<<Post pre-cooked. Blogueiro ainda fora do ar , mas melhorando …>>

Amigos, faz um tremendo bem para o ego e para a sanidade mental, quando alguém como Paul Krugman vem e diz exatamente o que estamos dizendo por aqui: Barack Obama, seu # 2 Geithner e o FED governor herdado de Bush, Ben Bernanke, não estão sendo suficientemente arrojados na solução do problema dos bancos americanos!

Os bancos americanos viraran zumbis e Krugman chama a turma de Obama de Zumbis também!

“Tá, lá vem este Fernando Blanco falar de novo (!!) sobre bancos americanos e nacionalização do sistema e bla-bla-bla”. OK, vocês têm o direito de me achar um chato, sem assunto, banqueiro-frustrado (ou será um regulador frustrado?), etc.

Mas na verdade, eu e Paul Krugman 🙂 estamos certos por conta dos seguintes motivos:

  1. A economia americana representa perto de 30% do PIB mundial.
  2. O mundo não sairá do lodaçal enquanto a economia americana não começar a se mexer de novo.
  3. A economia americana travou porque o seu sistema financeiro quebrou.
  4. O sistema está sem confiança e capital. Pior os executivos estão sem coragem para emprestar mais.
  5. E se os bancos Made in USA não voltarem a emprestar, a economia real não voltará a fucionar e a consumir…e o resto do mundo continuará em recessão. Até enjoar.
  6. Os bancos americanos só voltarão a emprestar – pra valer – quando forem devidamente sanitizados e isto não acontecerá com estas medidas meia-boca que vêm sendo divulgadas.

A solução para o Planeta Terra voltar a ser feliz – ainda que não como antes -, passa obrigatoriamente por reverter o coma bancário, i.e. estatizá-los (só aqueles que estiverem insolventes), limpá-los (jogando o lixo no Bad Bank), consolidá-los (pois também é necessário cortar custos), capitalizá-los (pois sem capital adequado os empréstimos não voltarão) e vendê-los para quem queira comprá-los.

Mas se você não concorda com Krugman & Blanco tente então Gerard Caprio , especialista em bancos (ex-Banco Mundial).

Anotem aí: esta crise global (e brasileira) não acaba enquanto não seguirem a receitinha acima.

Oremos. Abs, F.

Primeiramente, espero que as folias momescas tenham servido para diversão ou relaxamento da melhor espécie.

Agora, que discurso “de campanha” este de Barack Obama, quando ele abriu o ano legislativo do Congresso americano. Eu não gostei. Não que ele deva prometer o que não pode cumprir, ou sei lá o que. Mas o fato é que não gostei! A Miriam Leitão disse que ele foi “Vibrante como na campanha”. Perfeito, mas agora é mostrar como irá fazer…

Leiam e/ou vejam o vídeo – e muito mais – aqui, no blog da Casa Branca. Não, não é brincadeira!

Mas pior mesmo foi a nova dupla econômica Geithner e Bernanke. O governo Obama, que tem estes dois senhores à frente do lado financeiro, chegou à conclusão que não deve estatizar (ou nacionalizar, como eles dizem por lá) – parece que eles vivem em outro planeta, onde os bancos são saudáveis e críveis. Leiam aqui na Bloomberg.

As últimas que chegam de lá é dão a impressão os bancos é que escolherão se querem dinheiro público – como se pudessem escolher ou tivessem credibilidade para decidir qualquer coisa. E dizem também que eventuais investimentos públicos serão feitos via ações preferenciais conversíveis em ordinárias, i.e. o governo não quer mandar nos bancos que quebrarem e que precisem de dinheiro público. Ai que saudades do nosso PROER…

Mais que isso, Bernanke, o todo-poderoso chefe do FED, diz achar que o sistema não está tão mal assim, que a maioria dos bancos tem capital em excesso. Me tira o tubo…

Assistam aqui um breve vídeo com Bernanke.

E aqui outro com o Geithner. (quase 9 minutos)

Quer saber, mais cedo ou mais tarde essa turma vai cair na real e nacionalizar boa parte do sistema financeiro americano (não os 6 mil bancos, mas aqueles que representam 90% dos depósitos e ativos do sistema, que devem ser uns 20, não mais).

Por enquanto, o espírito liberal americano e anti-estatizante está falando mais alto, mas se o crédito não for retomado e a economia continuar deprimida eles tomarão alguma decisão mais drástica.

