O mercado acionário teve um dia de queda generalidade, de norte a sul, leste-oeste, e o motivo divulgado é “por conta da declaração de Barack Obama de que alguns bancos precisarão de mais ajuda”. E um pouco também porque GM e Crysler bla-bla-bla…

Santo Cristo, estamos falando de zumbis de 1a categoria. Bem, aí o governo lançou um pacote de difícil execução (vide os vários posts abaixo) e o mercado subiu que foi uma alegria só, como se tudo estivesse resolvido.

Agora Obama, ou que seja o Joe The Plumber (lembram desta do McCain?), diz que ainda tem mais por fazer e o mercado derrete? É óbvio que ainda teremos rios de notícias complicadas sobre os bancos americanos, pois a confusão instalada na contabilidade destes é algo supremo. Não deveria haver mais ingenuidade neste campo. Mas há. Ou não…

Aqui a história contada pela Bloomberg

Abs, FB

Boas!

A crise financeiro-bancária americana, que muitos vêm há tempos dizendo que já estava equacionada, mostra que não está.

Relembremos – logo que o Lehman Brothers quebrou, em setembro último, e começou a  ‘dragar’ outros bancos importantes, a dupla Paulson & Bernanke arquitetou o TARP (Troubled Assets Relief Plan, ou Plano de Alívio de Ativos Problemáticos).  Após muito debate, o Congresso americano aprovou USD 700 bilhões para que FED e Tesouro ajudassem bancos com problemas.

A idéia era que o governo comprasse ativos podres diretamente dos bancos para limpar seus balanços; não funcionou, conforme este Blog preveu. A precificação de tais ativos seria (e é) complexa e poderia simplesmente zerar o capital dos bancos, inviabilizando sua existência. Depois, resolveram usar os recursos do TARP para comprar ações dos bancos, para capitalizá-los, conforme o modelo britânico – este Blog achava que este era o modelo correto. Funcionou apenas marginalmente.

O que acontece – nada parece funcionar e este é o fato preocupante. A primeira reação dos bancos – e a mais visível para todos – foi a paralisação das operações de crédito, mesmo após a citada capitalização. Já dissemos que os banqueiros americanos estavam sem auto-confiança para correr o risco de perder mais. E, justamente, achavam que iriam perder mais porque enxergavam que a economia entraria numa profunda recessão, destruindo empresas e negócios. Estavam certos, só que ao antecipar o corte do crédito, acabaram por acelerar a chegada da recessão e multiplicar os efeitos negativos desta sobre a economia americana.

Esta semana B.Bernanke deu uma palestra na London School of Economics e deixou claro que o sistema financeiro americano ainda “apresenta problemas sérios”. Sabe-se que existem milhares de bancos sem liquidez, lotados de ativos podres que se forem vendidos ao seu devido valor, quebarão muitos bancos.

Existem centenas de “bancos zumbis” nos EUA, em coma vegetativo. Não captam de ninguém, nem emprestam para ninguém. Só o FED os mantém vivos, respirando por aparelhos. Dará para reanimá-los? E como? Ou será melhor desligar os aparelhos que bombeiam recursos diariamente para eles?

E agora? – Paulson & Bernanke agora lançam o Aggregator Bank Tabajara!  Bem, o Tabajara é por minha conta, mas se encaixa direitinho. O modelo: banco estatal cuja missão seria comprar os ativos podres que antes o governo não conseguiu comprar dos bancos problemáticos. Novamente, a que preço? E o Aggregator Bank compraria de todos os bancos ou só de alguns (como o governo americano fez quando capitalizou uns 30 bancos apenas)?

Bank of America (BOA) – o maior banco americano irá receber mais USD 20 bi de capitalização do Tesouro (grana do TARP), após os USD 25 bi iniciais (que não deram nem pra saída). Mais que isso, o governo americano irá garantir a bagatela de USD 118 bilhões de ativos da Merril Lynch. Explico: O  BOA comprou às pressas a Merril à época que o Lehman quebrou para evitar o “fim dos tempos”. Só que ao investigar melhor o que tinha comprado, analistas e auditores do BOA encontraram tanta coisa ruim que poderiam nocautear o comprador e o comprado.

