Amigos – se você não bateu o olho no post debaixo deste, cheque Veja: Brasil 10 x 1 Crise -olho no tira-teima.

Você já viu uma foto do inferno? Como estas aqui embaixo, cortesia do Blog do Brad Setser, eu nunca havia visto. Acho que nem ele, que é PhD em economia, etc.

Sinistro, muito sinistro! Haja estímulo fiscal para reverter estes monstros!

E como se não fosse pouca má notícia, a AIG e outras instituições financeiras continuam demonstrando que nem todas as perdas com ativos tóxicos e garantidas extendidas para holders de ativos tóxicos foram contabilizadas. Quanto mais lixo tóxico haverá escondido? Até onde chegará a metástase deste tumor?

E dá-lhe paciência enquanto esperamos o magma derreter todas as estruturas financeiras mal arquitetadas nestes últimos anos.  Abs, FB

 

The data on industrial production — presented as a year-over-year fall — tells a similar story.

The G-7 countries are all contracting. And, alas, a host of emerging economies are contracting even more. It shouldn’t be a surprise that Merrill has joined BNP Paribas in forecasting that global growth will dip below zero in 2009. The big issue globally is how to shift out of the current dynamic, one where weakness in demand in one country generates further weakness in all of its trading partners — and one where financial losses in one part of the globe trigger reductions in lending throughout the world, and thus add to the global credit crunch.

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“News of the China stimulus and AIG revamped bailout was diluted by ongoing earnings carnage in the financial sector,” according to analysts at Action Economics.”

Olha a chamada do Investor’s Watch (ver Blogroll) de agora há pouco! Traduzindo: “Notícias do estímulo chinês e aumento do pacote de salvação da AIG foram diluídas pela carnificina dos resultados do setor financeiro.”

Definitivamente, eu tento não ser negativo – até a pedido de vários amigos deste blog. Apesar de achar o Nouriel Roubini um tremendo economista, o apelido de “Roubini Brasileiro” não me é exatamente reconfortante…

Dois posts atrás eu dizia da ineficiência das iniciativas “ATIVISTAS” dos governos. Olha que a China injetar quase USD 600 bilhões em sua economia é uma senhora notícia! Mas que nada, tem tanta má notícia sendo divulgada – e ainda a divulgar -, sem falar nos ‘esqueletos’ que ninguém sabe exatamente quais e quantos são, mas que todo mundo sabe que existem aos montes por aí…

É isso por hora…

Abraços, F.

Foi um dia cheio de coisas acontecendo. Nenhuma notícia ou decisão que promova uma virada no mau momento em que vivemos (não irei publicar/comentar nenhuma má notícia hoje). Ainda assim, foram várias iniciativas, aqui e ali, positivas.

1. Swap de Moedas: o Banco Central acertou com o FED americano uma operação de USD 30 bilhões. Essa medida se encontra na polêmica Medida Provisória 443; a tal que dá poderes para o governo federal comprar bancos, empresas, padarias, etc. Pelo que deu pra entender, o BC brasileiro poderá sacar USD 30 bi do governo americano que ficaria com o equivalente em reais para seu uso.

O acordo é positivo para o Brasil, pois aumenta o poder de fogo do governo para combater ataques ao real, como vem ocorrendo. Já para o Bush… o que ele iria fazer com R$ 70 bi? O governo quer mostrar que não irá deixar sangue rolar pela rampa do Palácio do Planalto. Tem uma turma especulando forte, jogando pesado contra as empresas que se entubaram com aqueles derivativos cambiais. Acho que o governo está com ódio viceral desse pessoal, mas não quer manchetes de jornal dizendo que meia-dúzia de grandes empresas (ou bancos) quebraram por conta de “especularem com derivativos” (e nem foi isso precisamente).

http://www.bancocentral.gov.br/noticias/Noticias.asp?noticia=1&idioma=P&cod=1905

2. COPOM/SELIC: o nosso BC já provou que é macho. Ele peita mercado, imprensa, ministros e quem mais se apresentar. Desta vez resolveu não mexer na taxa da SELIC, mantida nas alturas de 13,75% a.a. Na verdade, o BC ficou entre a gritaria da indústria que clama pela redução da taxa e uma ala de monetaristas radicais, que apostam na existência de uma severa inflação em gestação e que, por não subir a SELIC agora, terão de subí-la mais lá na frente.

Não concordaram? Entrem no blog A Mão Visível aqui ao lado e tentem entender porque o Alexandre Schwartsman e seus seguidores acreditam nisso. Eu não consegui. Por onde olho e falo só vejo desaquecimento na indústria. Não chegou no varejo, mas vai chegar em janeiro. Não entendo que inflação é essa que estão vendo. Será que o câmbio teria tanta força? A ver (e sentir).