Abraços,

Boas!

A crise financeiro-bancária americana, que muitos vêm há tempos dizendo que já estava equacionada, mostra que não está.

Relembremos – logo que o Lehman Brothers quebrou, em setembro último, e começou a  ‘dragar’ outros bancos importantes, a dupla Paulson & Bernanke arquitetou o TARP (Troubled Assets Relief Plan, ou Plano de Alívio de Ativos Problemáticos).  Após muito debate, o Congresso americano aprovou USD 700 bilhões para que FED e Tesouro ajudassem bancos com problemas.

A idéia era que o governo comprasse ativos podres diretamente dos bancos para limpar seus balanços; não funcionou, conforme este Blog preveu. A precificação de tais ativos seria (e é) complexa e poderia simplesmente zerar o capital dos bancos, inviabilizando sua existência. Depois, resolveram usar os recursos do TARP para comprar ações dos bancos, para capitalizá-los, conforme o modelo britânico – este Blog achava que este era o modelo correto. Funcionou apenas marginalmente.

O que acontece – nada parece funcionar e este é o fato preocupante. A primeira reação dos bancos – e a mais visível para todos – foi a paralisação das operações de crédito, mesmo após a citada capitalização. Já dissemos que os banqueiros americanos estavam sem auto-confiança para correr o risco de perder mais. E, justamente, achavam que iriam perder mais porque enxergavam que a economia entraria numa profunda recessão, destruindo empresas e negócios. Estavam certos, só que ao antecipar o corte do crédito, acabaram por acelerar a chegada da recessão e multiplicar os efeitos negativos desta sobre a economia americana.

Esta semana B.Bernanke deu uma palestra na London School of Economics e deixou claro que o sistema financeiro americano ainda “apresenta problemas sérios”. Sabe-se que existem milhares de bancos sem liquidez, lotados de ativos podres que se forem vendidos ao seu devido valor, quebarão muitos bancos.

Existem centenas de “bancos zumbis” nos EUA, em coma vegetativo. Não captam de ninguém, nem emprestam para ninguém. Só o FED os mantém vivos, respirando por aparelhos. Dará para reanimá-los? E como? Ou será melhor desligar os aparelhos que bombeiam recursos diariamente para eles?

E agora? – Paulson & Bernanke agora lançam o Aggregator Bank Tabajara!  Bem, o Tabajara é por minha conta, mas se encaixa direitinho. O modelo: banco estatal cuja missão seria comprar os ativos podres que antes o governo não conseguiu comprar dos bancos problemáticos. Novamente, a que preço? E o Aggregator Bank compraria de todos os bancos ou só de alguns (como o governo americano fez quando capitalizou uns 30 bancos apenas)?

Bank of America (BOA) – o maior banco americano irá receber mais USD 20 bi de capitalização do Tesouro (grana do TARP), após os USD 25 bi iniciais (que não deram nem pra saída). Mais que isso, o governo americano irá garantir a bagatela de USD 118 bilhões de ativos da Merril Lynch. Explico: O  BOA comprou às pressas a Merril à época que o Lehman quebrou para evitar o “fim dos tempos”. Só que ao investigar melhor o que tinha comprado, analistas e auditores do BOA encontraram tanta coisa ruim que poderiam nocautear o comprador e o comprado.

Confuso? – e isso é o que a excelente máquina de notícias da Bloomberg conseguiu descobrir até agora. E o Citi, que informei outrou dia, então? Eles queriam comprar o finado Wachovia, que foi adquirido pelo Wells Fargo, que também precisa de mais TARP, para digeri-lo. Só que o Citi, como agora está provado, não tinha recursos nem para si – já levou USD 50 bi de TARP e ainda tem muita, mas muitas perdas a reconhecer.

Recessão Made in USA – já dissemos isso aqui umas cem vezes: sem um sistema financeiro forte, que esteja em condições de financiar uma retomada da atividade econômica, é impossível que um país saia da recessão. O período de trevas que os americanos irão viver durará bastante.

Abraços, F.

PS: alguém ainda duvida que o sistema financeiro americano está estatizado?

A Business Week acaba de publicar o Top 10 das piores previsões de “analistas” americanos! Dá para notar que os de lá assim como os daqui chutam muito, e com o viés que lhes interessa! Gente séria não diria o que esse povo disse!