Confuso? – e isso é o que a excelente máquina de notícias da Bloomberg conseguiu descobrir até agora. E o Citi, que informei outrou dia, então? Eles queriam comprar o finado Wachovia, que foi adquirido pelo Wells Fargo, que também precisa de mais TARP, para digeri-lo. Só que o Citi, como agora está provado, não tinha recursos nem para si – já levou USD 50 bi de TARP e ainda tem muita, mas muitas perdas a reconhecer.

Recessão Made in USA – já dissemos isso aqui umas cem vezes: sem um sistema financeiro forte, que esteja em condições de financiar uma retomada da atividade econômica, é impossível que um país saia da recessão. O período de trevas que os americanos irão viver durará bastante.

Abraços, F.

PS: alguém ainda duvida que o sistema financeiro americano está estatizado?

Foi um dia cheio de coisas acontecendo. Nenhuma notícia ou decisão que promova uma virada no mau momento em que vivemos (não irei publicar/comentar nenhuma má notícia hoje). Ainda assim, foram várias iniciativas, aqui e ali, positivas.

1. Swap de Moedas: o Banco Central acertou com o FED americano uma operação de USD 30 bilhões. Essa medida se encontra na polêmica Medida Provisória 443; a tal que dá poderes para o governo federal comprar bancos, empresas, padarias, etc. Pelo que deu pra entender, o BC brasileiro poderá sacar USD 30 bi do governo americano que ficaria com o equivalente em reais para seu uso.

O acordo é positivo para o Brasil, pois aumenta o poder de fogo do governo para combater ataques ao real, como vem ocorrendo. Já para o Bush… o que ele iria fazer com R$ 70 bi? O governo quer mostrar que não irá deixar sangue rolar pela rampa do Palácio do Planalto. Tem uma turma especulando forte, jogando pesado contra as empresas que se entubaram com aqueles derivativos cambiais. Acho que o governo está com ódio viceral desse pessoal, mas não quer manchetes de jornal dizendo que meia-dúzia de grandes empresas (ou bancos) quebraram por conta de “especularem com derivativos” (e nem foi isso precisamente).

http://www.bancocentral.gov.br/noticias/Noticias.asp?noticia=1&idioma=P&cod=1905

2. COPOM/SELIC: o nosso BC já provou que é macho. Ele peita mercado, imprensa, ministros e quem mais se apresentar. Desta vez resolveu não mexer na taxa da SELIC, mantida nas alturas de 13,75% a.a. Na verdade, o BC ficou entre a gritaria da indústria que clama pela redução da taxa e uma ala de monetaristas radicais, que apostam na existência de uma severa inflação em gestação e que, por não subir a SELIC agora, terão de subí-la mais lá na frente.

Não concordaram? Entrem no blog A Mão Visível aqui ao lado e tentem entender porque o Alexandre Schwartsman e seus seguidores acreditam nisso. Eu não consegui. Por onde olho e falo só vejo desaquecimento na indústria. Não chegou no varejo, mas vai chegar em janeiro. Não entendo que inflação é essa que estão vendo. Será que o câmbio teria tanta força? A ver (e sentir).

3. As bolsas: apesar do mercado de ações ainda não ter condições de refletir minimamente para onde vai a economia real, o simples fato da BOVESPA não ter caído 10% nesta 4af é positivo. Talvez queime minha língua e ela caia 15% na 5af… Chamou a atenção a festa européia, onde todas as bolsas relevantes subiram mais de 8%, enquanto NY ‘andou de lado’, com leve queda. O que posso dizer? Já está barato além da lógica dos números para quem quer comprar com visão de longo prazo, mas Nouriel Roubini Primeiro e Único diz que ainda pode cair + 30% (e mostra números para isso!). Para quem gosta de dar uma especulada é o momento ideal.

