, riam, excesso de democracia.
  4. Vale destacar que bancos, banqueiros e investidores aprenderam que governos não deixam bancos quebrar. E isso é gera um precedente perigo, pois incentiva o risco irresponsável. Como reverter este quadro é um desafio dos deuses!
  5. O mundo rico ainda está em crise? Depende como você define crise. Eu acho que a crise acabou. O que temos agora é uma economia global fraca, anêmica, pois falta capital e apetite de risco para que o crédito volte a fluir.

Agora é ter paciência, muita paciência…

E no Brasil? Foi marolinha mesmo?

  1. Foi nada, foi é tsunami mesmo! Repentino, violento e rápido. Veio, matou e foi embora, deixando um rastro de destruição.
  2. Economicamente falando, estamos na mesma situação das economias ricas: sem crise, mas com a economia crescendo pouco – ainda que crescendo muito mais do que a deles.
  3. Nosso país teve muita sorte, porque os anos com as commodities valorizadas mais os investimentos estrangeiros encheram o caixa das Reservas Internacionais. E tivemos também muita competência, porque nossos bancos eram (e são) sólidos, um mercado interno predominante e pouca exposição internacional. Nossos defeitos viraram virtudes!
  4. Ah sim, e palmas para o nosso povo, que ignorou a crise e continuou comprando e se endividando – e agora quebrando, como muitos estão…

A economia mundial já está e continuará mais difícil de se administrar. Até 2008 era só alegria, todo mundo comprava, tinha crédito para quase qualquer um, etc. Ou seja, risco baixo! Depois, foi o show de horrores que inverteu a tendência, sendo mais fácil vender tudo para limitar perdas.

Ou seja, estamos mal acostumados, porque há muitos anos que temos uma clara uma linha direcional para indicar nossas decisões de negócios. Agora não mais. As cotações e tendências de ativos reais e financeiros serão mais incertas. Subirão e cairão, como tem de ser.

Durante o período de euforia, que acabou em 15 de setembro, agentes econômicos medíocres sobreviviam, se valorizavam, etc. Bons tempos. O mundo ficará mais difícil, o que trará de volta o Darwinismo Capitalista, i.e. não haverá espaço para qualquer um, mas só para aqueles mais adaptados para períodos difíceis. Quem não se estruturar gerencialmente vai quebrar, porque, no mínimo, o crédito será difícil para este tipo de empresa.

É isso. Vamos assoprar as velinhas!

Fernando

Eu gosto muito do Barack Obama. Eu teria votado nele; eu teria feito campanha pra ele – ele é “O Cara”. Pois agora ele veio e disse na cara de todo mundo, o que ninguém tem peito de admitir:

“Não contem com o consumo dos americanos, para que a economia internacional se reaqueça. Isto levará muito tempo”.

Simples, óbvio e genial. Foi um recado à la Henrique Meirelles, que não entende o porquê de tanto otimismo – eu também não entendo!

Lá fora, não há crédito disponível (porque os bancos estão descapitalizados) e o consumidor já está endividado demais; sem falar no risco de perder o emprego a qualquer momento (são meio milhão jogados na rua todo mês). Então, vão consumir o quê, Cara Pálida?!

É o que me disse em janeiro, pessoalmente, Mr. Keneth Rogoff, de Harvard: os EUA crescerão entre 1% e 2% ao ano, nos próximos 10 anos, i.e. a locomotiva do mundo andará em marcha lenta, sugerindo que o mundo não crescerá muito mais rápido do que isso também. E já sabemos que China, Índia, Brasil et caterva não tem como substituir o mundo (ex) risco à altura.

E o Brasil? Bem, o competente Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem, num tom pra lá de otimista, que nosso país crescerá entre 4% e 5% a partir de 2010. Voltarei ao tema.

Hare baba! Abs, F.

Caros – o Estadao de hoje trás está ótima entrevista , de D.Friedlander e L.Modé, com o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Muito interessante.

Eu comento apenas a visão do Ministro sobre os juros, que é bastante alinhada com a imensa maioria de analistas da cena econômica nacional.

  1. Centra exclusivamente nos bancos a responsabiliade pela redução do spread. Esquece que bancos epitomizam a essência do espírito do capitalismo, i.e. não cobram caro porque são maus, nem cobrarão menos por serem criticados – apenas cobram o que seus clientes estão dispostos a pagar. Sem falar que o governo é sócio do spread elevado, pois taxa a intermediação financeira.
  2. Acerta ao citar e estimular a competição entre os bancos, via bancos públicos, para a redução do custo do dinheiro. Mas não aborda duas questões que considero essênciais: educação financeira e creditícia e o custo de crédito que os bancos públicos enfrentarão com a inadimplência futura (por conta da liberalidade presente).
  3. O Ministro – e todo mundo menos eu – parece acreditar naqueles “gráficos de pizza”, que procuram interpretar o spread bancáro a partir das suas partes. Como estas análises interpretam o lucro dos bancos a partir de uma ‘fotografia’ apenas do último balanço publicado, são sujeitos a uma infinidade de erros.

Boa leitura + abraços, F.

Os amigos devem ter notado que ando escrevendo menos. Também devem ter notado que venho escrevendo mais sobre temas “frios”, ou atemporais, enquanto que antes escrevia alucinadamente sobre notícias “quentes”, da hora.

O bom sinal do comportamente do blog e do blogueiro, é que a crise perdeu momentum. Ela deixou de ser aguda e, portanto, parou de gerar notícias dramáticas que traziam volatilidade para os mercados. Podemos dizer que este é um blog anticíclico. 🙂

Creio que a crise deu lugar a uma “nova normalidade”, em que todos (países, governos, empresas, bancos, cidadãos) passam a conviver com os destroços que ficaram após a grande avalanche financeira que acometeu o planeta, para aos poucos reconstruirem uma nova economia e novos mercados. É uma fase de transição, ainda cheia e de dúvidas sobre como será este novo mundo.

Se por um lado é difícil achar alguma empresa, algum setor ou nação que esteja bem, ainda há considerável disparidade no grau de malefícios causados pela crise. Se por um lado o varejo no Brasil vai se aguentando, o setor de bens de capital vai mal demais. Se por um lado vende-se automovel à vontade, ninguém compra caminhão.

Este tipo de cenário gera confusão, pois dependendo da folha do jornal que você lê a sua percepção da situação econômica muda.

Mas existe um fato que não deve ser esquecido: a nova normalidade – pós-crise – será bem diferente daquela pré 15 de setembro de 2008! Será de menos riqueza, de mais frugalidade, de menores ganhos para a maioria, de menor volatilidade (e mais bi-direcional) e tudo acontecerá mais lentamente.

E a razão é simples: o capitalismo financeiro foi nocauteado. Não há mais tanto dinheiro fácil, barato e tolo para ser emprestado para qualquer um, para ser investido em qualquer projeto, para viabilizar mega fusões ou para turbinar qualquer IPO.

“Não tenhamos mais tanta pressa”, parece-me ser a nova ordem mundial. E isso me cheira bem.

Abraços, F.

Próxima Página »