Aliás, tomem sempre muito cuidado com analistas muito enfáticos, com mais recurso cênico do que intelectual: tendem a ser “analistas”.

Abraços, Fernando

PS: as traduções abaixo são de minha autoria, para facilitar o entendimento.

“Here are some of the worst predictions that were made about 2008. Savor them—a crop like this doesn’t come along every year.

1. “A very powerful and durable rally is in the works. But it may need another couple of days to lift off. Hold the fort and keep the faith!” —Richard Band, editor, Profitable Investing Letter, Mar. 27, 2008

“Uma poderosa e duradoura alta das ações está em produção.”

By FB: quando a previsão foi feita, ou melhor, quando o chute foi dado, o índice Dow Jones/Industrial Average estava em 12.300 pontos – hoje está em 8.500.

2. AIG (AIG) “could have huge gains in the second quarter.” —Bijan Moazami, analyst, Friedman, Billings, Ramsey, May 9, 2008

AIG pode ter enormes lucros no segundo trimestre”

By FB: a AIG perdeu USD 5 bi naquele trimestre e outros USD 25 bi no trimestre seguinte. O governo americano injetou USD 150 bi para sustentá-la. A AIG tornou-se uma estatal americana três meses após a “previsão”.

3. “I think this is a case where Freddie Mac (FRE) and Fannie Mae (FNM) are fundamentally sound. They’re not in danger of going under…I think they are in good shape going forward.” —Barney Frank (D-Mass.), House Financial Services Committee chairman, July 14, 2008

” FM e FM têm fundamentos sólidos. Elas não correm risco de quebrar…acho que elas estarão em bom estado daqui para frente”

By FB: em apenas 2 meses, repito, 2 meses (!!) o governo precisou federalizá-las, liberando USD 100 bi para cada uma através de uma linha de crédito garantida. E o pior é que essa ‘obra’ não foi realizada por um “analista”, mas por um Deputado Federal!!

4. “The market is in the process of correcting itself.” —President George W. Bush, in a Mar. 14, 2008 speech

“O mercado está em  processo de auto-correção”

By FB: pobre George Bush, mal assessorado acabou falando bobagem. Mas por aqui não é diferente, não é mesmo? A revista fez piada dizendo que o mercado ainda não parou de se auto-corrigir.

5. “No! No! No! Bear Stearns is not in trouble.” —Jim Cramer, CNBC commentator, Mar. 11, 2008

“Não, não, não! A Bear Stearns não está com problemas”

By FB: em apenas 5 dias o JP Morgan adquiriu a BS  a preço de banana, com os acionistas do BS perdendo quase todo o valor investido. O tal Cramer é comentarista econômico de horário nobre!! Patético se propor a isto…ou haveriam outros interesses em jogo?!…

6. “Existing-Home Sales to Trend Up in 2008” —Headline of a National Association of Realtors press release, Dec. 9, 2007

“A tendência do mercado de imóveis prontos é de alta das vendas”

By FB: a mesma entidade declarou, um ano depois, que o ritmo de vendas está em seu pior nível desde a Grande Depressão de 1929.

7. “I think you’ll see [oil prices at] $150 a barrel by the end of the year” —T. Boone Pickens, June 20, 2008

“Eu acho que veremos o preço do petróleo a USD 150 o barril no final do ano”

By FB: na época, o preço estava por volta de USD 135. Hoje anda ao redor de USD 40-50. Eu também acreditava que veríamos o petróleo a USD 150, mas a economia mundial deu uma “pequena virada”…

8. “I expect there will be some failures. … I don’t anticipate any serious problems of that sort among the large internationally active banks that make up a very substantial part of our banking system.” —Ben Bernanke, Federal Reserve chairman, Feb. 28, 2008

“Eu acredito que haverá algumas quebras…eu não antecipo nenhum problema sério com bancos que tenham ativa presença internacional, que lideram o nosso sistema bancário”

By FB: o Presidente do FED poderia ter passado 2008 sem essa. Ele não tinha nada que se fazer de adivinho ou otimista. Já foi traumático demais o fato de ele não ter idéia do que os bancos tinham em seus portfolios, ou os riscos que corriam. Basicamente, os bancos de investimentos desapareceram, uns 20 bancos comerciais quebraram irremediavelmente (entre eles o Washington Mutual, que foi a maior quebra da história americana). Nem o Citibank, ícone americano (como a Coca-Cola e o Mc Donald’s), se safou da avalanche que soterrou a banca americana.