4. Bancos: comento dois assuntos, sendo um chato e outro interessante. O interessante primeiro: o crédito bancário cresceu nos últimos 12 meses alguma coisa como 30%, mas os lucros dos bancos não cresceram na faixa dos 20% a 30% (anualizados) neste trimestre como vinha acontecendo há anos, trimestre a trimestre. Não tive tempo para analisar, mas isso chamou a minha atenção. Talvez estejam perdendo muito, ainda que temporariamente, com as operações de derivativos – os bancos têm que pagar a chamada margem na BMF (despesa) enquanto seus clientes negociam uma reestruturação das dívidas com derivativos (receita pendente). A chatice é essa interminável lenga-lenga de que os bancos não liberam o crédito, etc. Já falei sobre isso aqui umas 100 vezes. Não adianta reclamar: banco algum vai dar crédito enquanto estiver na dúvida sobre a solidez dos clientes, sobre os setores dos clientes e sobre a tendência macro daqui pra frente. Para a choradeira da FIESP, do Ministro Mantega, do Papa Bento XVI, etc., sabe o que FEBRABRAN faz? Leiam o link abaixo…pura “mensagem institucional”…

http://www.febraban.org.br/noticias1.asp?id_texto=376

5. Lula Papai Noel: foi anunciado o pacote de R$ 3 bilhões que a Caixa utilizará para dar crédito para construtoras com problemas de liquidez. A MP 443 também criou a CaixaPar que poderá comprar participação em empresas do setor. Já falamos disso aqui. A dúvida que eu tenho é como irão diferenciar o joio do trigo. Mutuários em situação complicada existem aos milhões, mas como definir qual empresa terá ajuda? Por que o Condomínio Véu da Noiva do meu amigo continuará a subir e o meu, o Chateaux Magoux ficará parado? Em tese, a ajuda é para evitar uma crise que prejudique o povo. Por outro lado, talvez beneficie maus empresários que descasaram ativos e passivos, só têm terrenos e nada no caixa, etc.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461905.shtml

E no Salão do Automóvel, aqui em SP, o Presidente Lula disse que irá ajudar este setor também. Juro que não sabia que havia tanto dinheiro disponível assim. Sério, a intenção é maravilhosa, mas a execução de tais medidas são tão complexas e arriscadas…parece-me impossível que não se cometam injustiças sérias. Deus o ajude.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461978.shtml

6. Despesas Financeiras: a notícia é velha, mas vale a pena comentar. O repórter Toni Sciarreta, da Folha, escreveu nesse último domingo sobre um estudo da consultoria Economática. Lá diz que, neste terceiro trimestre, na média, 70% do resultado operacional das empresas de capital aberto será utilizado para pagamento de juros. A mini-máxi desvalorização do real ajuda, mas a alta dos juros é fundamental. Detalhe: o estudo não contempla as tais operações com derivativos.

Então, administrar o passivo bancário é ou não é importante? É… mas poucos empresários dão valor para isso. A mídia? Não quer nem saber. Eu tenho falado sozinho sobre o tema. Depois reclamam que a SELIC sobe. Só que esquecem que o problema não é os 13,75%, da SELIC, mas sim os 35% que são pagos pela maioria das empresas brasileiras (e nem percebem, porque não fazem conta…).

Abraços, F.

Meus comentários são:

1. A reação nas bolsas era esperada. A turma precisa de notícia, boa ou ruim, para o trading. Nada que indique tendência, pois ao primeiro mau sinal vindo, por exemplo, dos balanços dos bancos, a volatilidade jogará contra de novo.

2. O FED e todos os bancos centrais (inclusive o nosso) estão ‘batendo cabeça’ na solução do REAL problema desta crise: a falta de irrigação do crédito para a economia real. A combinação de desconfiança generalizada e a perspectiva de recessão está matando o crédito e retro-alimentando a crise.

3. Tudo isso para dizer: baixar juros não resolve essa questão, muito pelo contrário. Quanto mais baixos os juros, menor o estímulo para o banco emprestar. Talvez até o faça, mas com um tremendo spread. De qualquer forma, entre lucros & perdas, a decisão é BEM-VINDA porque ajuda a desafogar um pouco os endividados americanos. Mas só um pouco, porque os juros já estavam baixos…

4. Para nós, aqui no Brasil, o efeito será imaterial. Aplicações adicionais de nossas reservas renderão um pouco menos e como não estamos captando nada lá fora, não teremos economias significativas no passivo também.

O link abaixo, da Bloomberg, é muito informativo e nos atualiza sobre o quadro geral.