3. As bolsas: apesar do mercado de ações ainda não ter condições de refletir minimamente para onde vai a economia real, o simples fato da BOVESPA não ter caído 10% nesta 4af é positivo. Talvez queime minha língua e ela caia 15% na 5af… Chamou a atenção a festa européia, onde todas as bolsas relevantes subiram mais de 8%, enquanto NY ‘andou de lado’, com leve queda. O que posso dizer? Já está barato além da lógica dos números para quem quer comprar com visão de longo prazo, mas Nouriel Roubini Primeiro e Único diz que ainda pode cair + 30% (e mostra números para isso!). Para quem gosta de dar uma especulada é o momento ideal.

4. Bancos: comento dois assuntos, sendo um chato e outro interessante. O interessante primeiro: o crédito bancário cresceu nos últimos 12 meses alguma coisa como 30%, mas os lucros dos bancos não cresceram na faixa dos 20% a 30% (anualizados) neste trimestre como vinha acontecendo há anos, trimestre a trimestre. Não tive tempo para analisar, mas isso chamou a minha atenção. Talvez estejam perdendo muito, ainda que temporariamente, com as operações de derivativos – os bancos têm que pagar a chamada margem na BMF (despesa) enquanto seus clientes negociam uma reestruturação das dívidas com derivativos (receita pendente). A chatice é essa interminável lenga-lenga de que os bancos não liberam o crédito, etc. Já falei sobre isso aqui umas 100 vezes. Não adianta reclamar: banco algum vai dar crédito enquanto estiver na dúvida sobre a solidez dos clientes, sobre os setores dos clientes e sobre a tendência macro daqui pra frente. Para a choradeira da FIESP, do Ministro Mantega, do Papa Bento XVI, etc., sabe o que FEBRABRAN faz? Leiam o link abaixo…pura “mensagem institucional”…

http://www.febraban.org.br/noticias1.asp?id_texto=376

5. Lula Papai Noel: foi anunciado o pacote de R$ 3 bilhões que a Caixa utilizará para dar crédito para construtoras com problemas de liquidez. A MP 443 também criou a CaixaPar que poderá comprar participação em empresas do setor. Já falamos disso aqui. A dúvida que eu tenho é como irão diferenciar o joio do trigo. Mutuários em situação complicada existem aos milhões, mas como definir qual empresa terá ajuda? Por que o Condomínio Véu da Noiva do meu amigo continuará a subir e o meu, o Chateaux Magoux ficará parado? Em tese, a ajuda é para evitar uma crise que prejudique o povo. Por outro lado, talvez beneficie maus empresários que descasaram ativos e passivos, só têm terrenos e nada no caixa, etc.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461905.shtml

E no Salão do Automóvel, aqui em SP, o Presidente Lula disse que irá ajudar este setor também. Juro que não sabia que havia tanto dinheiro disponível assim. Sério, a intenção é maravilhosa, mas a execução de tais medidas são tão complexas e arriscadas…parece-me impossível que não se cometam injustiças sérias. Deus o ajude.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u461978.shtml

6. Despesas Financeiras: a notícia é velha, mas vale a pena comentar. O repórter Toni Sciarreta, da Folha, escreveu nesse último domingo sobre um estudo da consultoria Economática. Lá diz que, neste terceiro trimestre, na média, 70% do resultado operacional das empresas de capital aberto será utilizado para pagamento de juros. A mini-máxi desvalorização do real ajuda, mas a alta dos juros é fundamental. Detalhe: o estudo não contempla as tais operações com derivativos.

Então, administrar o passivo bancário é ou não é importante? É… mas poucos empresários dão valor para isso. A mídia? Não quer nem saber. Eu tenho falado sozinho sobre o tema. Depois reclamam que a SELIC sobe. Só que esquecem que o problema não é os 13,75%, da SELIC, mas sim os 35% que são pagos pela maioria das empresas brasileiras (e nem percebem, porque não fazem conta…).

Abraços, F.

Esta manhã acompanhei, como de hábito, a mídia do mundo todo. Não tenho dúvida que atingiu-se um novo patamar de pânico. As pessoas estão se perguntando: “Mas não tínhamos atingido o fundo do poço?”…

O blog abaixo (link) é o melhor do dia, pois está sendo atualizado com frequência. O Norris é fera internacional, o NYT é o melhor jornal do mundo e o conceito de United Panic espelha bem o que o mercado nos diz.

http://norris.blogs.nytimes.com/2008/10/24/united-panic/

Extraio dele a lista abaixo. Mostra a queda (“down”) dos principais índices de ações do mundo. Eles nos dizem coisas sérias.

U.S., down 26%
Canada, down 37%
Mexico, down 44%
Argentina, down 43%
Brazil, down 48%
Chile, down 30%
Peru, down 42%

Britain, down 31%
Germany, down 35%
France, down 31%
Switzerland, down 20%
Italy, down 30%
Ireland, down 35%
Iceland, down 83%
Netherlands, down 35%
Belgium, down 37%
Denmark, down 35%
Finland, down 26%
Greece, down 45%
Poland, down 46%
Czech Republic, down 45%
Russia, down 53%
Hungary, down 50%
Lithuania, down 37%
Turkey, down 50%
South Africa, down 42%
Israel, down 22%

Japan, down 23%
Hong Kong, down 30%
China, down 21%
Taiwan, down 23%
South Korea, down 46%
Australia, down 34%
New Zealand, down 25%
India, down 36%
Singapore, down 35%

Voltarei ao tema no final do dia, mas já antecipo que o farei com mais sangue no monitor…

Fernando

Ontem eu escrevi que “…NÃO ME SURPREENDEREI SE O MERCADO DEVOLVER PARTE DESSES GANHOS na 3a ou 4af…“.