9. “In today’s regulatory environment, it’s virtually impossible to violate rules.” —Bernard Madoff, money manager, Oct. 20, 2007

“No atual ambiente regulatório [dos mercados], é virtualmente impossível violar as regras”

By FB: apesar de ser uma auto-profecia, acho que esta é a melhor de todas, não? Mas talvez seja incluída na categoria Top 1o Fraudes. Mr. MadOFF, please fuckOFF!!

10. A Bound Man: Why We Are Excited About Obama and Why He Can’t Win, the title of a book by conservative commentator Shelby Steele, published on Dec. 4, 2007.

“…por que Obama não poderá vencer”

By FB: este é o nome do livro que a comentarista conservadora Shelby Steele publicou em dezembro de 2007, prevendo que Obama não venceria a eleição. A Srta. Steele terá os seus livros majestosamente encalhados (graças a Deus)!

Coy is BusinessWeek‘s Economics editor”

Acho que não há tema no mundo, neste momento, que me cause maior interesse intelectual do que as fórmulas pensadas/utilizadas para tirar os bancos internacionais do buraco, salvando, portanto, a economia global de uma depressão – e talvez o próprio capitalismo como nós o conhecemos.

Primeiro foi a idéia de Paulson & Bernanke que achavam que com meros USD 700 bi eles comprariam “ativos tóxicos” dos bancos, criariam um fundo de papéis podres e o mercado iria negociar esses papéis e tudo continuaria como antes. Em outras palavras, conseguiriam restabelecer a confiança do/no mercado. Nada aconteceu, conforme havíamos previsto aqui.

Depois evoluíram para onde eu achava que tinham que seguir: comprar participações acionárias dos bancos problemáticos. O FED e o Tesouro seguiram a prática britânica e o fizeram, só que de forma lenta e limitada. Não resolveu nada também, até para minha surpresa.

E por que? Está cada vez mais claro que o mercado (incluindo a Mrs. Mary, viúva do Kentucky, e o Mr. Smith, aposentado da Flórida) sabe que o conjunto de ativos podres dos bancos é grande demais. Qualquer solução que lance esses ativos a perdas, dilapidará o capital desses bancos, o que limitará sua capacidade de alavancagem (i.e. de emprestar). Além da falta de apetite de risco, teriam falta de capital regulatório mesmo! E o fato do FED/Tesouro entrar no capital dos bancos como minoritários não resolveria a questão, pois o governo seria acionista e isso não garante que o banco não quebraria (o capital injetado pelo governo viraria pó se os ativos fossem lançados a perdas).

OK, é confuso mesmo, lamento dizer.

Agora, no caso do Citibank, lançaram um terceiro modelo de resgate de banco que mistura dois instrumentos, como se um médico decidisse receitar uma combinação de dois antibióticos fortes, pois notara que um só não consegue debelar a doença.

O modelo:

  1. O governo continua injetando dinheiro vivo, pois precisa dar liquidez ao banco para que este possa honrar os depósitos que são resgatados.
  2. Mas agora o governo decidiu também garantir os ativos podres do banco. Em outras palavras, se o devedor do banco não pagar, o governo paga o banco.
  3. Essa solução restabelece o “trading” desses ativos podres criando-se um mercado para eles, pois o garantidor é o Estado.
  4. Melhor ainda, os bancos poderão tomar empréstimos (“repo”), oferecendo tais ativos garantidos pelo governo como colateral.
  5. A coisa toda foi estruturada como um seguro de crédito, com co-seguro (90% é risco governo, 10% é risco Citi). O prazo é de 10 anos, o que é longo o suficiente.

O link abaixo nos leva ao Financial Times, onde Laurence Kotlikoff e Perry Mehrling (economistas de Boston e Columbia), dois craques convidados do também-craque Martin Wolf, discorrem sobre o tema. Vale a leitura (em inglês).

http://blogs.ft.com/wolfforum/2008/11/finally-system-risk-insurance/#more-263

Então, “seus problemas acabaram”, como diriam os Cassetas? Não. Resolveu-se, aparentemente, o problema do Citi, mas existem outros milhares de bancos combalidos, de todos os tamanhos e dos dois lados do Atlântico. Francamente não sei como segurar tudo isso sem uma contrapartida monetária, i.e. um lastro do governo (como era o ouro). Estamos falando de um belo naco do PIB dos EUA!!