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=awpa6f1vDwlg&refer=home

E aqui, hein, o que o nosso COPOM estará decidindo enquanto escrevo? Comentarei sobre a SELIC no Plantão da Madrugada…

Abraços, Fernando

Ontem foi um tumulto só. As manchetes dos jornais de hoje esbanjavam terror.

Quero crer que no post de ontem eu não dei tamanha importância sobre o fato das bolsas, moedas e juros terem sacudido mais do que carrinho de montanha-russa. E por que? Porque o mundo já deveria estar acostumado que é sempre assim.

O mercado, nesses momentos de crise, opera na base do “overshooting” (i.e. tiro em excesso, na tradução literal). As cotações caem um monte num dia e os “analistas” justificam o fato com histórias de terror; no dia seguinte, as cotações sobem outro monte e os mesmos “analistas” (!!) justificam a euforia com uma retórica oposta daquela de 24 horas antes – COMO SE O MUNDO TIVESSE VIRADO DO AVESSO EM APENAS 24 HORAS!!

É o fim da picada. Vejam os fechamentos do dia, segundo a Bloomberg.

Abraços, F.

North/Latin America

INDEX VALUE CHANGE %CHANGE TIME
DOW JONES INDUS. AVG 10,850.66 485.21 4.68% 16:30
S&P 500 INDEX 1,164.74 58.32 5.27% 09/30
NASDAQ COMPOSITE INDEX 2,082.33 98.60 4.97% 17:16
S&P/TSX COMPOSITE INDEX 11,752.90 467.83 4.15% 09/30
MEXICO BOLSA INDEX 24,888.90 933.23 3.90% 09/30
BRAZIL BOVESPA STOCK IDX 49,541.27 3,513.21 7.63% 16:26
More North/Latin America Indexes
 

Europe/Africa/Middle East

INDEX VALUE CHANGE %CHANGE TIME
DJ EURO STOXX 50 € Pr 3,038.20 30.01 1.00% 09/30
FTSE 100 INDEX 4,902.45 83.68 1.74% 09/30
CAC 40 INDEX 4,032.10 78.62 1.99% 09/30
DAX INDEX 5,831.02 23.94 0.41% 09/30
IBEX 35 INDEX 10,987.50 41.80 0.38% 09/30
S&P/MIB INDEX 25,530.00 -273.00 -1.06% 11:35
AEX-Index 331.45 7.90 2.44% 09/30
OMX STOCKHOLM 30 INDEX 768.49 -5.84 -0.75% 09/30
SWISS MARKET INDEX 6,654.89 154.76 2.38% 09/30

Atenção:

1. Começam as reações (sérias) do Congresso americano: Ao invés de simplesmente…o que?…Paulson & Bernanke nunca disseram o que e como fariam o resgate dos títulos poderes…o Chairman do Banking Committee do senado americano, Chris Dodd, propõe que o Tesouro americano assuma parte do controle (via ações) dos bancos (e etc.) que tiverem seus títulos vendidos (para limpeza de balanço).

2. Como os volumes são altos, estamos falando de uma  FEDERALIZAÇÃO parcial do sistema financeiro americano. É um PROER mais que avançado.

3. Também sugere-se punições e restrições para os executivos que fizeram gestão temerária! Como aqui.

Muito importante: O TEXTO FALA EM CONVERSÃO PELO VALOR DE COMPRA DO ATIVO. SE FOR ISSO, PARECE-ME, EVITA-SE QUE OS BANCOS TENHAM PERDA DE CAPITAL. ISTO SERIA GENIAL, POIS OS BANCOS NÃO PERDEM CAPACIDADE DE ALAVANCAGEM E OS ACIONISTAS ATUAIS SÃO DILUÍDOS, I.E. PENALIZADOS!

http://bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=aHeROL9EmlRg&refer=home

Ao que tudo indica, acharam a virgem que será entregue ao sacrifício: a iniciativa privada do sistema financeiro americano, que será fortemente estatizado, se tudo seguir como se planeja.

INACREDITÁVEL!!!!! Abraços, F.

