Este post foi publicado no site www.financialweb.com.br, no qual também escrevo eventualmente.

Peguei carona na bela matéria do Leandor Modé, do Estadão deste domingo.

Abraços! Fernando

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Prezados amigos,

A SELIC caiu mais 0,5% e foi fixada em 8,75% a.a. – recorde histórico. Não esperem novas quedas.

Já os juros, que embutem o spread bancário, ainda podem cair mais um pouco, mas isto não depende do governo. Depende de você.

O Estadão de ontem trouxe reportagem de Leandro Modé, que me entrevistou. Eu repeti a eterna ladainha: juros não caem por decreto, discurso ou oração…cabe a cada um de nós se apresentar corretamente para os bancos, profissionalizar o relacionamento com eles, sempre visando reduzir a percepção de risco que eles têm de você e sua empresa.

Só assim a oferta de crédito aumenta e você pode barganhar mais, entre um banco e outro. Aí os juros caem. Palavra de escoteiro.

Na reportagem, um professor não identificado diz que “os bancos aproveitam que o produto que vendem (dinheiro) está escasso para cobrar mais“. Eu não sei se ele quis dizer isso para criticar os bancos ou para explicar o fato em sí. De qualquer forma, a frase é absolutamente correta, pois a precificação dos juros segue a lei da oferta e da procura. Igualzinho ao que acontece com tomate e banana na feira, ou aluguel de imóveis, entrada do cinema, etc.

Na minha visão, a oferta de crédito tende a aumentar:

  1. SELIC baixa desencoraja o investimento em títulos públicos e os bancos e investidores passam a procurar créditos que tragam uma adequada relação entre risco e retorno.
  2. Os bancos aprenderam a emprestar. O fizeram de forma exagerada, assim como se retrairam excessivamente. Mas voltarão a emprestar mais, aos poucos.

Faça a sua parte: profissionalize a sua relação com os bancos. Negocie, busque taxas mais baixas e as encontrará (*).

Abraços,

Fernando

PS: dá trabalho, mas vale a pena!

Caros – o Estadao de hoje trás está ótima entrevista , de D.Friedlander e L.Modé, com o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Muito interessante.

Eu comento apenas a visão do Ministro sobre os juros, que é bastante alinhada com a imensa maioria de analistas da cena econômica nacional.

  1. Centra exclusivamente nos bancos a responsabiliade pela redução do spread. Esquece que bancos epitomizam a essência do espírito do capitalismo, i.e. não cobram caro porque são maus, nem cobrarão menos por serem criticados – apenas cobram o que seus clientes estão dispostos a pagar. Sem falar que o governo é sócio do spread elevado, pois taxa a intermediação financeira.
  2. Acerta ao citar e estimular a competição entre os bancos, via bancos públicos, para a redução do custo do dinheiro. Mas não aborda duas questões que considero essênciais: educação financeira e creditícia e o custo de crédito que os bancos públicos enfrentarão com a inadimplência futura (por conta da liberalidade presente).
  3. O Ministro – e todo mundo menos eu – parece acreditar naqueles “gráficos de pizza”, que procuram interpretar o spread bancáro a partir das suas partes. Como estas análises interpretam o lucro dos bancos a partir de uma ‘fotografia’ apenas do último balanço publicado, são sujeitos a uma infinidade de erros.

Boa leitura + abraços, F.

Em poucas palavras (depois escreverei mais), o relatório oficial de abril nos diz que:

  1. A situação é boa para PF: mais crédito ofertado e juros mais baixos.
  2. A situação é ruim para PJ (PME): menor volume ofertado e juros mais altos.

Isto são médias e médias são ‘burras’. Tem empresa de pequeno porte com boa oferta de crédito, pois são ligadas a cadeias de valor como Sadia e Nestlé. Tem outras, médias e grandes familiares, que têm bom crédito porque são profissionais no relacionamento bancário.

E eu acho que o crédito está bem fechado para empreendedores…

Quanto as PF’s, os bancos aprenderam que ganham um bom dinheiro com esse povo, só que não acredito que qualquer um irá conseguir financiar o carro novo em 6 anos, só com o CIC e o RG na mão.

Abraços, F.

Calma, os lucros NÃO cairam porque o juros foram reduzidos! Muito pelo contrário, lamentavelmente…

Iniciemos com alguns axiomas:

  1. Banqueiro, mais do que qualquer outra espécie do ecossistema capitalista, tem intolerância para lucrar menos do que lucrou antes.
  2. Ninguém (fora o Controller do banco) pode dizer com certeza o quão preciso é o balanço publicado de um banco. Fraude? Não! Julgamento apenas (e.g. provisões para devedores duvidosos).
  3. Gerente de banco é obcecado por entregar resultado, para ganhar mais bonus, e precisa dar crédito e conquistar novos clientes.

Mas é fato que os bancos brasileiros estão convivendo com muito mais inadimplência. Por outro lado, não seria politicamente correto demonstrar que estão lucrando mais com a crise, enquanto reduzem a oferta e aumentam o custo do crédito.

De todo modo, assumindo que o que lemos é a mais pura expressão da verdade contábil, temos:

  1. Os bancos irão buscar mais resultados a partir de agora.
  2. Eles vão querer emprestar mais, só que para as maiores empresas.
  3. E toparão emprestar para empresas menores, desde que com garantia de clientes grandes (tipo Adiantamento a Fornecedores), ou descontando recebíveis acima de qualquer suspeita.
  4. Desta forma, aos poucos, o spread cairá junto com a Selic

Analise este cenário e use-o a seu favor. Mas vá para a negociaçao de forma profissional, recheado de informações sobre você e sua empresa, para reduzir a percepção de risco que  banco tem do seu negócio.

Saudações, FB

Caros – ontem eu fui entrevistado pelo Carlos Alberto Sardenberg sobre o meu tema favorito: empresas que tiverem uma relação profissional com os bancos podem pagar juros/spreads mais baixos. Ouçam aqui.

Mas vale destacar que eu escrevo/palestro sobre este assunto há alguns anos e só agora a mídia passou a se interessar por isso. Ótimo sinal. Outro dia a Folha de S.Paulo também destacou o tema (ver abaixo).

Que assim continue, pois é tema de utilidade pública.

Abraços, Fernando

…nunca esteve tão baixa, mas podia ter sido melhor. Eu dei umas declarações para a Folha de S.Paulo e divido com vocês a minha opinião sobre o efeito dela no crédito:

  1. Este 1% de queda não representará nada nas dívidas da imensa maioria dos brasileiros, em especial das famílias.
  2. Para elas, os spreads só cairão quando a inadimplência cair e esta é função do nível de emprego – que continuará ruim por um tempo.
  3. Já para as grandes empresas os juros (i.e. os spreads) já começaram a cair, na medida que os bancos detectaram que não houve nenhuma hecatombe.
  4. Agora, com a Selic mais baixa, o fluxo de empréstimos tende a aumentar para elas, que repassarão sua liquidez para suas cadeias, i.e. fornecedores (via adiantamento) e clientes (via prazo de pagamento).
  5. E assim as pequenas e médias empresas, que estão com acesso restrito ao crédito bancário, voltarão a respirar melhor.
  6. Este raciocinio não vale tanto para o pequeno e médio varejo, que vem sofrendo muito com a crise de crédito. Muitas empresas deste perfil vêm quebrando – e dando calote. Só que mudam o CNPJ e colocam o cunhado como acionista e a vida continua (não mudam nem a placa…).

É isso por enquanto. Saudações, F.