Também falta criar um sistema que classifique os ativos em função de sua real qualidade de crédito – esqueçam os ratings da Moody’s e S&P. Esses ativos serão (espero!) negociados por uma fração do seu valor de face e esse percentual dependerá da qualidade do risco. Na medida que a economia melhorar e os devedores começarem a repagar suas hipotecas (e os imóveis se valorizarem), naturalmente o valor desses ativos subirá e quem os detiver (“buy-and-hold”) ganhará dinheiro (em especial com o custo quase zero de financiar as posições).

E no fim das contas, não deixa de ser o velho e mal-falado “prejuízo socializado”. Afinal, sempre que um ativo der calote, o governo (i.e. o contribuinte) é que salvará a pele do investidor e do banco.

Ah, um dos meus heróis contemporâneos, Nobel Prize Winner Professor Paul Krugman ficou furioso com esse plano. Leiam abaixo.

http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/11/24/citigroup/

E a economia real? Se esse modelo destravar o trauma dos bancos que pararam de emprestar uns para os outros, assim como tranqüilizar seus gestores quanto ao futuro da própria instituição, poderemos ver o crédito voltar a irrigar a economia real. Nunca como antes, mas muito mais que agora. Quando? Mais 6 meses de sombras, pois a máquina demora “a pegar no tranco”. Teríamos mais 1 ano de recessão, mas escaparíamos da depressão mundial.

Meus amigos, essa combinação de ativismo governamental e criatividade é heavy metal. É como jogar uma bomba atômica no olho do furacão da crise. Se isso não funcionar – e nada garante que irá funcionar – seremos todos funcionários públicos. Já pensou, o Lada (da extinta URSS) sendo carro oficial em Washington? 🙂

Gorbachov para Presidente…do Mundo!

Abraços esperançosos!

Fernando

PS: mas que ninguém pense que eu acho que deve-se resolver o imbróglio e ficar por isso mesmo. Tem que processar e prender quem fez coisa errada, cortar o bônus desse povo, etc., etc.

TRANSPARÊNCIA

Lembram quando Paulson & Bernanke ficaram de joelhos perante o Congresso americano, implorando pela aprovação de um pacote de USD 700 bilhões? À época, esse volume era ultrajantemente grande. Muitos – eu incluso – acharam que isso seria a “entrada” de uma refeição que ainda teria “prato principal” e “sobremesa”.

Pois bem, a Bloomberg informou que a conta já chegou aos USD 2 trilhões – e continua crescendo – sob a forma de diferentes programas emergenciais (novos e outros já existentes pré-crise).

Pior, o Congresso exigiu total transparência quanto à utilização dos USD 700 bi e agora não consegue informações sobre um lote muito, mas muito maior – e crescente. A Bloomberg News chegou a entrar com uma ação na justiça americana, solicitando que sejam divulgadas informações relativas às garantias dadas para esses empréstimos.

Se por um lado ninguém retorna as ligações e emails dos editores da Bloomberg News, Paulson & Bernanke vêm passando maus momentos em diversas audiências no Congresso americano, pois são cobrados pelas promessas de total transparência.

Mas dentro do próprio Congresso há quem os apóie, como o poderoso Chairman da House Financial Services Committee Barney Frank, que disse: “O grau de transparência do FED vem sendo adequado e o risco que estão assumindo é apropriado para a atual situação econômica.” Ele discutiu essa situação com Timothy F. Geithner, número 1 do FED Regional de NY e o mais forte candidato para substituir Paulson no futuro governo de Barack Obama. E Mr. Geithner também concorda que o FED não poderia divulgar mais do que está fazendo, pois colocaria o sistema em risco. Em outras palavras, dificilmente o nível de transparência das ações do FED mudarão no governo Obama.

O tema é complexo; nunca vivemos nada parecido. É natural que os contribuintes tenham direito de saber para onde seu dinheiro está indo e quais garantias o governo está recebendo pelos empréstimos e demais ajudas dadas aos bancos. Mas quando o assunto é sigilo e solidez de bancos grandes, todo o cuidado com a informação é aconselhável. Abaixo a reportagem integral.

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601170&refer=home&sid=ahdVHk_Ccoeg

Desafios do capitalismo…

Abraços, F.