O sistema capitulou! Estatizaram os ativos podres e salvaram os especuladores com dinheiro público! Os neoliberais jogaram a toalha de vez e assumiram sua face mais hipócrita: “Eu quero é salvar o meu!! Dane-se o contribuinte!”

Calma, muita calma: o blogueiro aqui não endoidou! Ainda…

Eu apenas reproduzi acima, o que vai ecoar pela blogosfera quando for noticiado/postado as idéias que Tio Sam e seus assessores estão debatendo (ou tramando, como dirão muitos).

Notícia fresquíssima – liderados pelo Secretário do Tesouro, Henri Paulson (o Mantega deles), e pelo governor do FED, Ben Bernanke (o Meirelles de lá), altos funcionários do governo americano e políticos iniciaram tratativas para o relançamento de um instrumento utilizado 20 anos atrás, para salvar a antigas financiadoras de imóveis (as Thrifts), que também quebraram naquela época.

Arquitetam a criação de um fundo de até USD 800 bilhões, que compraria títulos podres dos bancos, limpando-os de uma vez. O objetivo primário, obviamente, é acabar com a crise de confiança que paralizou o mercado financeiro mundial – porque ninguém confia em ninguém -, o que vem gerando uma complexa e única desorganização em todo sistema econômico internacional. Exemplos:

  1. Congelamento dos money markets, por conta do pânico nos mercados interbancários;
  2. Bancos sem liquidez sendo socorridos pelos seus bancos centrais, para que possam honrar seus compromissos;
  3. Crise de crédito no setor produtivo, pois os bancos estão paralizados.

Falam em passar o final de semana estruturando este projeto, pois há uma gritante urgência.

Além da enorme complexidade legal que envolve uma iniciativa deste tipo, há também a questão moral: com que recursos serão salvos tais bancos? E a que preço, serão financiados a perder de vista simplesmente, ou terão que fazer “write-off” (lançar os ativos podres a perda, reduzindo o capital dos bancos)? E outras instituições (como hedge funds) que também carregam tais papéis, também serão salvos? E os bancos internacionais que carregam estes papéis “Made in USA”, também podem entrar na fila? E os bancos americanos que já quebraram por conta da crise, serão resucitados? E o monte de moeda que inundará o sistema e que causará inflação, penalizando os mais pobres? Olha, é problema que não acaba. Será um fim de semana longo…

A boa notícia é que os americanos têm experiência no assunto, pois já se utilizaram deste expediente em duas outras mega-crises: em 1929, na Grande Depressão, lançaram o Homeowner Loan Corp, que financiava hipotecas a baixo custo; já em 1989, quando houve a crise das Thrifts, criaram o Resolution Trust Corp., RTC, que comprava ativos podres. Agora vai ser algo do genêro.

Uma outra boa notícia é que isto irá acalmar o mercado – aliás, já acalmou -, o que é bom para todo mundo, inclusive para o Brasil.

Abaixo eu destaco um vídeo do Financial Times, onde entrevistam o mais experiente banqueiro americano, Bill Rhodes, um velho conhecido do Brasil e experiente em crises – ele foi o coordenador, do lado dos bancos, do longo e penoso processo de renegociação da dívida externa brasileira, em moratória, nos já distantes anos 80.

Em seguida, também transcrevo uma notícia da Bloomberg, que trata do assunto. Bom áudio + boa leitura, F.

http://www.ft.com/cms/8a38c684-2a26-11dc-9208-000b5df10621.html?_i_referralObject=860200296&fromSearch=n

Paulson, Bernanke Push Plan to Cleanse Balance Sheets (Update3)

By Alison Vekshin and James Rowley

Sept. 18 (Bloomberg) — U.S. Treasury Secretary Henry Paulson and Federal Reserve Chairman Ben S. Bernanke met with lawmakers to push a plan that would move troubled assets from the balance sheets of American financial companies into a new institution.

Congressional leaders meeting with Paulson and Bernanke late today in Washington said they will work to pass legislation soon. The initiative, which may insure money-market funds, is aimed at removing the devalued mortgage-linked assets at the root of the worst credit crisis since the Great Depression.

“Absolutely, this is good news,” said Marilyn Cohen, who manages $185 million in bonds as president and chief executive of Envision Capital Management in Los Angeles. “Hopefully, this will give the trading desks the confidence to start making markets again.”