Quer dizer que eu sou bom de bolsa? Nem um pouco! OK, num passado distante, fui responsável pela gestão de riscos de tesouraria (entre outros) do segundo banco mais agressivo do mercado (na época) e analisava a fundo a volatilidade e tendências dos principais ativos financeiros (e.g. bolsa, dólar, Pré, CDI, etc.).

E não tem erro: sempre que a bolsa despenca um monte – assim, sem motivo mais concreto – ela sobe como um foguete no dia seguinte. A recíproca é 100% verdadeira – e foi o que aconteceu de ontem pra hoje.

O motivo: especulação pura. A historinha que “os analistas” contaram para justificar a explosão das cotações foi a de que os governos se uniram para salvar o sistema, etc. Eu escrevi que achava que isso “já deveria estar no preço”, não foi? Pois é, já estava e pobre de quem comprou na máxima do dia…

Aqui no Brasil o mercado resistiu melhor – mas os especialistas devem analisar se o Ibovespa não foi salvo por um ou alguns papéis mais representativos do índice.

Notícias sobre a recessão abundam, justificando a derretida “light” de hoje. Também não deveria ser surpresa para ninguém.

Como já disse, amigos, gostando ou não, NÃO HÁ NENHUM MOTIVO QUE JUSTIFIQUE OTIMISMO PARA O PERÍODO DE 2 ANOS QUE IREMOS ENFRENTAR.

Até mais tarde, com posts realmente quentes! Abs, F.

Lembram dessa charge? Nunca foi tão verdadeira!

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Enquanto isso, na economia real, os juros batendo recordes…

Os mercados abriram em fanfarra no mundo todo – e aqui em particular. O mercado americano está fechado – em tese -, mas a despeito do feriado nos EUA os traders americanos estão negociando aqui, na Europa, na Ásia e em Marte se lá tiver mercado.

A razão para a alta é simples: os líderes internacionais DISSERAM COM TODAS AS LETRAS QUE IRÃO APOIAR OS BANCOS – COM CAPITAL – E QUE NENHUM BANCO RELEVANTE E QUE TRAGA RISCO SISTÊMICO IRÁ QUEBRAR. O mercado estava cansado de cair. Talvez haja muita especulação também. Afinal, este acontecimento não muda o fato de que o crédito será muito mais apertado nos próximos anos e que teremos, muito provavelmente, uma recessão global em 2009.

O engraçado é que os governos já vinham apoiando os bancos decisivamente, pois já passa de USD 1 trilhão o volume de linhas de redesconto injetadas nos bancos do mundo todo e muitos bancos já vinham sendo salvos (de um jeito ou de outro). Porém, por razões estritamente políticas, nenhum destes líderes assumia de fato o compromisso de que essa ajuda se perpetuaria.

Agora vai e graças a Gordon Brown, do Reino Unido. Por aqui, o Banco Central tomou mais uma decisão voltada para a liberação do crédito, mas como bem aponta Miriam Leitão (ler abaixo), talvez essa ajuda não tenha o efeito desejado.

Não nos esqueçamos: essa crise de liquidez se originou numa crise de solvência lá fora. Aqui não. Só que agora os bancos brasileiros também estão assustados com o risco de recessão. Sejamos cautelosos, todos. A bolsa subir 10% não significa que o céu ficou azul de repente. Mudou o vetor: de tragédia para apenas tempos difíceis. Ainda não é hora para você dobrar a fábrica ou comprar a quinta TV de plasma em 24 vezes “sem juros”.

Abraços, Fernando

Liberação de compulsório

BC dá mais um passo para destravar crédito

O Banco Central acaba de divulgar nota anunciando a liberação integral do recolhimento dos compulsórios. Somando todas as medidas já anunciadas, o total de crédito que poderá ficar disponível é de R$ 160 bilhões. Era previsível mais esta etapa de uso do dinheiro recolhido ao Banco Central. Esta é a forma mais tradicional de reforço da liquidez porque apenas libera para os bancos o dinheiro dos próprios clientes que o banco tem que recolher ao BC. Agora eles não precisam mais.

Os bancos terão mais dinheiro para emprestar. Teoricamente. Em épocas de crise, o risco é esse dinheiro voltar para o governo através da aplicação em titulo público. Em vez de emprestar uns aos outros e emprestar aos clientes, os bancos podem apenas comprar título público. O governo troca seis por meia dúzia e os bancos têm um gasto maior.

O BC brasileiro ainda tem muita munição porque o compulsório sobre depósitos à vista é alto e pode ser reduzido. O problema é enfrentar o desafio de evitar o travamento do mercado de crédito que já aconteceu em outros países.