The Treasury and Fed chiefs, after months of trying to aid failing financial companies case by case, want to prevent the crisis that has led to $518 billion in global losses and writedowns from further weakening the U.S. economy.

“What we are working on now is an approach to deal with the systemic risk and the stresses in our capital markets,” Paulson said after the meeting. “We’re coming together to work for an expeditious solution which is aimed right at the heart of this problem, which is illiquid assets on financial institutions’ balance sheets.”

Stocks Jump

After comments from Paulson, Bernanke and the lawmakers indicated a bipartisan commitment, U.S. stock futures gained about 3 percent, the dollar rose versus the yen and the Nikkei 225 Stock Average climbed 3.3 percent.

Options under consideration include establishing an $800 billion fund to purchase so-called failed assets and a separate $400 billion pool at the Federal Deposit Insurance Corp. to insure investors in money-market funds, said two people briefed by congressional staff who spoke on condition of anonymity because the plans may change.

Another possibility is using Fannie Mae and Freddie Mac, the federally chartered mortgage-finance companies seized by the government last week, to buy assets, one of the people said.

To Move `Quickly’

“We will try to put a bill together and do it fairly quickly,” said House Financial Services Committee Chairman Barney Frank, a Massachusetts Democrat. “We are not in a position to give you any specifics right now” on the proposals, he said when asked about the potential cost.

U.S. Securities and Exchange Commission Chairman Christopher Cox after the meeting said the commission will gather tonight to consider more rules to guarantee market liquidity. The SEC is considering banning short-sales of the shares of Wall Street brokerages after Morgan Stanley fell 39 percent this week, said a person familiar with the matter.

“We are likely to take additional steps in the days ahead that are more particularly addressed to this urgent situation,” Cox told reporters.

An increasing number of lawmakers are advocating a stronger response to the crisis sparked by record homeowner defaults. The turmoil swept Lehman Brothers Holdings Inc. into bankruptcy three days ago and prompted government takeovers of Fannie Mae, Freddie Mac and American International Group Inc. this month.

Boehner Sees Passage

“I’m hopeful that in the coming days we’ll have a proposal that will pass this Congress,” House Minority Leader John Boehner told reporters tonight.

Senator Richard Shelby of Alabama and other Republicans have criticized the federal takeovers of AIG, Fannie and Freddie for imposing a potentially high cost on taxpayers.

“We cannot protect all risk in the market, and we shouldn’t do it at the risk of the taxpayer,” Shelby, the ranking Republican on the Senate Banking Committee, said yesterday in an interview on Bloomberg Television.

The Fed’s takeover of AIG followed its March agreement to take on $29 billion of Bear Stearns Cos. assets to secure the company’s takeover by JPMorgan Chase & Co.

House Speaker Nancy Pelosi said it was a “very productive” meeting on an “initiative to help resolve the financial crisis in our country.”

Helping Main Street

The goal of the proposal is to help “insulate Main Street from Wall Street,” she said, adding she was “very eager” to see the Treasury-Fed proposal.

Senate Majority Leader Harry Reid, the Nevada Democrat, said the plan would come within “hours,” not days. “We have all committed to work with them on their proposal,” Reid said.

“I thank the congressional leadership for a very, very positive meeting,” Bernanke told reporters after the meeting. “We look forward to working closely with Congress to resolve this financial crisis and get our economy moving again.”

Citigroup Inc., JPMorgan, Bank of America Corp., Goldman Sachs Group Inc., Merrill Lynch & Co. and Lehman Brothers alone had more than $500 billion of so-called Level 3 assets as of June 30, according to data in a Sept. 15 report from New York-based bond research firm CreditSights Inc. The holders of these assets say their values can only be determined through internal models because of illiquid markets.

Senator Christopher Dodd, who chairs the Senate Banking Committee, said it was a “sober” gathering. The plan would likely come from the Treasury and Fed this weekend and “nothing is more important than this,” Dodd said.

To contact the reporter on this story: Alison Vekshin in Washington at avekshin@bloomberg.net; James Rowley in Washington at jarowley@bloomberg.net

Last Updated: September 18, 2008 22:55 EDT